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Jacqueline Valadares, Guilherme Madeira Dezem e Araceli Martins Beliato são organizadores de obra que trata, também, de prova digital, reconhecimento facial, câmeras corporais, crimes cibernéticos e cadeia de custódia digital; obra será lançada nesta quinta-feira (1º/10), em São Paulo
Até que ponto a Inteligência Artificial (IA) e outras ferramentas digitais impactam investigações criminais? Quais os benefícios, os riscos e os limites jurídicos no uso crescente de tecnologias nas ações judiciais? Estas são algumas reflexões que “Processo Penal e Tecnologia – Temas Atuais” traz ao centro do debate.
O livro tem na organização e coautoria Jacqueline Valadares, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp); Guilherme Madeira Dezem, juiz do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo e professor-doutor de Direito Processual Penal da Universidade de São Paulo (USP); e a policial civil, pesquisadora, professora universitária e doutoranda em Processo Penal pela USP Araceli Martins Beliato. O lançamento será nesta quinta-feira (1º/10), às 18h, na Faculdade de Direito da USP.
Na obra da Editora Mizuno, 32 pesquisadores e profissionais do sistema de Justiça criminal convidados escrevem sobre as transformações provocadas, nos últimos tempos, pela Tecnologia e a IA na atividade do processo penal, sob várias vertentes.
Com 590 páginas, o compilado destaca, ainda, questões como reconhecimento facial, câmeras corporais, videovigilância, Smart Sampa, sistemas preditivos, malware, prova digital e demais ferramentas que estão transformando a investigação, a produção probatória, decisões judiciais e a execução penal.
Jacqueline, que é mestranda em Direito na Universidade Estadual Paulista (Unesp) “Júlio de Mesquita Filho” – campus de Franca-SP; e Araceli, doutoranda em Processo Penal pela USP; ambas com ampla expertise em razão das carreiras policial e acadêmica, além de organizarem a obra, assinam o capítulo “O malware como meio de obtenção de prova no processo penal brasileiro?”. O texto trata da validade ou não do uso de software espião (malware) nos procedimentos investigativos e judiciais.
Em outro artigo, “Desafios e perspectivas para a implementação da tecnologia blockchain na cadeia de custódia”, a delegada e os coautores Arthur Cassiani, doutorando em Direito pela Unesp; e Jorge David Barrientos-Parra, professor e pós-doutor em Direito, pela University of Toronto (Canadá); discutem integridade, preservação, admissibilidade e valoração da prova digital. O trio de especialistas aborda, também, as possibilidades e as limitações do uso de blockchain – registro digital descentralizado e imutável para documentar, rastrear e proteger o histórico de evidências físicas ou digitais.
A obra
Com prefácio de Maurício Zanoide de Moraes, professor de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito da USP, “Processo Penal e Tecnologia – Temas Atuais” é indicado a advogados criminalistas, magistrados, membros do Ministério Público (MP), defensores públicos, delegados de Polícia, policiais, peritos, professores, pesquisadores e estudantes de graduação e de pós-graduação em Direito.
O lançamento, nesta quinta-feira, está marcado para às 18h, na Faculdade de Direito da USP (Largo São Francisco, 95 – Centro, São Paulo). A obra também está à venda no site www.editoramizuno.com.br.
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Psicologia explica o peso da cobrança sobre mulheres em posições de autoridade
Juíza Federal e pesquisadora Alessandra Belfort Bueno analisa por que mulheres em cargos de a utoridade podem sentir maior pressão para demonstrar preparo, segurança e domínio — e como essa cobrança interfere na forma de exercer liderança
Ser competente deveria ser suficiente para ocupar uma posição de autoridade. Na prática, porém, mulheres que chegam a cargos de liderança ou que precisam tomar decisões importantes podem se deparar com uma cobrança que vai além dos resultados: precisam demonstrar, repetidamente, que são capazes de estar naquele lugar.
A questão aparece em diferentes ambientes profissionais. Mulheres podem ser avaliadas não apenas pelo que entregam, mas também pela maneira como falam, se posicionam, demonstram segurança, estabelecem limites e reagem diante de situações de conflito.
Quando demonstram firmeza, podem ser consideradas excessivamente duras. Quando adotam uma postura mais conciliadora, existe o risco de serem percebidas como menos assertivas. A dificuldade está justamente em encontrar um comportamento que seja reconhecido como adequado sem que a avaliação profissional seja atravessada por expectativas diferentes.
Para Alessandra Belfort Bueno, Juíza Federal há 20 anos e pesquisadora, compreender esse fenômeno passa também pela Psicologia e pela forma como a autoridade é percebida socialmente.
“Existe uma diferença entre exercer autoridade e precisar convencer o tempo todo de que se tem autoridade. Quando a pessoa sente que precisa provar constantemente que merece ocupar determinado espaço, isso pode gerar uma carga psicológica adicional”, explica.
A cobrança não aparece apenas no resultado
Em uma avaliação profissional, seria esperado que competência estivesse relacionada a conhecimento, capacidade técnica, qualidade das decisões e resultados. Para algumas mulheres, entretanto, a avaliação pode se estender para aspectos comportamentais.
A voz precisa transmitir segurança. A postura deve demonstrar confiança. A decisão precisa parecer firme, mas não autoritária. É necessário saber negociar, mas sem parecer insegura. Demonstrar ambição pode ser interpretado de maneira diferente de quando o mesmo comportamento parte de um homem.
Essa sobreposição de expectativas pode criar uma situação na qual a profissional não está apenas executando seu trabalho, mas também monitorando constantemente a forma como está sendo percebida. É aí que a cobrança pode ganhar uma dimensão psicológica.
O custo de estar sempre tentando demonstrar que sabe
Quando existe a sensação de que um erro será usado como evidência de incapacidade, a margem para experimentar, delegar ou admitir dúvidas pode diminuir. A profissional pode passar a revisar excessivamente decisões, preparar-se além do necessário para reuniões, evitar demonstrar vulnerabilidade ou sentir necessidade de dominar todos os detalhes antes de se posicionar.
Em determinadas situações, isso pode contribuir para um nível elevado de autocobrança.
“Quando a pessoa acredita que precisa estar impecável para ser reconhecida como competente, qualquer falha deixa de ser apenas uma falha. Ela pode ser interpretada internamente como uma ameaça à própria legitimidade naquele espaço”, afirma Alessandra.
Autoridade não é sinônimo de dureza
Outro ponto importante é a associação entre autoridade e uma postura permanentemente rígida. Profissionais em cargos de decisão precisam estabelecer limites, fazer escolhas difíceis e, eventualmente, contrariar interesses. Isso faz parte da função.
No entanto, exercer autoridade não significa eliminar a capacidade de escuta ou de diálogo.
Para a pesquisadora, uma liderança consistente não depende de demonstrar força o tempo inteiro.
“Autoridade não precisa ser performada o tempo todo. Uma pessoa pode ouvir, reconsiderar uma posição, reconhecer que precisa de mais informação e, ainda assim, continuar exercendo autoridade. Segurança não é ausência de dúvida; é capacidade de tomar decisões mesmo diante de situações complexas”, explica.
Por que o erro pode pesar de maneira diferente?_*
Errar faz parte de qualquer trajetória profissional. O problema é quando a falha individual passa a ser percebida como representativa de um grupo.
Uma mulher que ocupa uma posição tradicionalmente masculina pode sentir que seu desempenho está sendo observado não apenas como o desempenho dela, mas como uma espécie de representação sobre a capacidade de outras mulheres de ocupar aquele espaço.
Essa percepção pode aumentar a pressão por desempenho. Em profissões de alta responsabilidade, nas quais decisões são constantemente avaliadas por outras pessoas, o efeito pode ser ainda mais significativo.
O resultado pode ser uma profissional altamente preparada, mas que permanece em estado permanente de vigilância sobre o próprio comportamento.
A síndrome da impostora não explica tudo_
A chamada síndrome do impostor costuma aparecer nas discussões sobre mulheres altamente qualificadas que duvidam da própria competência mesmo diante de evidências objetivas de sucesso.
O conceito, porém, não deve ser utilizado para colocar toda a responsabilidade sobre a mulher. Nem toda insegurança profissional é um problema individual. O ambiente também influencia a forma como a competência é reconhecida.
Uma profissional pode ter dúvidas sobre si mesma, mas também pode estar inserida em um contexto no qual precisa, de fato, superar mais obstáculos para obter reconhecimento.
Por isso, a análise precisa considerar tanto aspectos individuais quanto culturais e organizacionais.
A mulher que precisa estar sempre preparada
Uma consequência possível dessa dinâmica é o excesso de preparação. A profissional estuda mais, revisa mais, antecipa mais cenários e procura reduzir ao mínimo a possibilidade de ser questionada.
Esse comportamento pode produzir resultados positivos no curto prazo. O problema aparece quando a preparação deixa de ser uma estratégia profissional e passa a funcionar como uma exigência interna permanente.
A pessoa já não pensa apenas “preciso estar preparada para esta situação”, mas “preciso estar preparada para não dar margem a nenhum questionamento”.
Essa diferença é pequena na aparência, mas importante do ponto de vista psicológico.
O que muda quando a competência deixa de precisar ser provada?
A construção de uma relação mais saudável com a autoridade passa por compreender que nenhuma pessoa será capaz de eliminar completamente a possibilidade de críticas, erros ou discordâncias.
Para mulheres em posições de liderança, isso pode significar abandonar a expectativa de que precisam ser tecnicamente impecáveis, emocionalmente equilibradas e permanentemente disponíveis para legitimar o próprio lugar.
Também significa reconhecer que pedir informação, ouvir uma opinião diferente ou mudar de ideia diante de novos dados não reduz necessariamente a autoridade.
Pelo contrário: em funções que exigem decisões complexas, a capacidade de revisar uma posição pode ser um sinal de responsabilidade.
A questão, portanto, não é deixar de buscar excelência. É não transformar a excelência em uma condição permanente para acreditar que se tem o direito de ocupar determinado espaço.
“Uma mulher não deveria precisar ser excepcional para que sua competência seja considerada legítima. Ela pode ser excelente, pode errar, pode aprender, pode discordar e pode estabelecer limites. O exercício da autoridade não depende de provar todos os dias que você merece estar onde está. Depende de reconhecer a responsabilidade que existe naquele lugar e exercê-la com consciência”, conclui Alessandra Belfort Bueno.
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Airbnb divide moradores: quem decide sobre o imóvel?
A Constituição Federal garante o direito à propriedade, conforme o artigo 5º, incisos XXII e XXIII, mas também estabelece que ela deve cumprir uma função social. Isso significa que, embora o proprietário tenha o direito de usar e dispor do que é seu, existem limites para esse exercício.
Na prática, o direito de propriedade não é absoluto. O artigo 1.228, § 2º, do Código Civil proíbe o exercício da propriedade com a intenção de prejudicar outra pessoa. É justamente aí que está um dos principais limites do proprietário: exercer seus direitos sem transformá-los em abuso.
A mudança no perfil de propriedade segue uma tendência contemporânea de afastamento do modelo clássico de uso exclusivo e de aproximação de formas baseadas no acesso e no compartilhamento. Nesse contexto, dividir o uso de bens surge como alternativa à posse individual, permitindo que um mesmo recurso seja utilizado por diferentes pessoas.
O AIRBNB se encontra nessa ruptura do conceito tradicional de propriedade, uma vez que nada mais é do que um negócio alternativo e lucrativo de compartilhamento do uso do bem imóvel, pois apenas se refere ao uso da coisa por variadas pessoas e momentos.
As demandas jurídicas sobre o assunto da locação por curta temporada têm atendido um clamor do condomínio em preservar a segurança e o sossego coletivos, ou seja, o impedimento do condomínio pelo uso da propriedade de forma atípica desvirtuando o sentido do condomínio residencial tem sido contra a utilização dos proprietários por plataformas digitais para locação por curta temporada.
A decisão da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 2.121.055/MG, bem como a discussão levada ao Tema 1.443, em 01/06/2026, reforçam que os condomínios podem estabelecer regras para preservar o uso exclusivamente residencial dos imóveis. Essa restrição se torna ainda mais válida quando está expressamente prevista na própria Convenção Condominial.
Há que se mencionar que a exploração econômica de unidades autônomas mediante locação por curto ou curtíssimo prazo, caracterizada pela eventualidade e pela transitoriedade, não se compatibiliza com a destinação exclusivamente residencial atribuída ao condomínio.
O STJ afetou o tema 1443 para definir “se a cláusula de destinação residencial prevista em convenção de condomínio é suficiente para impedir a locação de unidades autônomas por curto período, por meio de plataformas digitais, independentemente de proibição expressa”.
No Direito, vale mais a adequação da convenção condominial ou mesmo o debate junto ao condomínio, para que os condôminos expressem o seu desejo. Além disso, cabe àqueles que estão adquirindo imóveis analisar a viabilidade do bem para obtenção de lucro por meio de contratos atípicos de curta ou curtíssima temporada.
Enquanto não temos a palavra final do STJ, cabe a adequação às regras do condomínio e o respeito às normas existentes. Aqui fica evidente o limite do direito do proprietário, ou seja, a necessidade de respeitar a coletividade diante de seus interesses individuais.
Minicurriculo
Formada pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas – SUESC desde 2000; Pós graduada lato sensu pela EMERJ; Pós Graduada em Família e Sucessões pelo Triade/IBDFAM; Pós Graduada em Direito Imobiliário Extrajudicial pela Marcos Salomão Educação; Advogada e sócia fundadora do Escritório Albinante Advogados Associados. @isacalbi.
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Ela começou em uma pizzaria e hoje ensina 6 mil profissionais a ganhar dinheiro com tributos
Sigrid Kersting transformou mais de duas décadas de experiência no setor em consultoria, negócios, tecnologia e educação; segundo a tributarista, profissionais que passaram por seus treinamentos já participaram da recuperação de mais de R$ 4,5 bilhões em tributos
A trajetória profissional de Sigrid Kersting começou muito antes das redes sociais, dos cursos on-line e das mentorias que hoje levam seu conhecimento tributário para milhares de profissionais em todo o Brasil. Em 1998, ela ingressou no curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Não havia feito cursinho preparatório para o vestibular porque, naquele momento, não tinha recursos financeiros para isso.
Logo no primeiro semestre, porém, uma greve interrompeu as aulas. Em vez de simplesmente esperar pelo retorno da universidade, Sigrid decidiu procurar emprego. Foi trabalhar em uma pizzaria. “Eu simplesmente não queria ficar parada esperando as aulas voltarem.
Naquele momento, certamente não imaginava onde a Contabilidade me levaria, mas foi ali que começou uma relação com a profissão que definiria boa parte da minha vida”, relembra. A passagem pela pizzaria poderia parecer apenas uma circunstância daquele período. Anos depois, no entanto, a capacidade de mudar de rota diante de situações inesperadas se repetiria em diferentes momentos de sua trajetória.
Da faculdade para uma Big Four
A primeira grande virada profissional veio em 2003, antes mesmo da conclusão da graduação. Sigrid conquistou uma vaga de trainee na área de Tax da Deloitte, em Porto Alegre. Havia uma dificuldade importante naquele momento: ela não falava inglês, requisito frequentemente associado às oportunidades dentro das grandes empresas internacionais de auditoria e consultoria. Mesmo assim, conseguiu entrar.
A experiência durou oito anos. Foi dentro da Deloitte que Sigrid aprofundou a formação tributária e teve contato com grandes empresas, projetos complexos e profissionais que influenciariam sua forma de trabalhar. Mas também foi ali que começou a compreender que conhecimento técnico, sozinho, não seria suficiente para construir uma carreira de longo prazo.
“Chega um momento da carreira em que conhecimento técnico não basta. É preciso saber trabalhar com pessoas, negociar, ouvir, influenciar, administrar conflitos e entender que bons resultados também dependem da capacidade de construir relações”, afirma. A experiência no ambiente corporativo ajudou a formar a base do trabalho que seria desenvolvido anos mais tarde como consultora e professora.
Quando a maternidade mudou a carreira
A trajetória profissional seguia em crescimento quando, em 2009, nasceu Arthur, primeiro filho de Sigrid. A maternidade provocou uma mudança que não estava prevista no planejamento profissional.
Quando o filho tinha aproximadamente um ano, ela começou a perceber que havia um conflito entre a carreira que estava construindo e o tipo de vida familiar que desejava ter.
De um lado, havia o crescimento profissional. Do outro, uma infância que acontecia rapidamente. “Minha carreira avançava, mas meu filho também estava crescendo e se desenvolvendo e eu não estava conseguindo acompanhar aquilo como gostaria”, conta.
A decisão, segundo Sigrid, não era escolher entre abandonar a carreira ou permanecer exclusivamente no ambiente corporativo.
Ela queria continuar trabalhando, preservar a segurança financeira da família e avançar profissionalmente. Ao mesmo tempo, queria estar mais próxima dos filhos. “Eu precisava encontrar uma forma de fazer as duas coisas.”
A mudança não aconteceu imediatamente. Foram cerca de três anos planejando uma nova direção. Em 2014, Sigrid decidiu iniciar um mestrado acadêmico, conseguiu uma bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e começou a direcionar também sua carreira para a docência. A mudança profissional nasceu, portanto, de uma decisão pessoal. Com a chegada da filha Bárbara, a ideia ficou ainda mais clara.
“A partir dali, família e trabalho deixaram de ser duas partes independentes da minha vida. Minha carreira precisaria funcionar dentro da vida que eu queria construir — e não o contrário”, afirma.
Experiência de mercado vira sala de aula
Mesmo com a mudança de direção, Sigrid não abandonou o tributário. Continuou estudando, atuando profissionalmente e passou a levar para a sala de aula situações que havia vivenciado durante anos dentro das empresas. A combinação entre experiência prática e docência começou a formar uma metodologia própria de ensino.
Em vez de concentrar o conteúdo apenas na interpretação da legislação, a proposta passou a ser mostrar como as regras tributárias poderiam ser aplicadas no cotidiano empresarial. “Eu sempre acreditei que o tributário não pode existir apenas na legislação. Tributário precisa funcionar na vida real das empresas”, diz. A estratégia acabaria se tornando fundamental alguns anos depois.
A pandemia e a ida para o digital
Em 2020, a pandemia de Covid-19 interrompeu as atividades presenciais nas universidades e trouxe outro momento de mudança. Sem as aulas tradicionais, Sigrid decidiu levar o conhecimento para a internet. Ela começou sem audiência.
“Comecei com zero seguidores. Mas tinha algo que não começava do zero: mais de duas décadas de experiência, conhecimento tributário, prática empresarial e uma forma muito própria de ensinar”, afirma.
A estratégia foi transformar temas considerados complexos do universo tributário em conteúdos mais diretos, didáticos e voltados à aplicação profissional. Vieram publicações nas redes sociais, aulas on-line, cursos, treinamentos e mentorias. A audiência cresceu juntamente com a operação.
De zero a 100 mil seguidores
Em aproximadamente seis anos, Sigrid alcançou mais de 100 mil seguidores nas redes sociais e mais de 6 mil alunos em seus programas de formação. A atuação passou a envolver profissionais como contadores, advogados e consultores interessados principalmente em temas relacionados à recuperação de créditos tributários, planejamento tributário, consultoria e, mais recentemente, à Reforma Tributária.
Segundo dados fornecidos pela própria tributarista, alunos que passaram por seus treinamentos já participaram de projetos que somam mais de R$ 4,5 bilhões em tributos recuperados para empresas.
O número não representa valores recuperados diretamente por Sigrid, mas resultados informados dentro da comunidade formada pelos profissionais que passaram por seus programas de capacitação.
Mais do que ensinar legislação, o modelo desenvolvido por ela busca mostrar como transformar conhecimento técnico em um serviço profissional que possa ser oferecido às empresas. O resultado ajudou a transformar a professora em empresária.
Da educação para os negócios
Atualmente, a atuação de Sigrid se divide entre educação, consultoria e tecnologia voltadas ao universo tributário. A experiência construída durante décadas dentro de empresas passou a ser utilizada para formar profissionais interessados em desenvolver suas próprias consultorias e serviços especializados.
A tributarista também passou a dedicar parte importante do trabalho à Reforma Tributária, considerada uma das maiores mudanças no sistema de tributação do consumo das últimas décadas no Brasil. Com a implementação gradual de novas regras, incluindo a CBS, de competência federal, e o IBS, que envolve estados e municípios, empresas precisarão rever processos, sistemas, contratos, formação de preços e planejamento tributário.
Para Sigrid, esse movimento também abre espaço para uma nova geração de profissionais especializados. “A Reforma Tributária cria uma demanda muito grande por pessoas que consigam transformar a legislação em orientação prática para as empresas. Não basta simplesmente conhecer a norma. Será necessário compreender o impacto da mudança em cada negócio e ajudar as empresas a atravessar esse processo”, afirma.
Uma carreira construída por mudanças de rota
Da estudante de Ciências Contábeis que trabalhou em uma pizzaria durante uma greve universitária à profissional de uma Big Four, da carreira corporativa à docência e, posteriormente, da sala de aula para o empreendedorismo digital, a trajetória de Sigrid foi marcada menos por um planejamento linear e mais pela capacidade de reorganizar os caminhos.
Ela própria reconhece que o percurso não nasceu de um grande plano elaborado no início da carreira. “A minha história profissional nunca foi construída a partir de um grande plano traçado desde o início. Ela foi sendo construída por decisões, oportunidades e, principalmente, por alguns momentos em que percebi que precisava mudar a rota”, diz.
Hoje, os números ajudam a dimensionar o negócio: milhares de alunos, uma comunidade profissional formada ao redor do conhecimento tributário e bilhões de reais em créditos recuperados por profissionais que participaram de seus treinamentos. Mas Sigrid afirma que a medida de sucesso que mais valoriza não está necessariamente nos números.
“Talvez o resultado que mais me orgulhe seja receber a mensagem de um profissional dizendo que estava pensando em desistir do tributário e que, por meio do meu trabalho, percebeu que poderia construir uma carreira valorizada, bem remunerada e bem-sucedida”, afirma.
Para ela, esse passou a ser o principal resultado da mudança iniciada quando decidiu compartilhar na internet aquilo que havia acumulado em mais de duas décadas de profissão. “Consegui transformar experiência em conhecimento e conhecimento em oportunidade para outras pessoas”, resume.
Sobre Sigrid Kersting
Sigrid Kersting é contadora pela UFRGS, pós-graduada em Direito Tributário pela FGV e mestre pela Unisinos. Tem mais de 25 anos de experiência nas áreas contábil e tributária e atuou durante oito anos na Deloitte, além de ter construído carreira executiva na área de Tax de multinacionais. Também atuou como professora em cursos de graduação e pós-graduação.
Atualmente, está à frente de negócios nas áreas de consultoria tributária, tecnologia e educação, com atuação na SK Company, Titan Tax e SK Escola de Negócios. Ao longo da trajetória como professora e mentora, já formou mais de 6 mil profissionais e passou a concentrar parte de seu trabalho na capacitação sobre Reforma Tributária e na formação de consultores especializados.
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Sua empresa bate meta ou apenas tem meses bons?
Negócios com vendas recorrentes acompanham geração de demanda, conversão e funil comercial antes que o resultado apareça no faturamento
Depois de recuar 1,6% em abril, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro ficou praticamente estável em maio de 2026, com variação de 0,1%, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio divulgada pelo IBGE em julho. No trimestre encerrado em maio, a média móvel caiu 0,2%.
Para Ray Gonçalves, formada em Marketing, empresária e fundadora da Geração de Demanda, consultoria especializada em crescimento empresarial, marketing e vendas, empresas que batem metas de forma recorrente tratam a receita como consequência de um processo iniciado antes da negociação. Desde 2012 de atuação no mercado educacional e digital, ela participou da estruturação do Grupo Acelerador, operação que ultrapassou R$ 200 milhões em quatro anos.
Se o varejo, que vende todos os dias e enxerga o resultado em tempo real, oscila nesse ritmo, negócios de ciclo de vendas mais longo sentem o mesmo movimento com semanas de atraso, normalmente quando já não sobra mês para reagir. Para transformar crescimento pontual em previsibilidade de receita, o desafio está em identificar o que gera demanda, acompanhar o funil de vendas e corrigir desvios antes que eles apareçam no faturamento.
Número de oportunidades geradas, origem dos contatos, conversão entre etapas, velocidade de atendimento, ticket médio, ciclo de vendas e recompra ajudam a identificar gargalos enquanto ainda existe tempo para corrigir a operação comercial. Esses indicadores permitem que o empresário acompanhe se a meta está sendo construída antes que o resultado apareça no caixa.
“Previsibilidade de receita não significa saber exatamente quanto a empresa vai faturar no mês seguinte. Significa conhecer os indicadores que mostram se a meta está sendo construída. Quando o empresário acompanha apenas o faturamento, ele descobre o problema depois que a venda deixou de acontecer”, afirma Ray Gonçalves.
A meta começa antes da venda
Um dos erros mais comuns, segundo a consultora, é transformar a meta em uma cobrança restrita à equipe comercial. A conta que sustenta o número costuma ser feita ao contrário.
Uma empresa que pretende faturar R$ 500 mil no mês e trabalha com ticket médio de R$ 10 mil precisa de 50 vendas. Se o time fecha uma proposta a cada cinco apresentadas, são 250 propostas. E se quatro em cada dez oportunidades qualificadas chegam à etapa de proposta, o funil precisa receber cerca de 625 oportunidades ao longo do mês, algo em torno de 150 por semana.
Esse cálculo permite identificar rapidamente se o problema está na geração de demanda ou apenas aparece no fechamento das vendas. Quando o funil é monitorado desde o início do mês, ainda existe tempo para corrigir a rota antes que a meta seja comprometida.
“Feita essa conta, a meta deixa de ser um número colocado no início do mês e vira uma quantidade de oportunidades que precisa entrar no funil já na primeira semana. Quando a empresa não faz esse cálculo, acaba cobrando o vendedor em novembro por uma decisão de marketing que ficou de fora em outubro”, explica Ray Gonçalves.
Uma queda na geração de oportunidades durante a primeira semana pode comprometer o faturamento semanas depois. Por isso, acompanhar o avanço do funil ao longo do mês permite corrigir a operação antes que o resultado apareça no caixa.
Um mês bom precisa deixar pistas
Um exemplo recente dessa lógica veio da Cimed. Durante a Copa do Mundo de 2026, a farmacêutica investiu R$200 milhões em ativações relacionadas à competição e afirma ter triplicado as vendas durante as ações, além de registrar crescimento de 178% nas vendas ao consumidor final. Depois dos resultados, a companhia decidiu levar parte da estratégia ao Campeonato Brasileiro, com campanhas envolvendo Palmeiras e Cruzeiro, segundo reportagem publicada pela EXAME em julho.
O orçamento não é replicável para a maior parte das empresas brasileiras, mas o movimento é. Para a fundadora da Geração de Demanda, o ponto relevante não está no tamanho da campanha, e sim na decisão de identificar o que funcionou e montar uma estrutura para repetir aquilo. Na avaliação da consultora, esse processo permite transformar um resultado pontual em um método capaz de gerar crescimento recorrente.
“Bater meta uma vez pode acontecer por uma campanha muito boa, uma indicação ou uma oportunidade fora da curva. O desafio empresarial é entender por que o resultado aconteceu e criar condições para repeti-lo. É essa capacidade de transformar vendas em processo que aumenta a previsibilidade de receita”, afirma.
Quem gera demanda depois da queda já começou atrasado
Quando uma empresa intensifica marketing e prospecção apenas diante da queda no faturamento, precisa lidar com o intervalo entre atrair novos contatos e transformá-los em oportunidades comerciais. Para Ray Gonçalves, esse comportamento ajuda a explicar por que alguns negócios passam boa parte do mês tentando recuperar resultados.
Segundo a empresária, empresas que trabalham apenas de forma reativa acabam iniciando ações comerciais quando parte do resultado do mês já está comprometida, porque existe um intervalo natural entre atrair novos contatos, qualificá-los e convertê-los em vendas.
“Quando a geração de demanda começa depois que a venda cai, a empresa passa o mês tentando recuperar o resultado. Negócios com maior previsibilidade alimentam o funil continuamente porque entendem que a venda de amanhã começa na demanda gerada hoje”, ressalta.
Na prática, três perguntas ajudam a medir a saúde da operação: quanto precisa ser vendido, quantas oportunidades são necessárias para atingir esse número e se o volume atual do funil é suficiente para chegar ao resultado.
As respostas ajudam a localizar o gargalo. Se há demanda, mas poucas propostas, o problema pode estar na qualificação ou na abordagem comercial. Se existem propostas, mas poucas vendas, preço, oferta ou negociação precisam ser avaliados. Se quase nenhuma oportunidade chega ao vendedor, aumentar a cobrança sobre a equipe comercial dificilmente resolverá a origem da queda.
Sobre Ray Gonçalves
Ray Gonçalves é empresária, consultora de marketing e fundadora da Geração de Demanda, consultoria especializada em crescimento empresarial, marketing e vendas.
A Geração de Demanda presta consultoria de marketing a empresários que querem vender mais e com mais consistência. O trabalho envolve posicionamento, estratégia de captação de clientes e alinhamento entre marketing e vendas, sempre atrelado às metas mensais do negócio. A base do atendimento é o Método 3C: conecta, convence e converte, criado por Ray para organizar a jornada do cliente desde o primeiro contato até o fechamento, e já aplicado por mais de 1000 empresários e profissionais de marketing.
Com mais de 14 anos de atuação no mercado educacional e digital, participou da estruturação do Grupo Acelerador, operação que ultrapassou R$200 milhões em quatro anos. Hoje atende empresários de diferentes setores com braço educacional, com foco em geração de receita, previsibilidade e margem.
Criadora da metodologia 3C, conecta, convence e converte, já impactou mais de 800 empresários e profissionais de marketing por meio de treinamentos presenciais e consultorias personalizadas, com foco na geração de demanda, previsibilidade de receita e escalabilidade de negócios.
Atualmente, atende empresários de diferentes setores, atuando na geração de receita com foco no alcance de metas mensais, com mais previsibilidade e margem para o negócio.
Para mais informações: (site: geracaodedemanda.com.br | instagram: @raygoncalvesoficial | facebook: raygoncalvess | linkedin: ray-gonçalves-678685223).
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Seu atendimento pode ser ótimo. Mas e a jornada do seu cliente?
Seu atendimento pode ser ótimo.Mas e a jornada do seu cliente?
Você pode ser excelente no que faz. Ter domínio técnico, um espaço bonito, oferecer um bom produto e atender seus clientes com simpatia.
Ainda assim, isso não significa que eles estejam vivendo uma boa experiência.
Porque o cliente não vive apenas o atendimento. Ele vive uma jornada.
Pense em uma profissional da área da beleza. Para ela, o serviço pode começar quando a cliente senta na cadeira ou deita na maca.
Para a cliente, começou muito antes.
Começou quando encontrou aquele profissional nas redes sociais.
Quando mandou uma mensagem. Quando tentou entender valores e horários. Quando agendou. Quando recebeu as orientações para chegar.
E continuou na recepção, na espera, na forma como foi chamada, na conversa durante o procedimento, no pagamento, na despedida e, talvez, em uma mensagem alguns dias depois.
Cada um desses momentos comunica alguma coisa.
É justamente aí que entra a hospitalidade.
E hospitalidade não é oferecer café.
É pensar intencionalmente em como uma pessoa será recebida, orientada, conduzida e cuidada durante toda a relação com o seu negócio.
Pode estar em chamar alguém pelo nome. Em antecipar uma dúvida. Em explicar um atraso. Em lembrar uma preferência. Em tornar o pagamento simples. Em perguntar depois como aquela pessoa está.
Pequenos gestos, quando fazem parte de uma jornada pensada, deixam de ser apenas gentileza. Passam a construir percepção de valor.
E isso vale para uma grande empresa, mas também para quem empreende sozinho.
Uma esteticista tem uma jornada do cliente. Uma nail designer também. Assim como uma clínica, um salão, um consultório, uma loja ou um restaurante.
Se você tem clientes, essa jornada já existe.
A questão é: você a desenhou ou simplesmente deixou que ela acontecesse?
Talvez seja um bom exercício percorrer o próprio negócio com os olhos de quem chega.
Onde existe espera? Onde existe dúvida? Onde o cliente precisa fazer esforço demais? Onde você poderia antecipar uma necessidade? Em que momento seria possível surpreender sem necessariamente gastar mais?
Porque experiência não é feita apenas de grandes acontecimentos.
Ela é construída na soma de pequenos momentos.
No fim, seu cliente pode até chegar até você pelo serviço que oferece.
Mas a experiência que ele vive nessa jornada ajuda a decidir se ele volta e se leva outras pessoas com ele.
* Por Bruna Pullig – @brunapullig / @ojoconsultoria
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Ter dinheiro basta para ter uma vida próspera?
Pesquisas mostram que segurança financeira pesa na percepção de sucesso, mas saúde, relações e bem- estar também determinam como os brasileiros avaliam a própria felicidade
Abundância e dinheiro estão diretamente relacionados, mas não significam a mesma coisa. Enquanto 67% dos brasileiros consideram ter uma casa própria um sinal de sucesso e 66% associam a realização a um emprego estável, fatores como sentir-se amado, preservar a saúde física e mental e manter boas relações familiares aparecem à frente das finanças quando a pergunta é o que produz felicidade. Os dados são de duas pesquisas da Ipsos divulgadas em 2026 e ajudam a ampliar a discussão sobre o que caracteriza uma vida próspera.
Para Elainne Ourives, psicanalista, pesquisadora e treinadora mental com atuação em comportamento humano, reprogramação mental e relação com o dinheiro, a abundância começa a ser mal interpretada quando o patrimônio se transforma na única medida de sucesso. A especialista levará essa discussão ao Cocriador Milionário, encontro que acontece nos dias 11, 12 e 13 de setembro, em São Paulo.
“Dinheiro importa. Ele proporciona segurança, escolhas e conforto. Mas abundância não pode ser reduzida ao saldo de uma conta. Uma pessoa pode conquistar muito financeiramente e continuar percebendo falta de tempo, de relações saudáveis, de tranquilidade ou de sentido naquilo que construiu”, afirma.
A discussão ganha força em um momento no qual a segurança econômica ocupa posição central na definição de sucesso. A pesquisa Life Aspirations 2026, realizada pela Ipsos com mais de 22 mil pessoas em 30 países, apontou que casa própria e estabilidade profissional estão entre as principais aspirações dos brasileiros.
Abundância não significa ignorar o peso do dinheiro
A importância da segurança financeira também aparece nos indicadores de crédito. Em julho, a inadimplência nas operações com recursos livres chegou a 6,4% no Brasil, ante 6% em junho, maior nível da série histórica iniciada pelo Banco Central em 2011, segundo dados publicados pela Forbes com informações da Reuters.
No mesmo período, os juros cobrados pelas instituições financeiras nessas operações ficaram em 47,7% ao ano. Para a psicanalista, os números impedem uma leitura simplista de que recursos financeiros seriam secundários para o bem estar.
“Não podemos romantizar a falta de dinheiro. Quando alguém não consegue pagar suas contas ou construir uma reserva, existe uma preocupação concreta. O ponto é que alcançar estabilidade financeira resolve uma dimensão importante da vida, mas não necessariamente organiza todas as demais”, explica.
É justamente essa diferença que aparece no Ipsos Happiness Report 2026. No Brasil, 54% dos entrevistados apontaram a situação financeira como um dos principais motivos de infelicidade. Saúde mental e bem estar foram citados por 37%.
Quando a pergunta foi sobre o que contribui para a felicidade, porém, sentir se amado liderou as respostas, com 34%, seguido de saúde física e mental, com 31,4%, e relacionamento com a família e os filhos, com 29,4%. Ao todo, 80% dos brasileiros ouvidos afirmaram estar felizes.
Quando ter mais nunca parece suficiente
Para a pesquisadora, uma das questões centrais na relação entre dinheiro e abundância aparece quando a conquista deixa de gerar satisfação e se transforma imediatamente em uma nova cobrança.
A pessoa melhora de renda, alcança uma posição profissional desejada ou acumula patrimônio, mas desloca rapidamente a atenção para o próximo objetivo.
“Buscar crescimento é saudável. O problema aparece quando nenhuma conquista consegue ser reconhecida porque a referência está sempre no próximo resultado. A abundância também passa pela capacidade de perceber o que já foi construído e usufruir disso”, afirma.
A comparação permanente pode ampliar essa sensação. Renda, imóveis, cargos e viagens são elementos visíveis e mensuráveis. Relações pessoais, autonomia sobre o próprio tempo, equilíbrio emocional e satisfação com a rotina são mais subjetivos.
Dinheiro amplia escolhas, mas não define quais escolhas fazer
Os dados da Ipsos mostram essa convivência entre necessidades materiais e subjetivas. A segurança financeira aparece como condição importante para a percepção de sucesso e sua ausência está fortemente associada à infelicidade. Ao mesmo tempo, vínculos pessoais e saúde ocupam posições centrais quando os brasileiros explicam por que se consideram felizes.
Para Elainne, esse é o ponto que diferencia riqueza financeira de abundância. “Dinheiro amplia possibilidades. Ele pode comprar conforto, permitir experiências, proteger diante de imprevistos e dar mais autonomia. Mas não decide sozinho se aquela vida é satisfatória. Abundância é conseguir construir recursos sem transformar a vida inteira em uma perseguição permanente ao próximo número”, diz.
Prosperidade também é conseguir usufruir
Para a psicanalista, ampliar o significado de prosperidade não significa diminuir a importância de ganhar dinheiro ou construir patrimônio. Significa também considerar tempo, liberdade de escolha, relações, saúde emocional e capacidade de desfrutar das próprias conquistas. “Uma vida abundante não exige escolher entre dinheiro e felicidade. A questão é fazer o dinheiro ocupar o lugar que ele pode ocupar, como recurso para ampliar possibilidades, e não como única identidade de sucesso. Prosperidade financeira é importante. Conseguir viver aquilo que foi conquistado também”, conclui Elainne.
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Encontro sobre imagem, liderança e poder feminino
Especialista em imagem e posicionamento, Luciana Rabelo participa de evento para discutir os desafios e as escolhas por trás da construção de uma imagem de liderança e influência
Mulheres que ocupam diferentes espaços, constroem trajetórias singulares e têm em comum a coragem de fazer escolhas e transformar caminhos. É a partir dessa perspectiva que acontece, no dia 23 de setembro, às 17h, na Casa Da Vinci, na Barra da Tijuca, o “Conversa Entre Elas”, encontro que propõe um diálogo sobre imagem, carreira, liderança e posicionamento feminino.
Entre os destaques da programação está Luciana Rabelo, consultora de imagem e especialista em posicionamento, que levará para a conversa sua experiência e olhar estratégico sobre a importância da imagem na construção de uma trajetória profissional e na forma como mulheres se apresentam, ocupam espaços e fortalecem sua presença.
Ao lado de Luciana, participam do encontro Fernanda Machado, CEO da Haon Produções, e Heloísa Aguiar, primeira Secretária da Mulher do Estado do Rio de Janeiro. Com experiências distintas, as três convidadas irão compartilhar histórias, perspectivas e aprendizados sobre os desafios enfrentados pelas mulheres e os diferentes caminhos que podem levar à liderança e à influência.
Mais do que falar sobre aparência, a conversa pretende ampliar o debate sobre imagem como ferramenta de comunicação, identidade e posicionamento. Afinal, a maneira como uma mulher se apresenta ao mundo também pode refletir suas escolhas, seus valores, sua carreira e o espaço que deseja ocupar.
Para Luciana Rabelo, discutir imagem dentro de um contexto de carreira e liderança é também falar sobre autenticidade, intenção e protagonismo, temas cada vez mais relevantes para mulheres que desejam construir uma presença profissional coerente e potente.
O “Conversa Entre Elas” nasce, assim, como um espaço de troca e inspiração, reunindo diferentes vozes para uma conversa necessária sobre como mulheres constroem suas histórias, enfrentam desafios e assumem o protagonismo de suas próprias trajetórias.
Serviço:
Conversa Entre Elas
Data: 23 de setembro
Hora: 17h
Endereço: Casa Da Vinci – Av. Min. Ivan Lins, 314 – Sobreloja | Barra da Tijuca – Rio de Janeiro
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Jehane Saade: a alquimia entre herança, arte e o novo luxo
Há líderes que administram negócios e há visionárias que resgatam a alma de um legado
A atual presidente e diretora criativa do Grupo Dijon Brasil pertence indiscutivelmente à segunda categoria. Cantora, compositora, artista transmídia e empresária, Jehane Saade não apenas assumiu o comando da icônica grife fundada por sua família em 1964; ela orquestra um verdadeiro renascimento cultural e ético no cenário nacional.
A executiva carrega em seu DNA o pioneirismo dos tios, Humberto e Miguel Saade, além da força matriarcal de sua avó, Salime. No entanto, sua trajetória prova que seu trabalho vai muito além de se apoiar no passado. Essa gestão brilhante representa uma vanguarda que costura ancestralidade e inovação, demonstrando que moda e expressão criativa são territórios de poder e manifestações soberanas de identidade.
Jehane é a personificação da mulher contemporânea à frente de grandes marcas: forte, misteriosa, arrojada e profundamente conectada às próprias raízes. Ao fundir talento artístico aos negócios e integrar tecnologias disruptivas, como a pioneira tokenização de experiências no segmento de alto padrão digital, à tradição familiar, a diretora não está apenas reescrevendo o mito da Dijon.
Ela redefine o próprio significado de elegância.
Para a artista e empresária, o amanhã é construído com os olhos no horizonte, sem jamais soltar a mão de suas origens. Sua jornada nos inspira a acreditar que os maiores impérios não são os que apenas geram lucro, mas aqueles que, com autenticidade e coração, contam narrativas que merecem ser eternizadas.

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Marília Furlan: beleza, experiência e a força de quem nunca desiste
Empreender faz parte da história de Marília Furlan desde muito cedo Filha de pais empreendedores, ela cresceu acompanhando a dedicação da mãe, que construiu uma trajetória de sucesso no segmento da beleza em Niterói.
Inspirada por esse exemplo, começou a trabalhar aos 13 anos, fazendo unhas no salão da família para conquistar sua independência financeira e aprender, na prática, a enfrentar os desafios do empreendedorismo.
Ao longo da vida, descobriu que a área da beleza era muito mais do que uma profissão. Era uma forma de se conectar com pessoas, fortalecer a autoestima e transformar a maneira como cada cliente se enxerga.
Sua caminhada, porém, não foi construída apenas por conquistas. Marília enfrentou dificuldades, precisou recomeçar diversas vezes e viu dois empreendimentos não alcançarem os resultados esperados. Ainda assim, nunca desistiu.
“Um dos maiores desafios de empreender é conviver com a incerteza constante.”
Em um mercado diretamente impactado pela economia, manter a fidelização das clientes exige criatividade, excelência e reinvenção diária. Foi justamente essa realidade que a ensinou a valorizar o relacionamento com cada pessoa que passa pelo seu estúdio.
O que a inspira a continuar é o amor pelo que faz e a oportunidade de criar experiências únicas. Mais do que realizar procedimentos estéticos, Marília acredita que seu trabalho contribui para que mulheres se sintam mais confiantes, seguras e valorizadas. Cada atendimento é pensado de forma personalizada, criando conexões que vão muito além da beleza.
Entre todas as conquistas, a maior delas é sua filha. Mãe solo, criou a jovem com dedicação, honestidade e muito trabalho, oferecendo oportunidades e valores que considera seu maior patrimônio. Ver a filha crescer, construir sua própria trajetória e conquistar novos horizontes representa a realização de um dos seus maiores sonhos.
Hoje, à frente do Luxury Concept, no Recreio dos Bandeirantes, Marília se define como uma gestora de experiência e performance em beleza. Seu foco está em oferecer excelência no atendimento, desenvolver equipes e criar processos que garantam qualidade e fidelização. Sua história é a prova de que recomeçar faz parte da jornada e que a persistência é capaz de transformar desafios em conquistas.
Para acompanhar o trabalho de Marília Furlan, siga o perfil no Instagram: @luxuryconcept_oficial, ou entre em contato pelo número: (21) 98288-7011. Endereço: Avenida das Américas, 19.005 – Recreio dos Bandeirantes.
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