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Quando pensamos em violência escolar, a mente vai direto para as manchetes mais chocantes: ataques, tiroteios, tragédias que param o país
Mas enquanto focamos nesses eventos extremos (e raros), uma epidemia silenciosa acontece todos os dias, em todas as escolas, afetando a saúde mental de milhões de crianças.
Como mãe, tia, madrinha ou simplesmente como cidadã, você provavelmente já se perguntou: “A escola do meu filho é segura?” Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: “O que está acontecendo com a saúde mental das crianças dentro das escolas?”
A violência escolar vai muito além dos ataques que viram notícia. Ela inclui agressão física, bullying tradicional, cyberbullying, ameaças, vandalismo, porte de armas, e o clima generalizado de insegurança. Não é preciso vivenciar um ataque para ser afetado. O medo, a preocupação e o estresse crônicos já são, por si só, fatores de risco para problemas de saúde mental. A ciência já mapeou os fatores de risco, os sinais de alerta e as intervenções que funcionam. A questão é: estamos prestando atenção?
Um estudo publicado no JAMA Network Open mostrou que aproximadamente um terço dos adolescentes relatou sentir-se muito ou extremamente preocupado com tiroteios e violência em sua escola ou em outras escolas. Em 2018, mais da metade dos estudantes americanos relatou preocupação com a possibilidade de um tiroteio em sua escola. Em 2019, 8,7% dos estudantes do ensino médio nos EUA deixaram de ir à escola pelo menos uma vez no mês anterior por preocupações com segurança — mais que o dobro do registrado em 1993.
O envolvimento em bullying — seja como vítima, agressor ou ambos — está associado a ansiedade, depressão, dificuldades psicossociais e comportamento autolesivo. Meninas são mais afetadas que meninos nos desfechos de saúde mental. A preocupação com violência escolar está associada a maior risco de sintomas de ansiedade generalizada e transtorno de pânico, e pesquisadores sugerem que essas preocupações podem ser uma das explicações para o aumento dos problemas de saúde mental entre adolescentes nas últimas décadas.
Muitos dos jovens envolvidos em violência escolar são, eles mesmos, vítimas de violência em outros contextos. Estudos mostram que transtornos relacionados a trauma (TEPT, transtorno de ajustamento, estresse agudo) na adolescência são fatores de risco para comportamento violento posterior. Violência gera violência — não por “maldade”, mas por mecanismos neurobiológicos e psicológicos que podem ser interrompidos com intervenção adequada.
A escola em que seu filho estuda faz diferença mensurável na saúde mental dele, e o clima escolar é o fator mais importante. Ele se refere à qualidade das relações dentro da comunidade escolar, ao senso de pertencimento, à segurança percebida e ao engajamento com a aprendizagem.
Um estudo longitudinal britânico demonstrou que melhor clima escolar (avaliado pelos próprios estudantes) foi associado a menor risco de depressão, menos dificuldades socioemocionais e maior bem-estar ao longo do tempo. Outro estudo realizado na Índia mostrou que a intervenção que melhorou o clima escolar reduziu sintomas depressivos, experiências de bullying e perpetração de violência.
Já um estudo dinamarquês com mais de 29.000 estudantes evidenciou que 27,5% deles experimentam pelo menos um tipo de desconexão social na escola: falta de apoio de colegas, falta de apoio de professores, baixa coesão de turma, não se sentir parte da comunidade escolar. Cada tipo de desconexão foi associado a mais problemas de saúde mental (depressão, ansiedade, estresse, ideação suicida, autolesão, transtornos alimentares).
Os impactos da violência nas escolas não são restritos aos alunos. A maioria das pesquisas foca em estudantes, mas pouco se sabe sobre o impacto em professores, funcionários, famílias e comunidades. Professores também são vítimas de violência escolar e sofrem consequências de saúde mental, mas raramente são incluídos em estudos ou intervenções.
O que nós, enquanto adultos responsáveis, podemos fazer?
– Converse regularmente com seus filhos sobre a escola, não apenas sobre notas, mas sobre relacionamentos, clima, segurança percebida
– Esteja atento a sinais de que algo não vai bem: mudanças de comportamento, resistência a ir à escola, sintomas de ansiedade ou depressão
– Conheça a escola: qual é a política anti-bullying? Existem programas de aprendizagem socioemocional? Como é o clima escolar?
– Seja uma presença: o envolvimento dos pais na vida escolar é fator de proteção
A violência escolar não é inevitável. Não é “coisa de criança”. Não é problema só da escola. É um problema de saúde pública com soluções conhecidas, que exige atenção, investimento e ação coordenada.
Cada criança que vai à escola com medo, que sofre bullying em silêncio, que carrega traumas não tratados, é uma criança cujo potencial está sendo comprometido, e cada escola que investe em clima positivo, em relações de qualidade, em prevenção baseada em evidências, está construindo não apenas estudantes mais saudáveis, mas uma sociedade mais saudável.
A pergunta não é apenas ‘a escola do meu filho é segura?’ É também: ‘o que estou fazendo para que todas as escolas sejam lugares onde crianças possam aprender, crescer e florescer sem medo?’
* Por Dra. Júlia Xavier, médica em saúde mental da infância, adolescência e adulto.
Fonte: Contauma
Além do banho: como criar um ritual de sono que realmente funciona para o bebê
Especialista Bruna Ramos explica como a combinação de ambiente, rotina e estímulos sensoriais pode ajudar o bebê a relaxar e dormir melhor
Na tentativa de melhorar o sono dos bebês, muitas famílias apostam em um único recurso: o banho antes de dormir. Mas, na verdade, o que realmente faz diferença não é uma ação isolada e sim um conjunto de práticas que preparam o corpo e o cérebro da criança para o descanso.
Segundo a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, o chamado ritual do sono é uma ferramenta essencial, e ainda subestimada, na rotina dos bebês.
“O ritual do sono é uma sequência de ações realizadas sempre antes do sono noturno. Ele sinaliza para o bebê que a hora de dormir está chegando, gerando previsibilidade e ajudando no relaxamento”, explica.
O poder da repetição e a importância da transição
O ritual do sono pode, e deve, começar desde os primeiros dias de vida. “Desde que o bebê chega da maternidade já é possível iniciar o ritual. Quanto mais cedo ele é implementado, mais rápido o bebê se adapta e entende essa sequência”, orienta Bruna. Não existe um modelo único: cada família deve adaptar à sua realidade, mas a repetição é essencial. “A repetição diária é o que cria o hábito. Quando o bebê reconhece os sinais, ele relaxa com mais facilidade.”
Outro ponto fundamental, e muitas vezes negligenciado, é o período anterior ao ritual.
“Não adianta começar o ritual se a casa ainda está agitada. O desacelerar é fundamental para preparar o bebê para o sono”, alerta.
Cerca de duas horas antes de dormir, a recomendação é reduzir estímulos: diminuir as luzes, evitar telas, baixar os sons e deixar de lado brincadeiras agitadas. “Essa transição ajuda na produção de melatonina e no relaxamento do bebê”, explica.
O que incluir no ritual?
O ritual pode ser adaptado à realidade de cada família e incluir etapas como banho, massagem, leitura, canções, troca de roupa ou fralda e amamentação. “O banho não é obrigatório. Se o bebê relaxa, ótimo. Se ele se irrita, deve ser feito em outro horário”, ressalta Bruna.
A massagem pode ajudar no relaxamento e aliviar desconfortos como gases, enquanto a leitura e músicas calmas contribuem para desacelerar o bebê. Em geral, a mamada costuma ser o último passo.
Menos tempo, mais consistência
A duração também importa — mas sem exageros. “O ideal é que dure entre 20 e 30 minutos. Mais importante do que o tempo é a constância”, afirma. Para a especialista, o segredo está na previsibilidade. “O bebê não entende horários, mas entende padrões. Quando ele reconhece o que vem a seguir, se sente seguro — e isso facilita muito o sono.”
É importante compreender que o ritual de sono é apenas o encerramento do dia, ele não substitui a necessidade de uma rotina diária equilibrada. “Não adianta ter um dia caótico e esperar que apenas os preparativos finais resolvam o descanso do bebê”, acrescenta Bruna.”
Sobre Bruna Ramos:
Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças.
Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.
Siga: @obebe_chegou
Preparação para amamentar deve começar antes do nascimento do bebê
Focar apenas no parto pode causar intervenções desnecessárias e trazer dificuldades e insegurança para as futuras mamães, alerta especialista!
Durante a gestação, grande parte das mulheres concentra seus estudos e expectativas no parto. A amamentação costuma ficar para “depois”. O problema é que, quando o bebê nasce, o cenário é outro: cansaço, adaptação, emoções intensas e uma enxurrada de palpites.
Para a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa é uma das principais falhas que dificultam o início da amamentação.
“O preparo para amamentar começa na gestação. Depois que o bebê nasce, tudo é novo. A mãe está cansada, sensível e aprendendo a cuidar de um recém-nascido. Estudar nesse momento pode ser muito mais difícil”, explica.
Segundo ela, cada dia importa. “Cada intervenção desnecessária e cada dificuldade que se prolonga podem tornar a situação mais complexa e demorada de resolver. Quanto antes a mãe estiver informada, mais segurança ela terá.”
O que realmente é preparo?
Ao contrário do que muitos ainda orientam, a preparação não envolve receitas caseiras ou “fortalecimento” da pele.
“A principal forma de se preparar é por meio da informação. Saber como é a pega correta, entender como funciona a produção de leite e conhecer o comportamento do recém-nascido fazem toda a diferença”, orienta.
Bruna alerta que algumas práticas antigas não são recomendadas:
• Esfregar os seios com bucha vegetal pode causar lesões e até infecções;
• O uso de hidratantes no mamilo pode deixar a pele mais fina e suscetível a machucados;
• Não há comprovação científica sobre a eficácia de tomar sol nos seios, embora exposições breves e seguras não sejam proibidas.
“Não existe preparo físico milagroso. Existe preparo emocional e informativo”, reforça.
Organização antes do nascimento
Além do conhecimento, a especialista recomenda atitudes práticas ainda na gestação: usar sutiãs confortáveis e respiráveis, já ter o contato de uma consultora de amamentação ou do banco de leite da cidade e, principalmente, alinhar expectativas com a rede de apoio.
“Converse com o parceiro e com as pessoas que estarão próximas. Deixe claro que você precisa de apoio e não de palpites que gerem insegurança. ”
Para Bruna, a mensagem é simples: “Se preparar antes é um investimento em tranquilidade. A amamentação pode ser aprendida. Informação reduz medo, evita intervenções desnecessárias e decisões precipitadas.”
Sobre Bruna Ramos:
Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde.
Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.
https://www.instagram.com/obebe_chegou/
Mulher mais influente do momento lidera pesquisa inédita contra tetraplegia
Descoberta da polilaminina coloca a UFRJ no centro da medicina regenerativa e abre caminho para testes clínicos no SUS
Após mais de 25 anos de dedicação à pesquisa científica, a Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, professora e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, tornou-se um dos principais nomes da medicina regenerativa no país. À frente de uma equipe multidisciplinar, ela desenvolveu a polilaminina, um biomaterial que vem sendo apontado como promissor no tratamento de lesões na medula espinhal.
A substância é um polímero criado a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano, especialmente na placenta. Diferentemente de abordagens exclusivamente paliativas, a polilaminina atua como uma malha regenerativa no local da lesão, estimulando a reconexão de neurônios e protegendo células ainda viáveis após o trauma.
A trajetória da pesquisadora começou em 1998, marcada por desafios estruturais comuns à ciência brasileira, como a busca contínua por financiamento. Ao longo de quase três décadas, Tatiana Sampaio consolidou estudos experimentais que avançaram da bancada de laboratório para pesquisas aplicadas. O projeto contou com parcerias institucionais, incluindo o laboratório Cristália, além de apoio da FAPERJ e da CAPES.
Os resultados preliminares chamaram atenção da comunidade científica ao indicarem melhora funcional em pacientes submetidos ao tratamento experimental. Um dos casos divulgados é o do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu lesão medular após um acidente em 2018. Ele recebeu a aplicação de polilaminina durante cirurgia de descompressão e apresentou recuperação progressiva de movimentos ao longo dos meses seguintes.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde e a Anvisa anunciaram o início dos estudos clínicos de fase 1 para tratamento de Trauma Raquimedular Agudo no âmbito do SUS. A etapa é considerada fundamental para avaliar segurança e eficácia do método antes de eventual disponibilização em larga escala.
Especialistas ressaltam que o tratamento ainda está em fase experimental e que os resultados precisam ser confirmados em estudos mais amplos. Ainda assim, a pesquisa liderada por Tatiana Sampaio representa um avanço relevante no campo da regeneração neural. Reconhecida por colegas como referência em biologia da matriz extracelular, a cientista afirma que sua motivação vai além do reconhecimento acadêmico.
O foco, segundo ela, é contribuir para devolver autonomia e qualidade de vida a pacientes que enfrentam limitações severas após lesões medulares.Com a polilaminina em fase de testes clínicos, o Brasil passa a ocupar posição estratégica nas pesquisas globais sobre regeneração da medula espinhal, alimentando expectativas cautelosas e renovando a esperança de milhares de pessoas.
“A mulher madura se sente poderosa e quer se cuidar’, diz dermatologista referência em atendimento humanizado
À frente do grupo com mais de 130 profissionais, a médica fala sobre empreendedorismo, valorização da beleza madura e abordagem integrada nos cuidados com a pele
No ano passado, Adriana Vilarinho (foto) viveu um ano de consolidação; não apenas profissional, mas também pessoal. Após mais de duas décadas dedicadas à dermatologia, à frente do grupo que leva seu nome e se tornou referência em inovação e atendimento humanizado, a médica viu seu trabalho alcançar uma nova camada de maturidade.
Em 2025, liderou o fortalecimento de sua clínica como uma empresa estruturada, reconhecida por sua excelência técnica e pela atuação colaborativa. Atualmente, o Grupo Adriana Vilarinho conta com cinco unidades em São Paulo e reúne médicos com formação robusta e título de especialista, que tomam decisões de forma conjunta.
“Essa coesão e qualidade de profissionais é o que nos torna fortes”, afirma. A solidez da equipe permitiu que Adriana ampliasse sua atuação sem perder o vínculo próximo com as pacientes.
Além do atendimento, ela mantém viva sua veia empreendedora – com linhas próprias de suplementos e produtos capilares – e seu papel como educadora, palestrando em congressos e inspirando novas gerações de médicas.
Para Adriana, a medicina da beleza é, acima de tudo, um instrumento de longevidade, autoestima e vida plena.
“Tenho essa vontade de estar sempre aprendendo, me renovando, me reciclando. E este foi um ano em que consegui focar nisso. Dois mil e vinte e cinco foi de muito aprendizado e desenvolvimento”, resume.
Fonte: Marie Claire
A importância da prevenção contra o vírus VSR nos primeiros meses de vida
Especialista da USP explica sobre os riscos causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) especialmente em bebês e medidas preventivas para evitar o contágio
O vírus sincicial respiratório (VSR) é um agente que provoca infecção respiratória e é um dos principais causadores da bronquiolite e pneumonia viral nos menores de 2 anos, doenças que podem levar à insuficiência respiratória. Esses quadros são mais graves nessa faixa etária devido à imaturidade imunológica e menor calibre das vias aéreas, que ficam mais facilmente obstruídas pelo excesso de secreção produzidas durante a atividade da doença.
Pelo vírus ter maior circulação no ambiente entre março e julho, os médicos alertam sobre a importância do tratamento preventivo neste período, com medicamentos injetáveis chamados de imunização passiva.
“A prevenção é de forma medicamentosa, em que o paciente recebe as células de defesa já prontas, para que quando ele tenha contato com o vírus, esse não consiga se proliferar no organismo, evitando as complicações dessa infecção”, diz a reumatologista pediatra da clínica EVCITI, Lara Melo e médica da Fundação Faculdade de Medicina da USP.
“Essas células de defesa já prontas se chamam palivizumabe e nirsevimabe, sendo conhecidas comercialmente como Beyfortus e Synagis”, explica.
Para prevenção das doenças do trato respiratório provocadas pelo VSR, os medicamentos injetáveis são aplicados mensalmente ou em dose única, no período de maior circulação do vírus. Quanto ao nirsevimabe (Beyfortus), ele será aplicado em dose única no mês que antecede a sazonalidade (fevereiro) ou no período de maior circulação do vírus (março a julho).
No caso do palivizumabe (Synagis) o número de doses são de até cinco (março a julho), sendo que a profilaxia finda ao término do período de aplicação, portanto não são todos os pacientes que receberão as 5 aplicações, pois dependerá da data de nascimento.
Segundo a médica, é indicado aplicar o palivizumabe nos seguintes casos:
- • Crianças menores de 1 ano, que nasceram prematuras (com idade gestacional menor de 29 semanas), durante a sazonalidade do vírus.
- bebês prematuros nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de idade gestacional nos primeiros 6 meses de vida, durante a sazonalidade do vírus.
- • Crianças menores de 2 anos, portadoras de doença pulmonar crônica da prematuridade e que necessitaram de terapêutica (corticosteroides, broncodilatador, diuréticos, suplementação de oxigênio).
- • Crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita, com repercussão hemodinâmica, hipertensão pulmonar grave ou necessidade de tratamento de insuficiência cardíaca congestiva (ICC).
Já para o caso do nirsevimabe, a indicação é
- • Crianças menores de 8 meses de idade, cujas mães não se vacinaram na gestação.
- • Crianças de 8 a 23 meses de idade com risco para infecção grave por VSR.
- • Crianças de até 23 meses, mesmo com vacinação materna, que apresente as seguintes condições:
- Mãe imunossuprimida vacinada durante a gestação;
- Parto ocorrido antes de 14 dias da vacinação materna;
- RN de alto risco, que pode incluir, mas não se limita a: doença pulmonar crônica da prematuridade, doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa, imunocomprometidos, Síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas
Dra Lara Melo recomenda também que bebês em geral evitem aglomerações e contato com pessoas que apresentem sintomas de resfriado ou gripe. “Caso o paciente tenha contato com o vírus e desenvolva a doença, a profilaxia deve ser suspendida”, orienta a médica.
É importante ressaltar que, além das crianças, a infecção pelo VSR é perigosa em pessoas idosas, imunocomprometidas, transplantadas e pacientes com doenças pulmonares ou cardíacas crônicas. “Como não se trata de uma vacina, esses medicamentos não geram imunidade duradoura, sendo assim, uma pessoa que tenha recebido o palivizumabe ou nirsevimabe na infância não está protegido na vida adulta, por isso a importância de ficar atento aos meios de prevenção nesses outros grupos etários”, afirma a médica.
No caso dos idosos, há a vacina Arexvy e Abrysvo, que podem sem aplicadas independente da sazonalidade do vírus. Para as gestantes, é indicado a vacina Abrysvo em que as células de defesa produzidas pela mãe são transferidas pera o bebê através da placenta. Lembrando que a proteção da família também gera proteção para os bebês.
Dra Lara Melo – é médica da Unidade de Reumatologia Pediátrica do ICr, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem título de especialista pela Sociedade Brasileira de Reumatologia e faz parte do corpo clínico da EVCITI, do Grupo CITA.
Sobre a Clínica EV Citi
A EVCITI Terapia Assistida pertence ao Grupo Cita (Centros Integrados de Terapias Assistidas), uma holding referência em todo Brasil para tratamentos de doenças raras e autoimunes composta por cinco clínicas, IBIS, Novaclin e Cliagen, em Salvador e EVCITI e Quiron, em São Paulo elencadas no core business: neuroimunologia, reumatologia, dermatologia e gastroenterologia.
O Grupo dispõe de médicos especializados em alta complexidade e cuidado com o paciente, trabalhando dentro das normas rígidas de segurança e qualidade, buscando sempre o aperfeiçoamento e a melhoria dos seus serviços.
A EV Citi possui o selo de acreditação de excelência Nível 3 ONA pela Organização Nacional de Acreditação, uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil, com foco na segurança do paciente. O nível 3 comprova que a clínica atingiu a excelência, adotando indicadores para a avaliação de resultados.
A Clínica EV Citi possui o selo DNA USP, reforçando a sua excelência e inovação.
Clínica EVCiti – Grupo CITA
Av. 09 de Julho, 3755 – Jardim Paulista – São Paulo – SP
Telefone: (11) 30512233 / 94191-9911
@clinicaevciti
O que a ciência já sabe sobre o uso da testosterona pelas mulheres
Especialista em menopausa, a médica e pesquisadora Fabiane Berta explica por que o hormônio, longe de ser um “atalho estético”, tem papel neuroativo essencial e quando seu uso realmente é indicado
A testosterona voltou ao centro do debate sobre saúde feminina. Nos consultórios e nas redes sociais, cresce o interesse pelo hormônio frequentemente associado, de forma equivocada, a mais energia, emagrecimento rápido ou ganho estético. Mas a ciência aponta para outro caminho.
Segundo a pesquisadora e especialista em menopausa Fabiane Berta, o efeito mais conhecido e comprovado está na modulação do desejo sexual, da motivação, da cognição e da clareza mental. Esses benefícios são especialmente relevantes no contexto da menopausa, quando os níveis séricos (quantidade de uma determinada substância no sangue), caem para cerca de 25% do pico observado aos 20 anos.
“Testosterona não é suplemento de disposição e não é atalho estético. É um hormônio neuroativo, com ação direta sobre desejo sexual, motivação, cognição e clareza mental”, explica a médica.
Berta acompanha os avanços no uso clínico do hormônio, enfatizando que a testosterona, quando usada em níveis fisiológicos, pode participar diretamente da regulação da chamada “névoa cerebral”, que é caracterizada por lapsos de memória, dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e redução da fluência verbal, com substrato neurobiológico.
“Mulheres na peri e pós-menopausa frequentemente relatam melhora desses sintomas. Quando essa névoa melhora, melhora na dose certa, bem prescrita, monitorada e dentro da faixa fisiológica. Nunca em protocolos inflacionados vendidos como solução mágica”, reforça Fabiane.
Berta também destaca que a indicação do hormônio com consenso global trata do transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) em mulheres pós-menopausa, utilizando formulações transdérmicas em doses fisiológicas e recomendação apoiada por um conjunto de 11 sociedades científicas internacionais.
“É evidência de nível I, grau A. Fora desse cenário, não há base sólida suficiente para recomendar o hormônio”, explica a médica. O que tem se popularizado nas redes, superdosagens, protocolos de performance, uso para emagrecimento ou ganho de massa sem critério preocupa a especialista.
“Nesses casos, o que aumenta não é o benefício, é o risco”, diz a médica. Entre os efeitos adversos documentados estão acne, hirsutismo, alteração de humor, labilidade emocional e, mais grave, modificações irreversíveis na voz. E ainda há impactos de longo prazo que a ciência simplesmente não conhece”, alerta.
Para Berta, a discussão precisa voltar ao eixo científico. “Hormônio não é tendência de consultório nem viralização de rede social. É decisão clínica que começa no diagnóstico, passa pela prescrição individualizada e se sustenta em monitorização e evidência, não em promessas”, finaliza.
Sobre Fabiane Berta:
Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento.
É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.
Calor e umidade impulsionam casos de micoses no verão
Com o calor intenso e a alta umidade do verão, os fungos encontram o ambiente ideal para a proliferação na pele. Um estudo publicado no Jornal de Ciência Médica da Coreia do Sul (2024), que analisou mais de 38 mil casos de infecções dermatofíticas ao longo de dez anos (2014-2024), mostrou que cerca de 42,7% dos episódios de micose ocorreram durante os meses mais quentes do ano. O dado reforça um alerta importante para esta época, marcada pelo uso frequente de piscinas, praias, academias e vestiários compartilhados.
A dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Silvana Coghi, avalia que o aumento dos casos está diretamente ligado aos hábitos do verão. “O calor favorece a transpiração excessiva e, quando a pele permanece úmida por muito tempo, cria-se um cenário perfeito para o desenvolvimento de fungos. Piscinas, duchas coletivas e o compartilhamento de toalhas ou chinelos aumentam ainda mais o risco de contaminação”, explica.
As micoses são infecções comuns que podem atingir diferentes regiões do corpo, como pés, unhas, virilha e dobras da pele. Apesar de não serem consideradas graves na maioria dos casos, exigem atenção, já que o tratamento inadequado pode prolongar o quadro e facilitar a transmissão para outras pessoas.
Tratamento e cuidados indicados
O tratamento das micoses depende do tipo, da região afetada e da gravidade da infecção. De forma geral, a médica destaca que os cuidados podem envolver:
Uso de medicamentos antifúngicos tópicos, como cremes, loções ou sprays, prescritos por um dermatologista;
Em casos mais extensos ou persistentes, indicação de antifúngicos orais, sempre com acompanhamento médico.
• Manutenção da pele limpa e bem seca, principalmente após banho de piscina ou mar;
• Troca frequente de roupas úmidas e preferência por tecidos leves e respiráveis;
• Evitar o compartilhamento de objetos pessoais, como toalhas, calçados e alicates de unha.
“Receitas caseiras ou soluções naturais não substituem o tratamento médico. Elas podem até aliviar sintomas leves, mas não eliminam o fungo. O ideal é procurar um dermatologista ao perceber sinais como coceira, descamação, manchas ou alterações nas unhas”, orienta a Dra. Silvana.
Para a dermatologista, a prevenção ainda é o melhor caminho durante o verão. Secar bem o corpo, usar chinelos em áreas comuns e manter hábitos simples de higiene ajudam a reduzir significativamente o risco de infecção. “Com cuidados básicos e atenção aos primeiros sinais, é possível aproveitar a estação mais quente do ano sem prejuízos à saúde da pele”, finaliza.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo conta com 3 Unidades de hospital geral (Pompeia, Santana e Ipiranga) que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades, cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia e cirurgia robótica. As Unidades possuem Centro de Oncologia e de Hematologia habilitada para realizar o Transplantes de Medula Óssea.
É a primeira Rede de Hospitais fora do Canadá a obter a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional. Além do Selo Amigo do Idoso, a Rede tem os serviços laboratoriais certificados pela PALC e ainda a Certificação Internacional da ABHH nos serviços de Hematologia e Transplante de Medula Óssea.
As Unidades Pompéia, Santana e Ipiranga prestam atendimentos privados que subsidiam as atividades de várias unidades administradas pela São Camilo no país e que atendem pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). No Brasil desde 1922, a São Camilo, que pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, foi fundada por Camilo de Lellis e conta, ainda, com centros de educação, colégios e centros universitários.