Saúde & Bem-estar

Maio Vermelho reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer bucal

A cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos alerta para os sinais da doença e destaca papel da informação e do acompanhamento odontológico preventivo

 

O mês de maio chama atenção para um tema fundamental de saúde pública: a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer bucal. A campanha Maio Vermelho busca conscientizar a população sobre os sinais da doença, fatores de risco e a importância do acompanhamento odontológico regular como forma de ampliar as chances de cura e preservar a qualidade de vida.

 

O câncer bucal pode atingir diferentes regiões da cavidade oral, como língua, gengiva, lábios, céu da boca, bochechas e assoalho bucal. Entre os principais fatores de risco, estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a exposição solar sem proteção nos lábios, a infecção por HPV, além da má higiene bucal e da ausência de consultas preventivas.

 

Segundo a cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos, diretora do Centro de Reabilitação Rabello (CORR), no Rio de Janeiro, a informação é uma das principais ferramentas no combate à doença.

 

“Infelizmente, o câncer bucal ainda é diagnosticado, muitas vezes, em estágios avançados, justamente porque os sinais iniciais podem passar despercebidos. Por isso, campanhas como o Maio Vermelho são fundamentais para conscientizar a população sobre a importância do autoexame e das consultas periódicas ao dentista”, afirma.

 

Os sintomas iniciais costumam ser silenciosos e incluem feridas que não cicatrizam por mais de quinze dias, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas, sangramentos, rouquidão persistente, dificuldade para mastigar, engolir ou falar, além de nódulos na região do pescoço. A orientação é procurar avaliação profissional diante de qualquer alteração.

 

A especialista destaca que a prevenção continua sendo o principal caminho para reduzir os riscos da doença. “Cuidar da saúde bucal vai muito além da estética. A boca frequentemente apresenta sinais importantes sobre o estado geral do organismo. Consultas preventivas, abandono do cigarro, redução do consumo alcoólico e hábitos saudáveis são atitudes que podem salvar vidas”, ressalta Flávia.

 

Quando identificado precocemente, o câncer bucal apresenta índices significativamente maiores de sucesso terapêutico. O tratamento pode envolver cirurgia, laserterapia, radioterapia, quimioterapia e acompanhamento multidisciplinar, dependendo do estágio da lesão.

 

Para a cirurgiã-dentista, o Maio Vermelho reforça um alerta importante sobre autocuidado e prevenção. “A odontologia moderna conta hoje com recursos avançados para diagnóstico e acompanhamento preventivo. O mais importante é que as pessoas entendam que pequenas mudanças de hábito e revisões periódicas podem fazer toda a diferença no diagnóstico precoce e no sucesso do tratamento”, conclui.

 

Sobre Flávia Rabello de Mattos

 

Localizada há mais de 30 anos na Tijuca, no Rio de Janeiro, a clínica Centro de Reabilitação Rabello (CORR) é dirigida pela cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos e se destaca por oferecer uma abordagem integrada e personalizada em reabilitação oral.

 

Flávia é a primeira doutora em Implantodontia do estado do Rio de Janeiro, pós-doutorada em engenharia dos materiais pelo IME-RJ, além de mestre e doutora em odontologia.

 

Site: draflaviarabellodemattos.com.br

@flaviarabellodemattosoficial

Saúde & Bem-estar

Autismo em mulheres: diagnóstico costuma chegar apenas na vida adulta

Especialista em psicologia da UNIASSELVI explica como fatores sociais e comportamentais como pressão e adaptação do ambiente no entorno, contribuem para o subdiagnóstico, gerando consequências para vida adulta

 

No Brasil, onde se estima que a população com TEA possa chegar a 2 milhões de pessoas de acordo com último levantamento da Agência IBGE. Esse cenário de subdiagnóstico feminino tem se agravado de forma remanescente. O problema é que fatores sociais e comportamentais, como a pressão para que meninas sejam mais quietas e sociáveis, criam uma cortina de fumaça que esconde os sinais, levando a uma vida inteira de dificuldades não diagnosticadas, como ansiedade e depressão.

 

De acordo com a professora de psicologia da UNIASSELVI, Gabriela Inthurn, a explicação para essa lacuna está na forma como os traços autistas se manifestam socialmente no público feminino. “O grande desafio no diagnóstico feminino é que ele é frequentemente mais sutil e camuflado por um enorme esforço de adaptação social, conhecido como ‘masking’. Muitas mulheres aprendem a imitar comportamentos para se encaixar, o que mascara os traços clássicos do autismo e engana até mesmo avaliadores menos experientes”, pontua a especialista.

 

Esse fenômeno, portanto, é um dos principais responsáveis por uma legião de mulheres que chegam à vida adulta sem respostas. Já o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, aponta que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é diagnosticado de três a quatro vezes mais no sexo masculino do que no feminino. Essa disparidade ocorre mesmo que os critérios diagnósticos, ou seja, os sinais observados e os sintomas informados pela pessoa, sejam os mesmos para todos os gêneros, e que o diagnóstico em mulheres tende a ser mais tardio.

 

O peso do “masking”

 

Desde cedo, meninas no espectro aprendem a observar e imitar comportamentos neurotípicos para se encaixarem, tornando-se verdadeiras “atrizes sociais”. Esse processo, muitas vezes inconsciente, envolve um conjunto de estratégias exaustivas: forçar o contato visual mesmo que seja desconfortável, ensaiar conversas mentalmente, suprimir movimentos repetitivos (stims) e imitar expressões faciais de colegas. Embora seja uma tática de sobrevivência para evitar o isolamento e o preconceito, essa performance constante desconecta a mulher de sua identidade autêntica e drena sua energia mental e emocional.

 

“O masking é a tentativa da pessoa autista, especialmente as mulheres, de mascarar os comportamentos autistas. É um conjunto de estratégias que a pessoa utiliza para tentar ocultar ou minimizar comportamentos do transtorno, muitas vezes para evitar julgamentos, e isso pode dificultar o diagnóstico”, pontua Gabriela.

 

Sinais sutis e os impactos na saúde mental

 

Uma das razões para essa dificuldade no diagnóstico está na natureza dos interesses restritos, ou hiperfocos. Enquanto em meninos é comum o foco em temas como dinossauros ou meios de transporte, em meninas, esses interesses podem se voltar para assuntos considerados mais “comuns”, como literatura, artes ou animais, passando despercebidos.

 

O esforço contínuo para se adaptar, somado à falta de um diagnóstico que explique suas dificuldades, tem um custo elevado para a saúde mental. “Um diagnóstico tardio traz prejuízos, independente do gênero, porque em muitos casos a intervenção só acontece após o diagnóstico. A importância da intervenção precoce é sempre comentada na literatura, e quando ela não ocorre pode trazer prejuízo na aprendizagem, nos relacionamentos, na vida profissional do adulto e principalmente na autoestima”, explica a professora.

 

Diagnóstico e seus desafios   

 

O modelo de diagnóstico do autismo foi, por muito tempo, construído a partir de um protótipo masculino. Como consequência, muitos profissionais de saúde não foram treinados para reconhecer as manifestações mais internalizadas ou socialmente camufladas do transtorno em meninas e mulheres. Com isso, os sinais que não se encaixam no estereótipo clássico são frequentemente descartados ou atribuídos a outras condições, como ansiedade, depressão ou transtorno de personalidade, reforçando o ciclo do subdiagnóstico.

 

“Na história do próprio transtorno, os conhecimentos e critérios de diagnóstico estiveram sempre baseados no gênero masculino, que era aquele mais prevalente, levando para que muitos sinais e sintomas sejam ainda baseados no comportamento conhecido como masculino”, afirma a psicóloga.

 

Como buscar ajuda

 

A jornada para o diagnóstico em mulheres adultas geralmente começa com a autoidentificação, muitas vezes impulsionada por relatos e conteúdo em redes sociais. Embora esse movimento de reconhecimento seja um passo inicial importante e validador, a etapa seguinte é crucial: buscar uma avaliação clínica estruturada. O objetivo vai além de confirmar um rótulo; um profissional especializado poderá fazer o diagnóstico diferencial, ou seja, distinguir o TEA de outras condições com sintomas sobrepostos, como TDAH ou transtornos de ansiedade e, principalmente, traçar um plano de suporte terapêutico personalizado.

 

“O diagnóstico de autismo pode ser realizado por um psicólogo ou médico. É recomendado que, ao suspeitar, o adulto ou os pais (no caso de crianças) procurem um profissional da Psicologia para realizar uma avaliação. É importante ressaltar que não existe autodiagnóstico em saúde mental, é preciso que a pessoa passe por uma avaliação de um profissional qualificado”, finaliza a professora.

 

Sobre a UNIASSELVI

 

A UNIASSELVI é uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil, com mais de 500 cursos entre Graduação, Pós-Graduação, Técnicos e Profissionalizantes, ofertados nas modalidades presencial, semipresencial e a distância (EAD). Presente em todos os estados brasileiros, conta com mais de 1,3 mil polos e 16 unidades presenciais. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional com nota máxima no Recredenciamento Institucional concedido pelo Ministério da Educação (MEC).

Saúde & Bem-estar

O que a ciência já sabe sobre o uso da testosterona pelas mulheres

Especialista em menopausa, a médica e pesquisadora Fabiane Berta explica por que o hormônio, longe de ser um “atalho estético”, tem papel neuroativo essencial e quando seu uso realmente é indicado

 

A testosterona voltou ao centro do debate sobre saúde feminina. Nos consultórios e nas redes sociais, cresce o interesse pelo hormônio frequentemente associado, de forma equivocada, a mais energia, emagrecimento rápido ou ganho estético. Mas a ciência aponta para outro caminho.

 

Segundo a pesquisadora e especialista em menopausa Fabiane Berta, o efeito mais conhecido e comprovado está na modulação do desejo sexual, da motivação, da cognição e da clareza mental. Esses benefícios são especialmente relevantes no contexto da menopausa, quando os níveis séricos (quantidade de uma determinada substância no sangue), caem para cerca de 25% do pico observado aos 20 anos.

 

“Testosterona não é suplemento de disposição e não é atalho estético. É um hormônio neuroativo, com ação direta sobre desejo sexual, motivação, cognição e clareza mental”, explica a médica.

 

Berta acompanha os avanços no uso clínico do hormônio, enfatizando que a testosterona, quando usada em níveis fisiológicos, pode participar diretamente da regulação da chamada “névoa cerebral”, que é caracterizada por lapsos de memória, dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e redução da fluência verbal, com substrato neurobiológico.

 

“Mulheres na peri e pós-menopausa frequentemente relatam melhora desses sintomas. Quando essa névoa melhora, melhora na dose certa, bem prescrita, monitorada e dentro da faixa fisiológica. Nunca em protocolos inflacionados vendidos como solução mágica”, reforça Fabiane.

 

Berta também destaca que a indicação do hormônio com consenso global trata do transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) em mulheres pós-menopausa, utilizando formulações transdérmicas em doses fisiológicas e recomendação apoiada por um conjunto de 11 sociedades científicas internacionais.

 

“É evidência de nível I, grau A. Fora desse cenário, não há base sólida suficiente para recomendar o hormônio”, explica a médica. O que tem se popularizado nas redes, superdosagens, protocolos de performance, uso para emagrecimento ou ganho de massa sem critério preocupa a especialista.

 

“Nesses casos, o que aumenta não é o benefício, é o risco”, diz a médica. Entre os efeitos adversos documentados estão acne, hirsutismo, alteração de humor, labilidade emocional e, mais grave, modificações irreversíveis na voz. E ainda há impactos de longo prazo que a ciência simplesmente não conhece”, alerta.

 

Para Berta, a discussão precisa voltar ao eixo científico. “Hormônio não é tendência de consultório nem viralização de rede social. É decisão clínica que começa no diagnóstico, passa pela prescrição individualizada e se sustenta em monitorização e evidência, não em promessas”, finaliza.

Sobre Fabiane Berta:

 

Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento.

 

É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.