Maternidade

Bebês e festas de fim de ano: como garantir segurança, conforto e rotina sem estresse

Especialista em sono infantil Bruna Ramos alerta: como proteger os bebês dos fogos ao excesso de estímulos, durante as celebrações

 

Com a chegada das festas de fim de ano, muitas famílias se preparam para confraternizações, viagens e celebrações. Mas, para quem tem um bebê em casa, o período também traz dúvidas e receios: é seguro ir às festas? Como evitar excesso de estímulos? E, principalmente, como proteger os pequenos dos fogos de artifício, ainda comuns no Réveillon?

 

A especialista em sono infantil Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, explica que essa é uma das épocas em que os pais mais relatam insegurança, justamente por conta da mudança de rotina e do barulho intenso. “Os fogos ainda fazem parte da nossa cultura, mesmo com campanhas de conscientização e restrições em algumas cidades. Como eles provavelmente vão acontecer, o ideal é saber como proteger o bebê”, orienta.

 

Fogos de artifício: riscos e como proteger os pequenos

 

O barulho dos fogos pode assustar, causar irritação e até prejudicar a audição dos bebês. Por isso, Bruna destaca medidas simples, mas eficazes: ficar longe dos fogos!

 

Distanciamento é a primeira proteção. “Quanto mais longe o bebê estiver, menor o impacto do barulho — e isso vale também para a audição dos adultos”, afirma.

 

Manter janelas e portas fechadas ajuda a abafar o ruído e evita sustos

 

Conter o bebê no colo ou sling é uma ótima opção, pois o contato físico aumenta a sensação de segurança. “Bebês assustam menos quando estão no colo ou aconchegados.”

 

Vale lembrar que para abafar o som é recomendado usar uma fralda dobrada sobre a orelha exposta ou apoiar a cabeça no peito do cuidador. Algodão é proibido, pois pode afundar e lesionar ou ficar preso no ouvido.

 

Outra dica valiosa é utilizar o ruído branco, uma mistura de sons em todas as frequências audíveis com a mesma intensidade, criando um som constante e “chiado” que pode mascarar outros barulhos. Para bebês dormindo, esse ruído branco no ambiente costuma reduzir sustos.

 

Além disso, os pais devem manter a calma. “O bebê regula suas emoções pelo cuidador. Se você se mantém tranquila, ele tende a ficar tranquilo também”, pontua Bruna.

 

Festas de fim de ano: ir ou não ir com o bebê?

 

A dúvida é comum e não existe resposta universal. Segundo a especialista, a decisão deve considerar três fatores principais: rotina, risco de doenças e ambiente social (incluindo palpites).
Bruna reforça que a rotina é importante, mas não deve aprisionar.

 

“Sair da rotina um dia não vai destruir tudo que você conquistou. Na maioria dos casos, no dia seguinte já volta tudo ao normal”, explica.

 

Avaliar o ambiente e as pessoas envolvidas é essencial. Locais abertos, arejados e com menos aglomeração são preferíveis. Também é importante garantir que ninguém esteja doente.
E o bebê pode dormir mais tarde? Pode, desde que a família esteja confortável.

 

Segundo Bruna, dormir um pouco mais tarde em ocasiões especiais não causa prejuízo ao sono do bebê. O importante é retomar a rotina no dia seguinte sem culpa ou estresse.

 

Vale lembrar que palpites e julgamentos vão aparecer e podem deixar a mãe insegura. “O casal precisa alinhar antes como vai reagir e deixar claro que as decisões cabem aos pais”, afirma.

 

“Meu maior conselho para este período é: relaxar e curtir da forma que fizer sentido para a sua família. Festas e férias são momentos de criar memórias, não de cobrança. Depois, tudo volta à rotina normalmente”, reforça.

 

Bruna Ramos desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores

 

Sobre Bruna Ramos:

 

Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.

 

Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças.

 

Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.

Maternidade

Quando a fralda da noite deve sair? Especialista alerta: até os 5 anos, o xixi durante o sono é normal

Terapeuta ocupacional Silvia Ueno Leonetti, conhecida como Fada do Cocô, explica por que o desfralde noturno não pode ser apressado e quais cuidados a família deve ter para evitar traumas e condutas equivocadas

 

Quando a fralda da noite deve sair? Especialista alerta: até os 5 anos, o xixi durante o sono é normal As férias, os colegas da escola, a cobrança familiar… são muitos os gatilhos que levam pais a tentarem acelerar o processo do desfralde. Mas, quando o assunto é a fralda noturna, não há jeitinho nem “atalho” que funcione. Segundo a Sociedade Internacional de Continência da Criança (ICCS), até os 5 anos é absolutamente normal que a criança urine durante o sono — mesmo que já esteja desfraldada durante o dia.

 

“O desfralde noturno não depende de treino, e sim de maturidade neurológica e fisiológica. Antes disso, a fralda é inegociável”, afirma a terapeuta ocupacional Silvia Ueno Leonetti, especialista em saúde funcional e referência no tema do desfralde respeitoso.

 

Na tentativa de evitar colchões molhados, muitas famílias adotam estratégias equivocadas, como acordar a criança durante a noite, restringir líquidos antes de dormir ou forçar idas ao banheiro sem necessidade.

 

Silvia alerta que essas práticas não ajudam — e podem até prejudicar. “Quem deve acordar a criança para ir ao banheiro é a própria bexiga. Diminuir líquidos ou forçar um xixi vazio não ensina nada ao organismo. Pelo contrário, só gera estresse e desgaste para a família”, explica.
O que fazer, então?

 

Enquanto o desfralde noturno não acontece naturalmente, Silvia recomenda cuidados práticos:

 

• Garantir boa ingestão de água durante o dia;

 

• Observar se a criança não está segurando o xixi por longos períodos;

 

• Tratar a constipação, já que o acúmulo de fezes pode pressionar a bexiga;

 

• Adaptar o ambiente, com fraldas noturnas maiores, protetores de colchão ou tapetinhos absorventes, caso a fralda não dê conta. Vale lembrar que a fralda não deve ser retirada da criança.

 

“O importante é respeitar o tempo da criança. Tirar a fralda antes da hora é pedir para conviver com escapes, roupas molhadas e frustrações desnecessárias”, destaca Silvia.

 

E se passar dos 5 anos? Se a criança continua urinando na cama após os 5 anos, a situação passa a ser considerada enurese noturna, e deve ser avaliada por um especialista. “A enurese noturna é uma condição comum, e o tratamento é simples, não invasivo e eficaz — o uso do alarme de enurese, com acompanhamento adequado, costuma trazer ótimos resultados”, explica.

 

Esse alarme é um dispositivo colocado na fralda da criança que emite um som ou vibra quando o xixi começa a escapar. Com isso, a criança acorda e, após algumas semanas de uso, passa a acordar antes do xixi começar a vazar ou consegue segurar a noite toda. Para ajudar famílias nesse processo, Silvia desenvolveu o e-book “Minha Amiga Fralda”, disponível em duas versões – com personagem menino e com personagem menina.

 

A obra apresenta, de maneira lúdica e acessível, a importância da fralda como parte natural do desfralde, tanto diurno quanto noturno, ajudando a criança a compreender o seu tempo e a reduzir a ansiedade da família diante dessa fase tão delicada.

 

“A fralda não é inimiga do desfralde. Pelo contrário, ela é uma aliada até que a criança esteja pronta para seguir sozinha.”, conclui.

 

 

“A fralda não é inimiga do desfralde. Pelo contrário, ela é uma aliada até que a criança esteja pronta para seguir sozinha”, diz Silvia Ueno.

 

Serviço:
https://www.instagram.com/afadadococo

Maternidade

Volta ao trabalho e amamentação: como manter o aleitamento mesmo após o fim da licença-maternidade

Especialista em aleitamento materno, Bruna Ramos, explica como planejar o retorno ao trabalho sem interromper a amamentação e sem sobrecarregar mãe e bebê

 

O retorno ao trabalho após a licença-maternidade costuma ser um dos momentos mais desafiadores da jornada materna — especialmente quando o assunto é como conciliar rotina profissional e amamentação. A especialista em aleitamento materno Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, explica que, com organização e informação, é possível manter o aleitamento mesmo depois da volta ao trabalho.

 

“Que a licença é curta para o período recomendado de amamentação exclusiva, já sabemos. Mas mesmo assim é possível manter essa amamentação se a mãe se programar e montar um estoque de leite materno”, orienta Bruna.

 

De acordo com a especialista, o planejamento deve começar pelo menos um mês antes do retorno. Isso envolve organizar a rotina de ordenhas, escolher quem ficará com o bebê, definir o dispositivo de oferta do leite e ajustar a logística diária.

 

“Aumentar a produção e montar o estoque pode levar tempo, então o ideal é se preparar com antecedência”, recomenda.
Bruna destaca ainda o que não deve ser feito nesse período.

 

A introdução alimentar precoce, por exemplo, não deve acontecer antes dos 6 meses, mesmo com a volta ao trabalho. “A introdução alimentar não é para encher a barriga, e sim para o bebê conhecer os alimentos. Antecipar esse processo pode gerar riscos de engasgo, alergias e obesidade no futuro.”

 

Outro erro comum é acreditar que é preciso desmamar para voltar à rotina profissional. “Não tem que desmamar para voltar ao trabalho. Mudanças vão acontecer, como retirar a livre demanda e organizar os horários, mas é possível continuar amamentando enquanto estiver com o bebê”, explica.

 

Bruna também reforça que a fórmula não é uma obrigatoriedade. “A mãe pode optar por aumentar sua produção de leite e deixar o leite materno ordenhado para ser dado ao bebê na sua ausência. É totalmente possível, desde que haja planejamento.”

 

Sobre o uso de mamadeiras, a especialista alerta que, embora muito comuns, não são a melhor opção. “A mamadeira pode trazer riscos à saúde bucal e respiratória do bebê, além de favorecer o desmame precoce. Copos abertos, copos 360, de bico rígido ou colher dosadora são alternativas mais seguras.”

 

Bruna também chama atenção para os direitos garantidos por lei às lactantes.
“Até os 6 meses do bebê a mãe tem direito a 2 intervalos de 30 minutos para amamentação que podem ser usados nas ordenhas. A conversa com o empregador é o melhor caminho para conseguir ordenhar e manter o aleitamento exclusivo”, explica.

 

Ela lembra que o aleitamento é uma questão de direito, tanto da mãe quanto do bebê.
“O Aleitamento é um direito do bebê pelo ECA e não tem limite de idade. Então Creche e escolas devem sim aceitar leite materno e não, não é mais complicado lidar com leite materno do que com fórmula”, reforça.

 

Com uma abordagem acessível e embasada na ciência, Bruna Ramos ajuda mães a passarem por esse momento de transição com mais confiança, reforçando que a volta ao trabalho não precisa significar o fim da amamentação — e sim uma nova fase de adaptação e vínculo.

 

“Que a licença é curta para o período recomendado de amamentação exclusiva, já sabemos. Mas mesmo assim é possível manter essa amamentação se a mãe se programar e montar um estoque de leite materno”, orienta Bruna Ramos

 

Serviço: https://www.instagram.com/obebe_chegou

Carreira & negócios Maternidade

Quando a culpa impulsiona: por que mães estão reescrevendo suas carreiras

Para muitas mulheres, a maternidade traz transformações profundas na forma de enxergar a vida – e a carreira. Entre os diversos fatores que motivam mudanças profissionais após a chegada dos filhos, a culpa materna se destaca, conforme explica a psicóloga de carreira, Fabiana Abath.


“Em termos profissionais, muitas mães se sentem pressionadas a atender às demandas familiares, pois a culpa materna é um sentimento complexo e exacerbado por expectativas sociais que idealizam a maternidade como uma dedicação integral,” comenta Fabiana.


Esse sentimento de culpa influencia silenciosamente as decisões de carreira. “A culpa por não estarem presentes durante os primeiros anos de vida dos filhos leva muitas mães a reavaliarem suas profissões. A pressão para estarem presentes em momentos importantes do desenvolvimento dos filhos cria um conflito com as aspirações profissionais e isso acaba direcionando muitas mulheres para carreiras mais flexíveis ou que oferecem maior controle sobre os horários,” observa Fabiana.


Quando a transição de carreira é a melhor opção


Para muitas mães, o desejo de mudar de carreira se torna mais evidente quando sinais de desconforto e sobrecarga começam a aparecer. Fabiana aponta que o aumento do desejo por flexibilidade, a percepção de que valores e objetivos mudaram após a maternidade e a sensação de que o trabalho atual interfere na qualidade de vida são sinais claros de que a transição de carreira pode ser uma solução viável.

“Se esses sentimentos se tornam persistentes, é o momento de refletir sobre uma mudança que permita uma integração mais equilibrada entre vida pessoal e profissional,” orienta a psicóloga.


Para essas mães, uma nova carreira pode representar uma forma de harmonizar aspirações pessoais e familiares. Como afirma Fabiana Abath, não há um único caminho, mas sim possibilidades adaptáveis que permitem à mãe se reinventar e criar um novo ciclo de realizações – pessoal e profissionalmente. Ela destaca a importância de reconhecer que as decisões de carreira podem – e devem – ser adaptáveis a cada fase da vida familiar e profissional.


“A autoconsciência é essencial para que a mãe identifique o que realmente importa para ela. Isso pode ajudar a libertá-la da pressão de corresponder a expectativas externas sobre o que é ser ‘suficientemente presente’. Criar uma rede de apoio e abrir o diálogo sobre as necessidades pessoais e familiares também ajudam a encontrar novas possibilidades de carreira que respeitem as novas prioridades,” acrescenta Fabiana.Descubra quais competências serão mais valorizadas nos próximos anos e como se preparar para o mercado em transformação. Estratégias práticas para equilibrar rotina, saúde mental e resultados mesmo trabalhando de casa.

Serviço:
Fabiana Abath – Psicóloga e orientadora de carreira
Site: www.fabianaabath.com.br
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/fabianaabath/
Instagram: https://www.instagram.com/fabianaabathpsi/