Saúde & Bem-estar

Psicanalista alerta: rotina perfeita pode esconder uma depressão silenciosa

“A depressão silenciosa não para a mulher: ela a mantém em movimento, mesmo quando tudo por dentro já pediu pausa.”

 

A afirmação da psicanalista e terapeuta Adriana Soares resume um fenômeno cada vez mais presente: mulheres que sustentam rotinas produtivas enquanto enfrentam um sofrimento emocional invisível. A velha conhecida depressão é a condição que se camufla na eficiência e dificulta o reconhecimento do adoecimento.

 

“São mulheres que dão conta de tudo, mas já não se sentem dentro da própria vida”, explica Adriana. Dados do Ministério da Previdência Social, divulgados em janeiro de 2026, evidenciam o avanço do problema: em 2025, foram mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, com crescimento de 15,66% em relação ao ano anterior.

 

“Quando olhamos que mais de 63% desses afastamentos são de mulheres, entendemos que há uma sobrecarga estrutural adoecendo esse público”, analisa.

 

Diferente dos quadros mais incapacitantes, a depressão de alta performance não interrompe a rotina. “Ela rouba o prazer, não a produtividade”, pontua a especialista.

 

Entre as principais causas, estão a dupla jornada, a pressão por desempenho e a desconexão com o próprio desejo. “A mulher foi ensinada a atender expectativas o tempo todo. Quando percebe, está vivendo uma vida que não escolheu. O medo de falhar e a necessidade constante de provar valor tornam o sofrimento ainda mais silencioso”, comenta.

 

A saída não está em ser mais forte, mas em parar de sustentar o insustentável, defende Adriana Soares. Segundo a psicanalista, o processo terapêutico permite que a mulher reconheça seus limites, questione padrões e resgate sua própria identidade. “Essas mulheres precisam se autorizar a viver com verdade”, conclui.

 

Serviço:

@_dricaas_

Saúde & Bem-estar

Após diagnóstico de depressão, casal cria projeto que alia carreira e qualidade de vida

Os mentores Mauro e Fabiana Koch passaram por diagnósticos de depressão e burnout, o que os levou a viver uma experiência de um ano em dez países diferentes, enquanto continuaram trabalhando de forma remota

 

A depressão nem sempre surge depois de uma grande tragédia ou crise. Ela pode aparecer mesmo quando tudo parece estar no lugar — carreira consolidada, rotina saudável e sucesso financeiro. Foi exatamente nesse contexto que Mauro e Fabiana Koch receberam os diagnósticos de depressão e burnout em 2024, o que se transformou no ponto de partida para uma jornada por dez países em busca de saúde mental e reconexão.

 

Com a estrada, vieram aprendizados que já estão se transformando em temas de palestra e também em um canal no YouTube, para documentar não o roteiro, mas os aprendizados da viagem. O casal trabalha com mentoria de carreira e palestras há 17 anos, e sempre teve paixão por viajar e conhecer novas culturas.

 

Depois de muito planejamento, eles partiram em dezembro de 2024, sem saber ao certo quando voltariam. A maior parte dos móveis e pertences em Jaraguá do Sul, cidade onde moravam, foram vendidos, e os clientes da Fique Bem, empresa que tocam juntos, foram avisados de que o atendimento passaria a ser on-line.

 

“Os clientes entenderam e até mesmo as pessoas que compravam nossas coisas sentiam que estavam ajudando o projeto de alguma forma”, explica Fabiana.

 

Mauro conta que a ideia era fazer uma viagem estendida quando chegassem aos 60 anos, mas com a saúde mental em cheque, decidiram antecipar.

 

“Nós sempre tivemos essa vontade de viajar pelo mundo e conhecer lugares novos. Quando viajamos, nós gostamos de utilizar transporte público e conhecer restaurantes que os locais frequentam, justamente para estarmos inseridos na cultura. Com o diagnóstico, vimos que ainda estávamos com condições físicas aos 52 anos e sentimos que era o momento. Os nossos filhos já tinham saído de casa, o que também contribuiu para a decisão”, explica.

 

Cada país teve uma contribuição para a experiência. No Canadá, o casal pegou pela primeira vez temperaturas extremas de até -30ºC, o que os ajudou a curar da estafa e a dormir 10 horas por noite. Eles fizeram o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, onde levaram 31 dias para andar quase 800 km a pé. Passaram por lugares que sonhavam em visitar, como Grécia e Bali, e também foram para outros locais apenas para visitar amigos, fazendo com que a viagem também fosse pelas pessoas.

 

O casal decidiu que era hora de voltar no final de 2025, após um ano da partida. “O que fizemos não foi turismo, porque a gente foi com esse olhar de aprender, de vivenciar as culturas. O objetivo do canal no YouTube não era ser guia turístico, mas falar do que aprendemos com o caminho efetivamente”, conta Fabiana.

 

Hoje eles seguem tocando a empresa de forma presencial e on-line. “Percebemos cada vez mais que o material tem que nos servir e não nós servirmos ao material, sermos escravos dele. Fazer escolhas conscientes, essa é a grande mensagem que queremos passar para as pessoas”, finaliza Mauro.

Comportamento

Luto nas festas de fim de ano: como atravessar o Natal e o Ano Novo diante da ausência de quem se ama

Psicóloga explica por que rituais, tradições e atenção aos sinais de alerta ajudam a lidar com a dor em um período marcado por celebrações

 

As festas de fim de ano costumam ser associadas a momentos de alegria, união e celebração ao lado de familiares e amigos. No entanto, para quem vive o luto pela perda de um ente querido, e também para muitas outras pessoas, o Natal e o Ano Novo podem intensificar sentimentos de saudade, tristeza e solidão, tornando esse período especialmente desafiador.

 

A sobrecarga emocional típica das festas de fim de ano é uma realidade para muitas pessoas. Um estudo da IKEA, mostra que quase metade dos entrevistados (49,3%) relatou sentir estresse durante esse período, e 24,6% afirmaram vivenciar problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Esses números ajudam a compreender por que emoções como tristeza, ansiedade e exaustão emocional tendem a se manifestar com mais intensidade nessa época, especialmente entre quem enfrenta o luto.

 

Mais do que relembrar a morte, esse momento convida à reflexão sobre a vida, os vínculos construídos e o significado da ausência. Em meio às celebrações, pequenos gestos podem ajudar a ressignificar a dor e manter viva a memória de quem partiu, como acender uma vela, colocar uma foto à mesa, mencionar o nome da pessoa durante a ceia, preparar um prato de que ela gostava ou compartilhar lembranças e histórias marcantes.

 

Segundo especialistas da área de Psicologia, o primeiro passo para lidar com o luto é reconhecer os próprios sentimentos e permitir-se viver esse processo com autenticidade e acolhimento. O luto é uma experiência única, vivida de formas diferentes por cada pessoa e em tempos distintos. Não há um prazo definido para sentir ou uma maneira certa de lidar com a dor. Em datas simbólicas, como as festas de fim de ano, sentimentos relacionados a perdas antigas podem voltar à tona e isso é absolutamente natural.

 

A psicóloga Priscilla Rodrigues, professora da Universidade São Judas, explica que, nesse período, a ausência da pessoa amada tende a se tornar ainda mais evidente. “Está tudo bem sentir saudade, desejar que a pessoa ainda estivesse aqui e permitir que risadas e lágrimas coexistam. É no reconhecimento da falta e da saudade que conseguimos seguir em frente com a nossa vida, mesmo sem as pessoas mais significativas fisicamente presentes”, afirma.

 

Manter tradições e rituais pode ter um valor psicológico profundo para quem está em luto, pois ajuda a dar continuidade aos vínculos afetivos mesmo diante da ausência física. Atos como preparar a comida preferida de quem partiu, repetir um passeio que faziam juntos, visitar um local significativo ou observar as decorações dessa época funcionam como formas simbólicas de presença, oferecendo conforto emocional e sensação de pertencimento.

 

Esses rituais ajudam o cérebro a organizar a experiência da perda, validam a saudade e reduzem o sentimento de isolamento, comum nas festas de fim de ano. “Se havia uma tradição, como um almoço especial, um passeio, uma visita a um parque ou até observar as decorações dessa época juntos, mantê-la pode trazer conforto. As lembranças e a certeza de que houve momentos afetivos verdadeiros fazem diferença para lidar com a saudade”, destaca Priscilla.

 

Durante o período de luto, é fundamental respeitar os limites do corpo e da mente. A tristeza é esperada, mas o sofrimento merece atenção quando começa a aparecer em situações do dia a dia, como dificuldade constante para dormir ou excesso de sono, irritabilidade frequente, cansaço extremo, falta de concentração, desânimo para atividades antes prazerosas, afastamento de amigos e familiares ou sensação persistente de vazio. Quando esses sinais se prolongam e passam a interferir na rotina, no trabalho ou nas relações, pode ser um indicativo de que é importante buscar ajuda profissional.

 

Para Priscilla, não existe uma fórmula pronta para aliviar a dor da perda, mas é possível encontrar formas mais gentis de atravessar esse processo. “Não há uma receita para preencher o vazio que fica quando perdemos alguém que amamos, mas podemos celebrar a vida e as lembranças construídas. As risadas, os momentos bons e até os difíceis fazem parte da história que nos levou a amar essa pessoa. Assim, temos a certeza de que, mesmo sem a presença física, esse amor continua existindo — apenas de outra forma”, completa.

 

Dicas para lidar com o luto

 

As especialistas reforçam que acolhimento, escuta e respeito ao próprio tempo são fundamentais nesse processo. Confira algumas recomendações:

 

  • • Permita-se sentir: negar a dor não faz com que ela desapareça; o luto precisa ser vivido.
  • • Respeite o seu tempo: cada pessoa tem um ritmo diferente para elaborar a perda.
  • • Compartilhe o que sente: conversar com amigos, familiares ou grupos de apoio ajuda a ressignificar a dor.
  • • Mantenha rituais e lembranças: celebrar a vida e a história construída com quem partiu pode trazer conforto.
  • • Cuide do corpo e da mente: atenção ao sono, alimentação e momentos de descanso.
  • • Procure ajuda profissional: psicólogos e terapeutas podem auxiliar na reconstrução emocional.
  • “Buscar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. É uma forma de cuidado consigo mesmo e de transformar a dor em aprendizado”, reforça a especialista.

 

Sobre a São Judas

 

A São Judas integra o maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima de Educação. Com mais de 50 anos de história, tem Conceito Institucional máximo concedido em 2023 pelo Ministério da Educação (MEC). Com 11 unidades localizadas na Capital, Grande São Paulo e Baixada Santista, conta com mais de 130 cursos de Graduação e Pós-Graduação Lato e Stricto Sensu.

 

A instituição combina qualidade e acessibilidade, tradição e inovação, com o uso de novas metodologias educacionais, laboratórios multidisciplinares de aprendizagem integrada e programas de desenvolvimento de competências socioemocionais. Além disso, o estudante aprende na prática desde o primeiro dia de aula, em seus mais de 200 laboratórios e núcleos de atendimento à população.

 

Sobre a Ânima Educação

 

Com o propósito de transformar o Brasil pela educação, a Ânima é o maior e o mais inovador ecossistema de ensino de qualidade para o país, com um portfólio de marcas valiosas e um dos principais players de educação continuada na área médica. A companhia é composta por cerca de 381 mil estudantes, distribuídos em 18 instituições de ensino superior, e em mais de 500 polos educacionais por todo o Brasil.

 

Integradas também ao Ecossistema Ânima estão marcas especialistas em suas áreas de atuação, como HSM, HSM University, EBRADI (Escola Brasileira de Direito), Le Cordon Bleu (SP), SingularityU Brazil, Inspirali, Community Creators Academy, e Learning Village, primeiro hub de inovação e educação da América Latina, além do Instituto Ânima.

 

Em 2023, a Forbes, uma das revistas de negócios e economia mais respeitadas no mundo, elencou a Ânima entre as 10 maiores companhias inovadoras do país e, em 2022, o ecossistema de ensino, também foi destaque do Prêmio Valor Inovação – parceria do jornal Valor Econômico e a Strategy&, consultoria estratégica da PwC – figurando no ranking de empresas mais inovadoras do Brasil no setor de educação. Desde 2013, a companhia está na Bolsa de Valores, no segmento de Novo Mercado, considerado o de mais elevado grau de governança corpoorativa.