Comportamento

Silêncio corporal de crianças: a infância que desaprendeu a se mover

Entendemos o silêncio corporal de crianças como sinônimo de ordem, mas o cérebro infantil não foi desenhado para aprender em imobilidade prolongada. Ao contrário, ele se estrutura na ação

 

Adele Diamond demonstrou que funções executivas, o grande “gerente organizacional do nosso cérebro”, encarregado por gerenciar informações diferentes, entender o momento de parar e recalcular a rota, emergem de circuitos que não operam isoladamente no córtex pré-frontal. A interação entre cerebelo e córtex pré-frontal indica que movimento e cognição compartilham bases neurais. Não há um cérebro “pensante” separado de um corpo “executante”. Há um sistema integrado que aprende fazendo.

 

Essa integração aparece de forma consistente na literatura empírica. Marleen Oudgenoeg-Paz e colaboradores identificam que habilidades motoras nos primeiros anos de vida se associam a desfechos cognitivos posteriores. Em português claro, isso significa que ao explorar o ambiente com o corpo, a criança constrói hipóteses, testa limites e organiza informações.

 

Na mesma linha, Gesa Libertus evidencia que o desenvolvimento motor está relacionado não apenas à cognição, mas também à percepção e à interação social. Já Hui Shi destaca que atividades motoras que exigem adaptação, estratégia e tomada de decisão tendem a favorecer a eficiência cognitiva. Movimento não é bagunça, excesso de energia ou “hiperatividade”, é investimento neural.

 

Diante desse corpo teórico, a infância contemporânea apresenta um paradoxo instigante. Segundo a TIC Kids Online Brasil, crianças e adolescentes passam várias horas diárias em ambientes digitais. E o ponto central vai além do tempo de tela, mas na natureza da experiência. A maior parte dessas interações exige pouco deslocamento, pouca coordenação, pouca variação sensório-motora. O corpo participa pouco. O cérebro recebe muito. Essa assimetria pode ser devastadora.

 

Sem experiências corporais diversificadas, reduz-se a ativação de circuitos que sustentam o desenvolvimento das funções executivas. E, como consequência, surgem dificuldades que costumam ser interpretadas de forma isolada: desatenção, impulsividade, baixa tolerância à frustração. Sintomas que, muitas vezes, são tratados como falhas individuais, quando podem refletir uma arquitetura cotidiana que restringe o agir.

 

Convém reconhecer: não é a tecnologia, por si só, o problema. A literatura é cautelosa ao evitar relações causais simplistas. O ponto mais consistente é outro, o desenvolvimento depende da qualidade das experiências oferecidas à criança. E experiências corporais são insubstituíveis.

 

Quando o cotidiano infantil é organizado majoritariamente por telas, perde-se a oportunidade de integrar percepção, ação e pensamento em um mesmo fluxo. Perde-se a chance de aprender com o erro físico, com o ajuste do corpo, com a negociação espacial e social que nenhuma interface digital consegue reproduzir plenamente.

 

Em um cotidiano cada vez mais mediado por experiências digitais, e, não raro, com restritas oportunidades de ação corporal, é importante reposicionar o movimento como elemento estruturante da aprendizagem. Programas educativos que articulam movimento, autorregulação e habilidades socioemocionais, como práticas de psicomotricidade, dança, artes marciais e jogos em equipe, não configuram apenas atividades complementares, mas contextos de integração funcional entre corpo e cérebro.

 

Ao exigirem coordenação, tomada de decisão, controle inibitório e interação social, essas experiências favorecem o refinamento de circuitos associados às funções executivas, contribuindo para a organização cognitiva de modo coerente com o que a literatura neurodesenvolvimental tem descrito. Elas são oportunidade de integração e desenvolvimento cerebral para avanço cognitivo. Aqui fica a reflexão: se o cérebro aprende com o corpo, o que estamos oferecendo quando mantemos a infância sentada?

 

*Sheron Mendes é bióloga, especialista em neurociência do comportamento e professora dos cursos de pós-graduação em educação na UNINTER.

 

Saúde & Bem-estar

Cuidare Barra RJ: cuidado humanizado com excelência e segurança

A Cuidare Barra RJ é uma empresa especializada no cuidado de pessoas que carrega mais de 8 anos de experiência oferecendo soluções assistenciais com qualidade, segurança e atenção humanizada

 

Seu principal compromisso é promover bem-estar e qualidade de vida aos assistidos, além de proporcionar tranquilidade às famílias por meio de um atendimento ético e profissional. A empresa atua com cuidadores qualificados para diferentes perfis, incluindo idosos, crianças, adultos, pessoas com deficiência e pacientes em pós operatório.

 

Compreendendo que cada indivíduo possui necessidades específicas, a Cuidare desenvolve planos de cuidado personalizados, respeitando as particularidades de cada situação e garantindo um atendimento individualizado.

 

Seus serviços podem ser realizados em diversos ambientes, como residências, hospitais, instituições de longa permanência e casas de repouso. A atuação dos cuidadores vai além das necessidades básicas, incluindo apoio na higiene, alimentação, mobilidade, prevenção de quedas, estímulo cognitivo e emocional, além de acompanhamento contínuo.

 

Um dos grandes diferenciais da Cuidare está na supervisão ativa da equipe, com monitoramento constante, alinhamento com as famílias e ajustes rápidos sempre que necessário. Os profissionais passam por um rigoroso processo de seleção, possuem formação técnica, principalmente na área de enfermagem, e participam de treinamentos contínuos para garantir excelência no atendimento.

 

A empresa também oferece suporte emergencial, acompanhamento hospitalar, plantões pontuais e comunicação constante com a família, por meio de atualizações frequentes e canais diretos de contato. Sua estrutura operacional permite rápida implementação de equipes, cobertura de faltas e gestão completa dos serviços prestados.

 

A diretoria é composta por Moema Baptista, fundadora, diretora técnica e de recursos humanos, e Jô Braga, responsável pela área financeira e administrativa. Juntas, as duas conduzem a empresa com foco em ética, responsabilidade e compromisso.

 

“Mais do que oferecer um serviço, a Cuidare Barra RJ acredita que cuidar é promover dignidade, acolhimento e respeito em cada etapa da vida.”

 

Para acompanhar as novidades da Cuidare Barra RJ, siga o perfil no Instagram: @cuidarebarrarj ou entre em contato pelo WhatsApp: (21) 98363-1717 e (21) 96508-8069.

Maternidade

Volta às aulas: como lidar com a adaptação escolar dos pequenos?

Com o início do ano letivo, uma dúvida que surge para muitos pais é qual a melhor forma de vivenciar a adaptação escolar

O cheiro de material  novo e a ansiedade para conhecer a turma marcam o início de um dos períodos mais importantes para os alunos: a volta às aulas. Para as crianças que estão ingressando na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental Anos Iniciais, esse momento é um processo complexo de adaptação escolar.

 

A diretora-pedagógica da Educação Infantil da Rede Alfa CEM Bilíngue, Profª Mariane Araújo, ressalta que a forma como a criança atravessa essas primeiras semanas pode ditar sua relação com o conhecimento pelos próximos anos. “A escola é o primeiro microssistema social fora da família. Se a transição é traumática, o cérebro entende que aquele ambiente é hostil”, comenta.

 

Nos primeiros anos de vida, o sentimento de segurança é a base para qualquer descoberta. A educadora explica que quando uma criança entra em um ambiente desconhecido, seu sistema límbico — responsável pelas emoções — entra em estado de alerta. Uma adaptação gradual ajuda a reduzir os níveis de cortisol (hormônio do estresse), permitindo que o foco mude do “medo do abandono” para a “curiosidade de aprender”.

 

“A fase de adaptação escolar é um marco importante, tanto para a criança quanto para  a família. A maneira como os responsáveis lidam com os momentos de separação e reencontro pode influenciar significativamente a segurança emocional do pequeno e a duração do processo de adaptação”, explica Mariane.

 

A educadora dá algumas dicas de como tornar esse momento mais leve para o aluno:

 

Despedida de “um minuto”: muitos pais, na tentativa de acalmar a criança, acabam prolongando o momento da saída, cedendo a pedidos de “só mais um abraço” ou “fica só mais um pouquinho”. Prolongar a despedida tende a aumentar a angústia da criança e a insegurança dos pais.

 

“O ideal é que a despedida seja firme, carinhosa e, acima de tudo, breve. Um abraço apertado, uma frase de carinho e um tchau decidido. Ao sair, transmita confiança de que a criança está segura e será bem cuidada. A firmeza dos responsáveis é o que, paradoxalmente, traz segurança à criança”, ressalta a diretora-pedagógica.

 

Promessa do retorno: crianças pequenas, especialmente aquelas abaixo dos quatro anos, ainda não têm a noção de tempo abstrato (horas, minutos) completamente desenvolvida. Dizer “volto às cinco da tarde” não faz sentido para elas.

 

Para que a promessa do retorno e gere menos ansiedade, ela deve estar atrelada a eventos concretos e rotineiros do ambiente escolar. Dizer “volto depois do seu lanche” ou “a mamãe chega depois da sua soneca” é muito mais claro e reconfortante do que usar horários. A criança consegue visualizar o evento e antecipar o reencontro.

 

Como observar a adaptação?

Existem alguns fatores que os responsáveis podem esperar durante o processo de adaptação da criança ao ambiente escolar e estes podem ser divididos em três fases principais.

 

“Nos primeiros dias, o comportamento mais comum é a manifestação de intensa curiosidade ou choro na hora da entrada. O papel dos responsáveis nesse momento é manter a calma e, principalmente, confiar na equipe escolar”, afirma Mariane.

 

Em seguida, a segunda fase é marcada pela percepção da criança de que a ida à escola será diária, o que pode levá-la a relutar em ir. Logo, a atitude dos Responsáveis deve ser de reforçar os pontos positivos da escola e manter a rotina estabelecida. Por fim, a fase de Estabilização é caracterizada pela criação de vínculos significativos com professores e colegas.

 

“A adaptação não tem um prazo de validade fixo. Enquanto algumas crianças se sentem em casa em algumas horas, outras precisam de mais momentos de observação e paciência. O sucesso desse rito de passagem não é medido pela ausência de choro, mas pela construção de uma ponte de confiança entre a casa e a sala de aula”, finaliza a diretora-pedagógica.

 

Sobre a Rede Alfa CEM Bilíngue

 

A Rede Alfa CEM Bilíngue foi idealizada através do sonho de uma professora de História e tem uma Filosofia Educacional que impulsiona a percepção do aluno, fazendo-o refletir, questionar e principalmente transformar. Hoje, a Rede mantém uma sólida premissa de que o conhecimento humano é o maior tesouro a ser legado para as próximas gerações e que, ao mesmo tempo, a autonomia intelectual oferecerá ao estudante a capacidade de manusear o conhecimento, adquirido e/ou produzido, de maneira única e autêntica.

 

A Rede Alfa CEM Bilíngue  aposta na diversificação metodológica para gerar o prazer da aprendizagem, seguida pelo desenvolvimento de múltiplas formas de aprender durante toda a vida, o que permite obter resultados em primeiro lugar nos últimos anos do ENEM em toda a Rede e manter a taxa de 100% de aprovação das Provas de Proficiência de Cambridge. Saiba mais em: alfacembilingue.com.br.

Maternidade

Férias: cantinho de leitura é atividade divertida e educativa

Veja como montar um cantinho de leitura acolhedor e aproveite as férias para incentivar o interesse pelos livros desde cedo.

 

A leitura é um hábito saudável para a vida toda e quanto mais cedo for incentivado, melhor! Uma ótima forma de fazer isso é dedicar um espaço especial para os livros e para a hora das histórias. Por isso, separamos algumas dicas de como montar um cantinho da leitura em casa, uma atividade simples e educativa para fazer com as crianças durante as férias. Confira e saiba como deixar o cantinho da leitura do seu filho mais atrativo e acolhedor, além de aproveitarem esse momento juntos de forma leve e longe das telas!

 

1. Conforto é tudo!

 

Ao montar um cantinho da leitura, a palavra de ordem é conforto! Se não for possível criar um ambiente no próprio quartinho, escolha um local que seja sereno e bem iluminado e o torne o mais acolhedor possível para incentivar o amor pelos livros. E tem algo mais confortável do que pufes fofinhos, almofadões ou futons para se jogar na leitura?

 

Versátil e prático, o colchonete infantil tamanho master da Biramar Baby é uma ótima opção para quem tem um bom espaço disponível. Ele é perfeito, inclusive, para os momentos de leitura compartilhada. Sim, utilizar o cantinho da leitura com o seu filho será um grande incentivo para que ele tenha prazer com esse hábito, além de fazer com que esse tempo seja importante para fortalecimento do vínculo entre vocês.

 

2. Aposte no lúdico

 

Para espaços menores, abuse das almofadas e não se esqueça do tapete para decorar, proteger a criança do piso e ainda a delimitar o cantinho da leitura. As opções lúdicas podem ajudar a deixar o ambiente ainda mais divertido e atrativo para os pequenos.

 

“Outro item queridinho dos cantinhos de leitura são as cabaninhas de piso ou tipo dossel, aquelas presas no teto. Além do toque charmoso na decoração, elas mexem bastante com o imaginário das crianças”, afirma Thayane Ramalho, diretora de criação da Biramar Baby, tradicional fábrica de enxovais e artigos para bebês e crianças.

 

3. Decore com brinquedos e pelúcias

 

Para deixar o cantinho da leitura com a carinha do bebê ou criança, uma dica é decorar com alguns brinquedos e bichinhos de pelúcia que já fazem parte do dia a dia da família. Atenção apenas para não exagerar e tirar a atenção do objetivo principal que é ler!

 

Para além das prateleiras, cestos ajudam a organizar tantos os brinquedos quanto os livros e a manter tudo ao alcance das crianças. Outra vantagem é que eles não ficam restritos apenas ao ambiente destinado à leitura. Sim, a ideia é que a criança possa carregar os seus títulos favoritos para os mais diferentes locais onde deseje ler.

 

Outra alternativa ideal para tornar o cantinho da leitura confortável, lúdico e funcional são os pufes infantis confeccionados em pelúcia. Os motivos de animais são os mais comuns. “É uma peça versátil, que também pode servir para os momentos de descanso e brincadeiras ou até mesmo como mesinha de apoio para os livros. Também é fácil para transportar e transformar qualquer espaço da casa em um cantinho da leitura!”, afirma Ramalho.

 

Outras dicas que vão ajudar a criar uma história de amor entre as crianças e os livros:

 

– Incentive a autonomia e deixe os livros sempre ao alcance das mãos dos pequenos. Em prateleiras, mantenha as capas viradas para frente.

 

– Levar os livros à boca, rasgar e morder são comuns no caso dos bebês! Tudo isso faz parte do início da experiência de ler, relaxe!

 

– Capriche nas escolhas dos títulos infantis. Há, inclusive, opções de clubes de livros que oferecem essa curadoria, disponibilizando leituras de acordo com a idade do bebê.

 

Sobre a Biramar Baby

 

A Biramar Baby & Kids é uma tradicional fábrica de enxovais e artigos para bebês e crianças, com sede em Ibitinga, no interior de São Paulo. Há 40 anos no mercado, a empresa se destaca pela confecção de kits completos para berços, roupas de cama para solteiros, além de roupas e acessórios infantis.

 

A Biramar Baby é pioneira no segmento, oferecendo uma linha completa de roupinhas e complementos que coordenam perfeitamente com os enxovais, unindo qualidade, conforto e estilo em cada peça.

Cultura

Lorenzetti disponibiliza livro digital de colorir gratuito para crianças

Ilustrado com cenas do dia a dia, o material propõe uma atividade criativa e divertida para toda a família

 

Com a chegada das férias, os pais buscam opções criativas e acessíveis para entreter as crianças e, de quebra, criar memórias afetivas. Pensando nisso, a Lorenzetti, marca presente em milhares de lares brasileiros, oferece o LorenGoods, um livro digital de colorir para download gratuito, com páginas cheias de leveza, bichinhos simpáticos e cenas que fazem parte da rotina da família.

 

A proposta é simples e afetuosa, oferecendo uma atividade fora das telas, que estimule a imaginação e promova a interação entre crianças e adultos, pois é indicado para todas as idades. Inspirado no fenômeno dos livros de colorir criados pela ilustradora norte-americana Abbie Goveia, o LorenGoods traz desenhos exclusivos que misturam cotidiano, pequenos detalhes da casa e produtos da Lorenzetti, como chuveiros, aquecedores de água a gás, metais e louças, de maneira lúdica e divertida.

 

Com traços delicados, o material convida a desacelerar. As ilustrações retratam situações do dia a dia e reforçam hábitos educativos, como lavar as mãos, beber água, tomar banho e ajudar nas tarefas domésticas, entre outros. O livro pode ser usado durante viagens, em momentos de descanso em família ou como uma pausa relaxante entre uma atividade e outra. Além disso, é uma alternativa acessível para quem busca opções criativas e off-line para as férias.

 

“O projeto nasceu no varejo, como uma ação para pontos de venda, com edições impressas distribuídas em iniciativas como ‘comprou, ganhou’ e em espaços kids de lojas parceiras. Mas a repercussão foi tão positiva, especialmente entre as famílias, que decidimos ampliar o acesso. Transformamos o LorenGoods em uma versão digital, para download, para que mais pessoas possam aproveitar esse momento de relaxamento, soltando a criatividade”, afirma Paulo Galina, gerente de marketing da Lorenzetti.

 

O LorenGoods está disponível gratuitamente no link: https://www.lorenzetti.com.br/arquivos/lorengoodsa4.pdf

 

Sobre a Lorenzetti

 

Com trajetória marcada por inovação e pioneirismo, a Lorenzetti é uma empresa brasileira com mais de 100 anos de história. É líder no segmento de duchas, chuveiros, torneiras elétricas e aquecedores de água a gás e se destaca nos mercados de louças, assentos, metais e plásticos sanitários, purificadores de água, bombas e pressurizadores.

 

Com cinco fábricas no Brasil, sendo quatro unidades em São Paulo e uma em Minas Gerais, a Lorenzetti tem distribuição nacional e internacional. Com mais de 4 mil funcionários, é reconhecida junto a consumidores, clientes e fornecedores pela solidez financeira e por oferecer produtos de qualidade e com design inovador, tecnologia e consciência ambiental.

 

Para mais informações, acesse:

 

www.lorenzetti.com.br/

 

www.instagram.com/lorenzettioficial/

 

www.youtube.com/user/lorenzettisa

Comportamento

Escuta e diálogo nas férias: caminhos para se conectar com crianças e adolescentes

Segundo especialista, diálogo aberto e planejamento conjunto de atividades podem contribuir para redução de conflitos e acidentes

 

A convivência familiar entre pais e filhos aumenta no período de férias escolares, representando uma oportunidade para o fortalecimento de laços, mas também um desafio para o planejamento de atividades e da boa convivência. O aumento do convívio e a quebra da rotina podem elevar o nível de estresse e o atrito entre pais e filhos, muitas vezes intensificados pela pressão por proporcionar lazer e pela sobrecarga de responsabilidades.

 

É fundamental que, mesmo durante o descanso, seja mantida uma rotina. Ainda que haja um pouco mais de flexibilidade, é importante estabelecer horários de sono e de descanso, refeições balanceadas e atividades diversas sem uso de telas, isso auxilia no bem-estar e no desenvolvimento saudável. Além de beneficiar a saúde geral, acordos pré-estabelecidos – ainda que mais flexíveis – facilitam o retorno às atividades escolares no início do ano letivo.

 

“Durante o período de férias, é fundamental preservar uma rotina que contemple momentos de lazer, mas também horários regulares. A manutenção de horários para dormir e acordar contribui para a preservação do ritmo biológico das crianças, refletindo diretamente em seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Além disso, envolver os filhos em algumas decisões, como a definição da programação das atividades, pode favorecer o sentimento de participação e reduzir situações de frustração”, destaca Leia de Almeida, doutora em educação e Gerente Socioeducacional do Marista Brasil.

 

Leia destaca também que a comunicação e o planejamento participativo são essenciais para mitigar o risco de conflitos. Confira algumas dicas para conseguir um período de descanso seguro e harmonioso.

 

Sobrecarga e a importância da rotina

 

Este período pode gerar o aumento dos conflitos familiares, muitas vezes intensificados pela sobrecarga de responsabilidades e pela pressão por proporcionar lazer. Uma pesquisa de 2023 da IWG, uma rede de coworking, revelou que 62% dos pais consideram estressante conciliar trabalho e cuidados com os filhos nas férias escolares. Consequentemente, mais da metade usa suas folgas anuais para cumprir essas responsabilidades pessoais, enquanto apenas 10% aproveitam integralmente seus dias de férias nesse período. Uma alternativa é recorrer às colônias de férias, contar com o apoio da rede familiar ou, ainda, organizar um rodízio entre os pais da escola para acompanhar as crianças. Eles costumam querer visitar os amigos e se envolver com eles em atividades diferentes. Estimular isso, pode ampliar o vínculo que ajudará no retorno depois.

 

Leia também explica que “muitas vezes, devido ao aumento do convívio familiar com os filhos, algumas preocupações já existentes com certos comportamentos, tais como birras, agressividade, apatia, isolamento, rebeldia ou problemas relacionados ao sono e à alimentação acabam se acentuando, o que pode gerar conflitos. É importante desenvolver ainda mais a sensibilidade para buscar compreender as causas e os motivos disso estar acontecendo. A escuta atenta, o diálogo é sempre a melhor alternativa. Busque se conectar com a criança, com o adolescente, com seu filho ou sua filha. Desligue também das suas telas por algum momento e olhe no olho deles e delas, explique o motivo de suas preocupações ou curiosidades com afeto e empatia”, afirma.

 

Programação leve e variada

 

É importante limitar o tempo de uso de telas pelas crianças e adolescentes durante as férias escolares. O aumento do uso de dispositivos eletrônicos é comum nesse período, mas o excesso pode afetar negativamente o sono, a concentração e a interação social. Uma sugestão é estabelecer horários específicos para o uso da tecnologia, equilibrando-os com brincadeiras e atividades físicas.

 

Além disso, uma programação leve e variada pode estimular o aprendizado e o desenvolvimento dos jovens. Opções como passeios ao ar livre, visitas a museus ou bibliotecas, oficinas artísticas e jogos educativos em família. “São momentos importantes para formação das crianças e dos adolescentes, não só fortalecem os laços afetivos, mas também criam memórias duradouras”, completa a gerente.

 

Envolver todos os integrantes no planejamento

 

Que tal fazer algo diferente da rotina? Atividades como passar o dia em um familiar, viajar, conhecer um lugar novo ou encontrar os amigos podem envolver todos os participantes. É importante que todos compartilhem seus desejos e expectativas, seja para atividades em grupo, novas aventuras ou experiências gastronômicas. Da mesma forma, é crucial estabelecer limites claros e horários de sono e refeições. “Uma comunicação familiar aberta, envolvendo crianças e adolescentes nas decisões sobre viagens ou rotinas pode aumentar a autonomia dos membros e diminuir a chance de frustrações”, comenta Leia.

 

Promover ambientes seguros e protetivos

 

O período de recesso escolar costuma trazer um aumento significativo nos riscos para as crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante as férias há um crescimento de até 25% nos acidentes envolvendo esse público, sendo a maioria dentro de casa. As ocorrências mais comuns incluem quedas, afogamentos, queimaduras e intoxicações.

Para reduzir esses riscos, é essencial que haja uma conversa clara com as crianças sobre os perigos e que a vigilância seja constante por parte de um adulto responsável. Entre as recomendações estão: nunca deixar crianças sozinhas em ambientes aquáticos; manter medicamentos e produtos de limpeza em suas embalagens originais, guardados em locais altos e trancados, fora do alcance infantil; e garantir o uso de equipamentos de proteção individual — como capacete, joelheiras e cotoveleiras — em atividades como skate ou bicicleta.

 

Além da prevenção de acidentes, promover ambientes seguros e protetivos também significa cuidar das relações sociais das crianças. É importante que estejam sempre acompanhadas por pessoas confiáveis, evitando situações de constrangimento ou exposição a riscos emocionais. A atenção dos adultos deve incluir a observação de possíveis mudanças de comportamento, que podem sinalizar desconforto ou experiências negativas. Dessa forma, a proteção vai além do físico, abrangendo também o bem-estar emocional e social, assegurando que as férias sejam vividas com segurança, alegria e tranquilidade.

 

Sobre os Maristas no Brasil

 

Os Maristas no Brasil integram uma rede global presente em mais de 80 países em todos os continentes. Presentes há 128 anos no país, hoje atuam em mais de 94 cidades, em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. São 97 unidades de educação básica, 34 unidades sociais, instituições de ensino superior: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR e Católica de Santa Catarina, o Hospital Cajuru e Marcelino Champagnat, no Paraná, e Hospital São Lucas, em Porto Alegre, além de editoras, como a FTD Educação. Suas 5 frentes principais – Educação Básica, Ensino Superior, Editoras, Saúde e Centros de Defesas – ofertam educação de qualidade e promovem direitos humanos, engajamento solidário e preservação do patrimônio histórico, espiritual e socioambiental brasileiros.

Maternidade

Planejamento antecipado é essencial para uma viagem de férias tranquila e segura em família

Veja a importância de adaptar a rotina das crianças antes das viagens para tornar o deslocamento agradável

 

Com a chegada do fim de ano e o aumento do tempo livre das crianças durante as férias, muitas famílias começam a planejar viagens para aproveitar o período. A psicopedagoga Paula Furtado destaca que alguns cuidados essenciais podem garantir uma experiência tranquila, segura e inesquecível para todos. De acordo com a profissional, a palavra-chave para evitar estresse e imprevistos é a antecipação.

 

“Viajar com crianças exige prever necessidades básicas, como alimentação, descanso, distração, temperatura e segurança. A escolha de assentos, paradas estratégicas e horários mais tranquilos são essenciais, ou seja, quanto mais elementos forem pensados antes, menor é a chance de contratempos. A criança não se adapta ao adulto correndo; é o adulto que precisa ajustar o ritmo”, afirma.

 

Além disso, Paula reforça que viajar vai muito além do lazer. “As viagens contribuem para o desenvolvimento emocional e social das crianças. Elas ampliam repertório, criam memórias afetivas, fortalecem vínculos e desafiam os pequenos a lidar com novidades e pequenas frustrações. Viajar é uma forma linda de aprendizado: sensorial, emocional e social”, completa.

 

Organizar a rotina

 

Segundo a psicopedagoga, adaptar a rotina antes da viagem para tornar o deslocamento mais tranquilo deve ser uma questão pensada pelos pais e responsáveis com cautela, pois as crianças tendem a ficar mais seguras e calmas quando sabem o que esperar. A previsibilidade funciona como uma importante forma de estabilidade emocional, e também reduz ansiedade e comportamentos de estresse nos dias que antecedem a viagem. Alguns dias antes, é válido:

 

• Ajustar horários de sono

 

• Manter refeições equilibradas

 

• Reduzir estímulos muito intensos à noite

 

• Conversar sobre o que vai acontecer

 

“Preparar a criança com pequenas mudanças na dinâmica diária facilita o processo de adaptação e contribui para um deslocamento mais leve para toda a família”, acrescenta.

 

Viagens longas

 

Paula faz um alerta sobre sinais de estresse ou cansaço que as crianças podem apresentar durante viagens longas, como irritabilidade, choro que surge do nada, dificuldade de permanecer sentada, ranger de dentes ou tensão corporal, recusa alimentar e excesso de energia. Quando essas manifestações aparecem, é o momento ideal para pausar, acolher a criança e reorganizar o ambiente, garantindo mais conforto e segurança para seguir a viagem. “Porém, muitas vezes, esses indícios são sutis e passam despercebidos. Identificar logo no início ajuda a evitar desconforto e crises”, afirma.

 

A especialista também lembra que criança dentro de carro, avião ou ônibus tem repertório limitado. E são os adultos que precisam transmitir calma durante o trajeto. Cantar juntos, contar histórias, observar a paisagem e criar pequenos desafios lúdicos transformam o tempo de deslocamento em experiência e não em “tempo perdido”.

 

“Não existe viagem perfeita, existe a viagem possível. Quando a família prioriza o vínculo em vez da performance, a experiência se torna muito mais rica, segura e afetiva para a criança”, finaliza a profissional.

 

Sobre Paula Furtado

 

Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.

 

Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância. A especialista em educação exerceu a função de coordenadora e supervisora psicopedagógica em diversas publicações infantis (Contos de fadas, Lendas e Folclore) com Girassol Brasil e MSP Estúdios.