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Muitas vezes, quando falamos sobre longevidade, o pensamento corre imediatamente para as farmácias, os exames de rotina ou a contagem de calorias
É claro que o corpo precisa de manutenção, mas há um ingrediente essencial para uma vida longa que não se compra em drogaria: o pertencimento. Viver muito e com qualidade é, acima de tudo, ter motivos para acordar e pessoas com quem partilhar o café da manhã. Afinal, a verdadeira arte de envelhecer bem reside na profundidade dos nossos vínculos e na capacidade de manter vivo o nosso legado.
Infelizmente, temos assistido a um fenômeno silencioso em nossas casas. A pressa, essa vilã da modernidade, está roubando o tempo da mesa e silenciando o coração da casa. Antigamente, a cozinha era um “santuário”, o lugar onde as receitas eram transmitidas não por papel, mas pela observação e pelo afeto.
Quando deixamos de sentar juntos para comer, perdemos muito mais do que o sabor de um tempero caseiro; perdemos a oportunidade de validar a sabedoria de quem já percorreu caminhos que ainda nem sonhamos em trilhar. Receitas de família são patrimônios imateriais que estão se perdendo porque não paramos mais para aprender o segredo de um assado com quem realmente entende do assunto e da vida.
Essa desconexão é um terreno fértil para a chamada Síndrome do Ninho Vazio. Quando os filhos partem e a agitação da casa silencia, os pais muitas vezes se deparam com um espelho que reflete apenas a ausência. Esse vazio não é apenas um sentimento; ele impacta severamente a saúde física, psicológica e social.
A sensação de que o papel de cuidar e proteger terminou pode levar ao desânimo e à negligência com a própria nutrição. O ser humano é um animal social e, na maturidade, o isolamento é um dos maiores venenos, combatido apenas com a percepção de que ainda se é útil e amado.
Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro da “Década do Envelhecimento Saudável”, ressalta que o bem-estar não depende apenas da ausência de doenças, mas da manutenção de habilidades e conexões que permitam à pessoa ser e fazer o que valoriza. Embora não haja um diagnóstico médico específico para a Síndrome do Ninho Vazio, a OMS reconhece que esta é uma pauta delicada que requer atenção cuidadosa.
Nesse contexto, a saída dos filhos de casa pode ser um momento de transição significativa para as famílias, pois pode coincidir com outras mudanças, como a aposentadoria e a menopausa, agravando sentimentos de baixa autoestima e até depressão.
Precisamos, portanto, resgatar a arte da escuta e entender que a sabedoria não está nos livros, mas nos olhos de quem já atravessou décadas de invernos e primaveras. Escutar uma pessoa mais madura ou uma pessoa idosa é um ato de cuidado profundo e uma forma de combater a invisibilidade que a idade muitas vezes impõe. Ao trazermos nossos mais velhos de volta para o centro das conversas, garantimos que eles continuem inseridos no fluxo da vida, sentindo que sua jornada faz sentido para as novas gerações.
Longevidade plena se faz com a alma alimentada por conexões reais. Que possamos desacelerar o relógio para reencontrar o tempo do outro e redescobrir o prazer da partilha. Que as memórias não se percam em cadernos empoeirados, mas ganhem vida nas mãos dos netos. Envelhecer com dignidade é saber que, mesmo com o ninho mudando de forma, o coração continua sendo um lugar de pouso, respeito e continuidade.
*Ingrid de Paula Ferreira é nutricionista, com especialização em Nutrição Clínica e Professora de Nutrição no Centro Universitário Internacional – UNINTER.
Implantes dentários: especialista esclarece mitos e verdades sobre o procedimento
A cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos explica que o procedimento é seguro, tem alta durabilidade e pode ser indicado para diferentes perfis de pacientes
Os implantes dentários estão entre os procedimentos mais modernos e eficazes da odontologia para a reposição de dentes perdidos. Apesar de cada vez mais comuns, ainda existem dúvidas e crenças populares que geram insegurança em muitos pacientes, desde quem pode realizar o tratamento até a durabilidade dos implantes.
Segundo a cirurgiã-dentista e doutora em implantodontia Flávia Rabello de Mattos, grande parte dessas dúvidas está relacionada à falta de informação sobre o procedimento e seus avanços tecnológicos. “Hoje, os implantes dentários são amplamente estudados e apresentam altos índices de sucesso.
Quando bem planejados e executados, eles devolvem não apenas a função mastigatória, mas também a estética e a confiança do paciente”, explica.
Quem pode fazer implantes dentários
De forma geral, o tratamento pode ser indicado para adultos que perderam um ou mais dentes e apresentam condições adequadas de saúde bucal e óssea. Antes da cirurgia, o dentista realiza exames clínicos e de imagem para avaliar fatores como quantidade de osso disponível, saúde da gengiva e histórico médico do paciente.
“Pacientes com doenças sistêmicas controladas, como diabetes ou hipertensão, também podem realizar implantes, desde que o procedimento seja acompanhado com planejamento e avaliação profissional”, ressalta a dentista.
Riscos reais x crenças populares
Entre os mitos mais comuns, está a ideia de que o implante é um procedimento extremamente doloroso ou arriscado. Na prática, a cirurgia é realizada com anestesia local e costuma ser bem tolerada pelos pacientes.
“O desconforto costuma ser semelhante ao de outros procedimentos odontológicos cirúrgicos e é controlado com medicação e acompanhamento profissional. O mais importante é seguir corretamente as orientações do dentista no período de recuperação”, afirma.
Outro equívoco frequente é acreditar que o implante pode ser rejeitado pelo organismo. Na realidade, os implantes são fabricados com titânio, material biocompatível que se integra ao osso por meio de um processo chamado osseointegração, amplamente estudado na odontologia.
Longevidade dos implantes
Quando bem cuidados, os implantes dentários podem durar muitos anos e, em muitos casos, décadas. A longevidade depende de fatores como higiene bucal adequada, visitas regulares ao dentista e hábitos de saúde do paciente.
“Os implantes são projetados para serem soluções duradouras. Com acompanhamento profissional e cuidados básicos de higiene, muitos pacientes mantêm seus implantes funcionando perfeitamente por muitos anos”, destaca a especialista.
Com os avanços da implantodontia e das técnicas de diagnóstico por imagem, o procedimento se tornou cada vez mais previsível e seguro, ajudando pacientes a recuperar a mastigação, a estética do sorriso e a qualidade de vida.
Siga: @flaviarabellodemattos.
Avós se exercitam mais que netos para cuidar da mente, revela estudo da Vidalink
Check-up de Bem-Estar 2025 mostra inversão preocupante: quanto mais jovem o trabalhador, menos ativo. Entre homens 60+, 46% usam exercícios físicos como principal forma de cuidado mental, ante apenas 34% da Geração Z masculina
Avós estão cuidando melhor da mente do que os netos. É o que revela o Check-up de Bem-Estar 2025, maior estudo de bem-estar corporativo do Brasil, conduzido pela Vidalink. O levantamento mostra que as gerações mais velhas no mercado de trabalho são as mais ativas fisicamente: entre os baby boomers (64 a 78 anos), 46% dos homens e 35% das mulheres afirmam realizar exercícios físicos para cuidar da saúde mental.
A terceira edição da maior pesquisa de bem-estar corporativo do Brasil, o Check-up de Bem-Estar 2025, analisou dados de 11.600 colaboradores de 250 companhias de diversos mercados e indústrias de grande porte, com mais de 300 colaboradores. Do total de participantes que responderam ao questionário online pelo aplicativo da Vidalink entre janeiro e junho de 2025, 51% são homens e 49% são mulheres. O perfil dos entrevistados contempla 52% de millennials, 24% de geração X, 17% de geração Z, 5% de baby boomers e 2% indefinido.
Embora a prática de exercícios continue sendo a principal forma de cuidado mental no Brasil, a adesão cai de forma consistente conforme a idade diminui. Na Geração X (43 a 63 anos), 40% dos homens e 34% das mulheres mantêm uma rotina de atividade física com foco na saúde mental. Entre os millennials (29 a 42 anos), os índices caem para 38% e 30%, respectivamente.
A diferença é mais acentuada na Geração Z (18 a 28 anos): apenas 34% dos homens e 26% das mulheres afirmam praticar exercícios com esse objetivo. Essa geração também é a que mais declara não fazer nada pela saúde mental — 39% dos homens e 35% das mulheres. Em contrapartida, apenas 14% dos baby boomers dizem não adotar nenhuma prática de autocuidado, o menor índice entre todas as faixas etárias.
A inversão etária aponta para um quadro de apatia e esgotamento precoce entre os trabalhadores que estão ingressando no mercado. “Os profissionais da Geração Z são os menos ativos e têm o dado mais preocupante entre todas as gerações, já que são os que mais declaram não fazer nada para cuidar da saúde mental”, destaca Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.
O estudo também revela um aumento progressivo da ansiedade, da angústia e da falta de motivação conforme a geração se torna mais jovem, e as mulheres são consistentemente mais afetadas. O salto mais alarmante está na Geração Z: 72% das mulheres e 51% dos homens dessa faixa etária relatam sentimentos negativos na maior parte dos dias.
Segundo Lina Nakata, professora, pesquisadora e consultora em Gestão de Pessoas, Carreiras e Diversidade, Equidade e Inclusão, as mulheres recorrem muito mais à terapia e aos medicamentos do que os homens — variáveis que podem estar relacionadas entre si —, enquanto os homens baby boomers passaram a buscar terapia (de 1% para 13% do grupo), deixando de não fazer nada.
“A meditação também tem sido uma grande aliada para as mulheres mais maduras, com 17% das baby boomers adotando a prática, o maior número entre as gerações. Buscar soluções para a própria saúde mental exige disponibilidade de tempo e recursos e provavelmente os grupos que mais mostraram não recorrer a algo são também os que têm menos acesso”, analisa Nakata.