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Médica e pesquisadora Fabiane Berta explica que o prazer feminino é legítimo em qualquer idade
Por muito tempo, a narrativa foi repetida quase como um mantra nos consultórios de que depois dos 40 ou 50 anos, o desejo sexual feminino diminuiria naturalmente e caberia à mulher aceitar. Segundo a médica e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, essa explicação confortável nunca foi científica. Foi cultural.
“O que chamaram de normal era, na verdade, negligência médica”, afirma Fabiane. Enquanto homens tiveram acesso a múltiplas terapias para disfunção sexual ao longo de décadas, mulheres na pós-menopausa com perda de libido foram orientadas a lidar com o problema em silêncio. “Isso criou uma geração inteira convencida de que perder o desejo era parte obrigatória do envelhecimento”.
A ciência, porém, conta outra história. Existe um diagnóstico bem definido, o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (HSDD), caracterizado pela falta persistente de desejo que causa sofrimento real. De acordo com a pesquisadora, entre 40% e 55% das mulheres após a menopausa podem apresentar esse quadro. “Não é preguiça, não é fase, não é desinteresse afetivo. É neurobiologia.”
Até recentemente, o dado mais chocante não era a prevalência do problema, mas a ausência de tratamento. Nenhuma medicação havia sido aprovada especificamente para mulheres na pós-menopausa com HSDD. “Isso diz muito sobre quem a medicina escolheu escutar e quem ficou esperando”, analisa.
Esse cenário acaba de começar a mudar, quando a agência regulatória americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou, no final do ano passado, a flibanserina (Addyi) para mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos. A decisão veio dez anos após a liberação do medicamento para mulheres na pré-menopausa.
“Demorou uma década para que a ciência institucional reconhecesse algo simples, mulheres depois da menopausa continuam sendo mulheres com desejo”, diz a especialista.
A médica explica que diferente do que muitos imaginam, a flibanserina não é um hormônio. Ela atua diretamente nos neurotransmissores cerebrais ligados ao desejo sexual, aumentando dopamina e norepinefrina e reduzindo o excesso de serotonina.
“É um ajuste fino do sistema que regula o querer. Não cria desejo do nada, mas reequilibra o que estava desorganizado”, destaca Fabiane.
Os estudos clínicos que embasaram a aprovação envolveram mais de 2.400 mulheres e mostraram melhora consistente com aumento no número de eventos sexuais satisfatórios, resposta a partir da quarta semana e mais da metade das participantes relatando melhora significativa do desejo.
“Não é solução mágica, nem funciona para todas. Mas é ciência aplicada onde antes só havia resignação”.
Ainda assim, o tabu persiste. Falar de sexualidade feminina após os 50 anos segue sendo desconfortável, social e medicalmente.
“A mulher madura é empurrada para um papel de cuidadora, avó, alguém que já ‘resolveu’ a vida. Como se isso incluísse arquivar a libido”, observa a médica.
Para ela, essa lógica ignora um ponto central de que desejo sexual é saúde, autoestima e qualidade de vida. A especialista faz um alerta:
“O tratamento não é indicado para qualquer queixa ocasional de diminuição de interesse sexual. Ele se aplica a casos bem diagnosticados de HSDD, quando há sofrimento e exclusão de outros fatores, como depressão não tratada, problemas de relacionamento ou efeitos colaterais de medicamentos. Também exige cuidados, como evitar o consumo de álcool e respeitar a posologia noturna”.
Além de uma nova opção terapêutica, Fabiane Berta vê a aprovação como um marco simbólico. “Não estamos falando apenas de uma pílula, mas do reconhecimento de que o prazer feminino é legítimo em qualquer idade.” Para ela, o maior avanço é tirar o desejo da categoria do “é assim mesmo”.
A reflexão final da pesquisadora é direta. “Se a menopausa não encerra a sexualidade, também não deveria encerrar o direito de escolha. As mulheres esperaram demais para serem ouvidas. Agora, precisam ocupar esse espaço no consultório, na ciência e na própria vida”, conclui.
Sobre Fabiane Berta
Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento.
É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.
Além do banho: como criar um ritual de sono que realmente funciona para o bebê
Especialista Bruna Ramos explica como a combinação de ambiente, rotina e estímulos sensoriais pode ajudar o bebê a relaxar e dormir melhor
Na tentativa de melhorar o sono dos bebês, muitas famílias apostam em um único recurso: o banho antes de dormir. Mas, na verdade, o que realmente faz diferença não é uma ação isolada e sim um conjunto de práticas que preparam o corpo e o cérebro da criança para o descanso.
Segundo a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, o chamado ritual do sono é uma ferramenta essencial, e ainda subestimada, na rotina dos bebês.
“O ritual do sono é uma sequência de ações realizadas sempre antes do sono noturno. Ele sinaliza para o bebê que a hora de dormir está chegando, gerando previsibilidade e ajudando no relaxamento”, explica.
O poder da repetição e a importância da transição
O ritual do sono pode, e deve, começar desde os primeiros dias de vida. “Desde que o bebê chega da maternidade já é possível iniciar o ritual. Quanto mais cedo ele é implementado, mais rápido o bebê se adapta e entende essa sequência”, orienta Bruna. Não existe um modelo único: cada família deve adaptar à sua realidade, mas a repetição é essencial. “A repetição diária é o que cria o hábito. Quando o bebê reconhece os sinais, ele relaxa com mais facilidade.”
Outro ponto fundamental, e muitas vezes negligenciado, é o período anterior ao ritual.
“Não adianta começar o ritual se a casa ainda está agitada. O desacelerar é fundamental para preparar o bebê para o sono”, alerta.
Cerca de duas horas antes de dormir, a recomendação é reduzir estímulos: diminuir as luzes, evitar telas, baixar os sons e deixar de lado brincadeiras agitadas. “Essa transição ajuda na produção de melatonina e no relaxamento do bebê”, explica.
O que incluir no ritual?
O ritual pode ser adaptado à realidade de cada família e incluir etapas como banho, massagem, leitura, canções, troca de roupa ou fralda e amamentação. “O banho não é obrigatório. Se o bebê relaxa, ótimo. Se ele se irrita, deve ser feito em outro horário”, ressalta Bruna.
A massagem pode ajudar no relaxamento e aliviar desconfortos como gases, enquanto a leitura e músicas calmas contribuem para desacelerar o bebê. Em geral, a mamada costuma ser o último passo.
Menos tempo, mais consistência
A duração também importa — mas sem exageros. “O ideal é que dure entre 20 e 30 minutos. Mais importante do que o tempo é a constância”, afirma. Para a especialista, o segredo está na previsibilidade. “O bebê não entende horários, mas entende padrões. Quando ele reconhece o que vem a seguir, se sente seguro — e isso facilita muito o sono.”
É importante compreender que o ritual de sono é apenas o encerramento do dia, ele não substitui a necessidade de uma rotina diária equilibrada. “Não adianta ter um dia caótico e esperar que apenas os preparativos finais resolvam o descanso do bebê”, acrescenta Bruna.”
Sobre Bruna Ramos:
Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde. Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças.
Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.
Siga: @obebe_chegou
Mapeamento genético avança como aliado na prevenção do câncer de mama e ganha força no debate público
Iniciativas da UNACCAM ampliam o acesso à informação e reforçam o papel da genética na detecção precoce e no cuidado personalizado da saúde da mulher
A discussão sobre o acesso a testes de mapeamento genético tem ganhado espaço no Brasil em meio à busca por estratégias mais eficazes de prevenção do câncer de mama. Embora o exame já seja utilizado na prática clínica, sua disponibilidade ainda é limitada, especialmente no sistema público, o que mantém parte da população distante de uma ferramenta capaz de identificar riscos hereditários antes mesmo do surgimento da doença.
O câncer de mama segue como o tipo mais incidente entre mulheres no Brasil, com cerca de 73 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), órgão do Ministério da Saúde responsável pela prevenção, controle, pesquisa e tratamento do câncer em todo o país.
Nesse cenário, o mapeamento genético vem se consolidando como um recurso importante para orientar condutas médicas e ampliar as possibilidades de prevenção e diagnóstico precoce.
Mais do que identificar riscos, o teste genético permite personalizar o acompanhamento médico, antecipar exames e, em muitos casos, adotar medidas preventivas antes mesmo do surgimento da doença. Estima-se que entre 10% e 20% dos casos de câncer tenham origem hereditária, frequentemente associados a mutações como BRCA1 e BRCA2, o que reforça a importância da investigação genética, especialmente em pacientes com histórico familiar.
Nesse contexto, a União e Apoio no Combate ao Câncer de Mama (UNACCAM) tem ampliado sua atuação na conscientização sobre o tema e na disseminação de informações, com o objetivo de aproximar o mapeamento genético da população e estimular a busca por orientação médica adequada.
A entidade destaca que o exame pode contribuir não apenas para a detecção precoce do câncer de mama, mas também de outros tipos de tumores, como o de ovário, permitindo estratégias preventivas mais abrangentes.
“O mapeamento genético permite identificar se uma pessoa tem uma predisposição ao câncer antes mesmo da doença aparecer. Com isso, conseguimos atuar de forma muito mais preventiva e assertiva”, explica Dr. José Cláudio Casali, Oncogeneticista do A.C. Camargo Cancer Center e parceiro da UNACCAM.
“Quando identificamos uma variante genética, conseguimos adaptar o acompanhamento, antecipar exames e incluir métodos mais sensíveis para detectar lesões precoces. O objetivo é diagnosticar cedo e mudar o desfecho da doença.”
Segundo o especialista, o impacto do exame também se estende ao ambiente familiar. “Quando encontramos uma alteração genética, conseguimos avaliar outros familiares e agir antes que a doença apareça. Passamos a atuar de forma preventiva em um grupo inteiro.”
Na prática clínica, o resultado do mapeamento genético pode redefinir condutas médicas. Em casos negativos, o acompanhamento segue protocolos padrão. Já em resultados positivos, o rastreamento pode ser intensificado, com antecipação de exames e adoção de medidas preventivas específicas. Além disso, o teste também tem papel relevante na definição de terapias direcionadas a mutações específicas.
Estudos indicam que o mapeamento genético pode ser custo-efetivo ao possibilitar diagnósticos mais precoces e reduzir a complexidade dos tratamentos. Ainda assim, o acesso no Brasil permanece restrito, sobretudo na rede pública, que não disponibiliza amplamente o exame no SUS e enfrenta escassez de profissionais especializados em aconselhamento genético, etapa considerada essencial antes e depois da testagem.
A UNACCAM também chama atenção para a necessidade de ampliar o acesso e reduzir barreiras, por meio de iniciativas voltadas a públicos prioritários, como programas e mutirões. A recomendação é que mulheres com histórico familiar ou casos de diagnóstico precoce na família procurem avaliação médica para orientação adequada.
“Muitas pessoas ainda têm receio de descobrir um risco genético, mas a informação é justamente o que permite mudar a história. Existe uma cultura de que é melhor não saber, quando na verdade o conhecimento permite prevenir. É melhor enfrentar o risco do que enfrentar o câncer”, afirma Clarísia Ramos, presidente da UNACCAM.
De acordo com ela, ampliar o debate é um passo importante para fortalecer a conscientização sobre o tema. “Quando falamos de mapeamento genético, estamos falando de dar às mulheres a oportunidade de conhecer seu risco e agir antes. Informação de qualidade salva vidas e pode mudar o futuro de famílias inteiras”, completa.
Com a intensificação das discussões sobre a incorporação de testes genéticos no sistema público e a necessidade de estruturar o acompanhamento dos pacientes, o mapeamento genético se consolida como um dos caminhos para tornar a prevenção do câncer de mama mais precisa, eficiente e acessível no país.
Mais informações estão disponíveis em: https://unaccam.org.br/.
Preparação para amamentar deve começar antes do nascimento do bebê
Focar apenas no parto pode causar intervenções desnecessárias e trazer dificuldades e insegurança para as futuras mamães, alerta especialista!
Durante a gestação, grande parte das mulheres concentra seus estudos e expectativas no parto. A amamentação costuma ficar para “depois”. O problema é que, quando o bebê nasce, o cenário é outro: cansaço, adaptação, emoções intensas e uma enxurrada de palpites.
Para a especialista em sono infantil e amamentação Bruna Ramos, criadora do perfil @obebe_chegou, essa é uma das principais falhas que dificultam o início da amamentação.
“O preparo para amamentar começa na gestação. Depois que o bebê nasce, tudo é novo. A mãe está cansada, sensível e aprendendo a cuidar de um recém-nascido. Estudar nesse momento pode ser muito mais difícil”, explica.
Segundo ela, cada dia importa. “Cada intervenção desnecessária e cada dificuldade que se prolonga podem tornar a situação mais complexa e demorada de resolver. Quanto antes a mãe estiver informada, mais segurança ela terá.”
O que realmente é preparo?
Ao contrário do que muitos ainda orientam, a preparação não envolve receitas caseiras ou “fortalecimento” da pele.
“A principal forma de se preparar é por meio da informação. Saber como é a pega correta, entender como funciona a produção de leite e conhecer o comportamento do recém-nascido fazem toda a diferença”, orienta.
Bruna alerta que algumas práticas antigas não são recomendadas:
• Esfregar os seios com bucha vegetal pode causar lesões e até infecções;
• O uso de hidratantes no mamilo pode deixar a pele mais fina e suscetível a machucados;
• Não há comprovação científica sobre a eficácia de tomar sol nos seios, embora exposições breves e seguras não sejam proibidas.
“Não existe preparo físico milagroso. Existe preparo emocional e informativo”, reforça.
Organização antes do nascimento
Além do conhecimento, a especialista recomenda atitudes práticas ainda na gestação: usar sutiãs confortáveis e respiráveis, já ter o contato de uma consultora de amamentação ou do banco de leite da cidade e, principalmente, alinhar expectativas com a rede de apoio.
“Converse com o parceiro e com as pessoas que estarão próximas. Deixe claro que você precisa de apoio e não de palpites que gerem insegurança. ”
Para Bruna, a mensagem é simples: “Se preparar antes é um investimento em tranquilidade. A amamentação pode ser aprendida. Informação reduz medo, evita intervenções desnecessárias e decisões precipitadas.”
Sobre Bruna Ramos:
Bruna Ramos é especialista em amamentação e certificada em sono infantil com extensão universitária pela Universidade de Brasília. Graduada em Biologia pela UNICAMP, também concluiu doutorado e pós-doutorado em Genética e Biologia Molecular na mesma instituição.
Criadora do perfil @obebe_chegou, Bruna alia conhecimento científico à prática educativa e compartilha conteúdos sobre sono infantil e amamentação que já impactaram mais de 200 mil pessoas, entre famílias, educadores e profissionais da saúde.
Oferece orientação baseada em evidências para promover noites de sono mais tranquilas, sonecas de qualidade e bem-estar das crianças. Além disso, desenvolve materiais educativos e cursos voltados para pais e cuidadores, sempre com abordagem humanizada, prática e embasada na ciência do desenvolvimento infantil.
https://www.instagram.com/obebe_chegou/
A importância da prevenção contra o vírus VSR nos primeiros meses de vida
Especialista da USP explica sobre os riscos causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR) especialmente em bebês e medidas preventivas para evitar o contágio
O vírus sincicial respiratório (VSR) é um agente que provoca infecção respiratória e é um dos principais causadores da bronquiolite e pneumonia viral nos menores de 2 anos, doenças que podem levar à insuficiência respiratória. Esses quadros são mais graves nessa faixa etária devido à imaturidade imunológica e menor calibre das vias aéreas, que ficam mais facilmente obstruídas pelo excesso de secreção produzidas durante a atividade da doença.
Pelo vírus ter maior circulação no ambiente entre março e julho, os médicos alertam sobre a importância do tratamento preventivo neste período, com medicamentos injetáveis chamados de imunização passiva.
“A prevenção é de forma medicamentosa, em que o paciente recebe as células de defesa já prontas, para que quando ele tenha contato com o vírus, esse não consiga se proliferar no organismo, evitando as complicações dessa infecção”, diz a reumatologista pediatra da clínica EVCITI, Lara Melo e médica da Fundação Faculdade de Medicina da USP.
“Essas células de defesa já prontas se chamam palivizumabe e nirsevimabe, sendo conhecidas comercialmente como Beyfortus e Synagis”, explica.
Para prevenção das doenças do trato respiratório provocadas pelo VSR, os medicamentos injetáveis são aplicados mensalmente ou em dose única, no período de maior circulação do vírus. Quanto ao nirsevimabe (Beyfortus), ele será aplicado em dose única no mês que antecede a sazonalidade (fevereiro) ou no período de maior circulação do vírus (março a julho).
No caso do palivizumabe (Synagis) o número de doses são de até cinco (março a julho), sendo que a profilaxia finda ao término do período de aplicação, portanto não são todos os pacientes que receberão as 5 aplicações, pois dependerá da data de nascimento.
Segundo a médica, é indicado aplicar o palivizumabe nos seguintes casos:
- • Crianças menores de 1 ano, que nasceram prematuras (com idade gestacional menor de 29 semanas), durante a sazonalidade do vírus.
- bebês prematuros nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de idade gestacional nos primeiros 6 meses de vida, durante a sazonalidade do vírus.
- • Crianças menores de 2 anos, portadoras de doença pulmonar crônica da prematuridade e que necessitaram de terapêutica (corticosteroides, broncodilatador, diuréticos, suplementação de oxigênio).
- • Crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita, com repercussão hemodinâmica, hipertensão pulmonar grave ou necessidade de tratamento de insuficiência cardíaca congestiva (ICC).
Já para o caso do nirsevimabe, a indicação é
- • Crianças menores de 8 meses de idade, cujas mães não se vacinaram na gestação.
- • Crianças de 8 a 23 meses de idade com risco para infecção grave por VSR.
- • Crianças de até 23 meses, mesmo com vacinação materna, que apresente as seguintes condições:
- Mãe imunossuprimida vacinada durante a gestação;
- Parto ocorrido antes de 14 dias da vacinação materna;
- RN de alto risco, que pode incluir, mas não se limita a: doença pulmonar crônica da prematuridade, doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa, imunocomprometidos, Síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas
Dra Lara Melo recomenda também que bebês em geral evitem aglomerações e contato com pessoas que apresentem sintomas de resfriado ou gripe. “Caso o paciente tenha contato com o vírus e desenvolva a doença, a profilaxia deve ser suspendida”, orienta a médica.
É importante ressaltar que, além das crianças, a infecção pelo VSR é perigosa em pessoas idosas, imunocomprometidas, transplantadas e pacientes com doenças pulmonares ou cardíacas crônicas. “Como não se trata de uma vacina, esses medicamentos não geram imunidade duradoura, sendo assim, uma pessoa que tenha recebido o palivizumabe ou nirsevimabe na infância não está protegido na vida adulta, por isso a importância de ficar atento aos meios de prevenção nesses outros grupos etários”, afirma a médica.
No caso dos idosos, há a vacina Arexvy e Abrysvo, que podem sem aplicadas independente da sazonalidade do vírus. Para as gestantes, é indicado a vacina Abrysvo em que as células de defesa produzidas pela mãe são transferidas pera o bebê através da placenta. Lembrando que a proteção da família também gera proteção para os bebês.
Dra Lara Melo – é médica da Unidade de Reumatologia Pediátrica do ICr, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem título de especialista pela Sociedade Brasileira de Reumatologia e faz parte do corpo clínico da EVCITI, do Grupo CITA.
Sobre a Clínica EV Citi
A EVCITI Terapia Assistida pertence ao Grupo Cita (Centros Integrados de Terapias Assistidas), uma holding referência em todo Brasil para tratamentos de doenças raras e autoimunes composta por cinco clínicas, IBIS, Novaclin e Cliagen, em Salvador e EVCITI e Quiron, em São Paulo elencadas no core business: neuroimunologia, reumatologia, dermatologia e gastroenterologia.
O Grupo dispõe de médicos especializados em alta complexidade e cuidado com o paciente, trabalhando dentro das normas rígidas de segurança e qualidade, buscando sempre o aperfeiçoamento e a melhoria dos seus serviços.
A EV Citi possui o selo de acreditação de excelência Nível 3 ONA pela Organização Nacional de Acreditação, uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, que certifica a qualidade de serviços de saúde no Brasil, com foco na segurança do paciente. O nível 3 comprova que a clínica atingiu a excelência, adotando indicadores para a avaliação de resultados.
A Clínica EV Citi possui o selo DNA USP, reforçando a sua excelência e inovação.
Clínica EVCiti – Grupo CITA
Av. 09 de Julho, 3755 – Jardim Paulista – São Paulo – SP
Telefone: (11) 30512233 / 94191-9911
@clinicaevciti
Canetas emagrecedoras: as perguntas que você deve fazer ao médico antes de começar a usar
De indicações reais a riscos pouco falados, um guia para entender quando o tratamento faz sentido, o que ele pode entregar e quais limites existem
Nos últimos anos, os novos remédios para obesidade, conhecidos como canetas emagrecedoras, caíram no debate público. Palavras que até pouco tempo causavam estranheza — como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, semaglutida e tirzepatida — passaram a fazer parte do vocabulário das pessoas.
Os medicamentos são vistos por muitos como um atalho para a perda de peso. Para a medicina, no entanto, as canetas fazem parte do tratamento de uma doença crônica, a obesidade, e exigem avaliação cuidadosa, acompanhamento contínuo e mudanças de estilo de vida para que os benefícios sejam reais e sustentáveis. Antes de iniciar o uso, há perguntas essenciais que precisam ser feitas no consultório.
Eu tenho indicação de usar a caneta?
De acordo com a bula, as canetas são indicadas para pessoas com IMC a partir de 30 (obesidade) ou acima de 27 quando há comorbidades associadas ao peso, como diabetes tipo 2, hipertensão ou gordura no fígado. Lembrando que o IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.
Na prática clínica, porém, a avaliação vai além do número da balança. Histórico de ganho de peso, predisposição genética, uso de medicamentos que aumentam o apetite, presença de compulsão alimentar e composição corporal também entram na análise.
“Talvez uma pessoa com IMC 26 mas com glicemia de jejum alterada, gordura no fígado e excesso de gordura central possa ter indicação de usar a medicação”, diz a endocrinologista Karen de Marca, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM)
O que não é indicação: uso para perder três ou quatro quilos, para despachar gordura localizada ou para controlar o peso antes de uma viagem, por exemplo.
Quais benefícios posso esperar desses remédios?
O principal benefício é a perda de peso, sobretudo por meio de gordura corporal, embora também possa haver perda de massa magra se não houver atividade física adequada. “Além disso, os estudos mostram melhora de parâmetros metabólicos como glicemia, colesterol, pressão arterial e redução da gordura no fígado”, aponta de Marca.
Há ainda benefícios indiretos: melhora da disposição para atividade física, da autoestima e, no caso da tirzepatida, redução da gravidade da apneia do sono. A longo prazo, a perda de peso sustentada está associada à diminuição do risco de infarto, AVC, alguns tipos de câncer, artrose e doença renal crônica.
“Esses ganhos estão diretamente ligados à normalização do peso e são mais eficazes quando o uso da medicação vem acompanhado de mudanças sustentáveis no estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física”, afirma o endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Quais efeitos colaterais são comuns no tratamento e quais são sinais de alerta?
Os mais frequentes são gastrointestinais, especialmente no início do tratamento. Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos podem ocorrer. Dor de cabeça também se manifesta, muitas vezes associada à desidratação.
Os mais frequentes são gastrointestinais, especialmente no início do tratamento. Náusea, refluxo, distensão abdominal, constipação, diarreia e, em alguns casos, vômitos podem ocorrer. Dor de cabeça também se manifesta, muitas vezes associada à desidratação.
Esses sintomas costumam diminuir com o tempo e podem ser amenizados com ajustes na alimentação, hidratação adequada e progressão gradual da dose.
Entre os sinais de alerta que não são considerados normais e exigem avaliação médica estão: vômitos persistentes ou incontroláveis, dor abdominal contínua, sinais de desidratação (boca seca, redução do volume urinário, tontura), icterícia, dor no peito e alterações de humor importantes.
Fonte: Marie Claire
Curiosidades que todo brasileiro precisa saber sobre câncer de pele
Especialista explica diferenças entre os tipos da doença, sinais de alerta, impacto da exposição solar, fatores de risco, prevenção e avanços no tratamento
Com a chegada do verão, a exposição ao sol aumenta de forma significativa e, com ela, os riscos associados ao câncer de pele, o tipo de tumor mais comum no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a doença responde por cerca de 30% de todos os diagnósticos oncológicos no país e registra mais de 220 mil novos casos por ano, número que tende a crescer nos meses mais quentes. Neste contexto, reconhecer precocemente alterações suspeitas na pele, entender os fatores de risco e adotar medidas de proteção adequadas são atitudes fundamentais para reduzir os danos cumulativos provocados pela radiação ultravioleta.
Para esclarecer dúvidas frequentes da população, o oncologista Mateus Marinho, da Croma Oncologia, rede especializada em tratamentos oncológicos integrados e humanizados, reúne cinco curiosidades essenciais sobre a doença, com foco na prevenção, diagnóstico e as opções de tratamento disponíveis atualmente.
- 1 – Existem dois grupos principais de câncer de pele, com comportamentos muito diferentes.
O câncer de pele é dividido em dois grandes grupos: câncer de pele melanoma e não melanoma. O subtipo não melanoma, que inclui o carcinoma basocelular e o espinocelular, é o mais comum no Brasil. Ele costuma aparecer em pessoas de pele clara, idosos ou quem passou muitos anos exposto ao sol. A boa notícia é que, quando descoberto no início, as chances de cura ultrapassam 90%, o que reforça a importância de reconhecer mudanças na pele.
O câncer de pele do subtipo melanoma, por sua vez, é menos comum, mas muito mais agressivo, com maior chance de gerar metástases, ou seja, espalhar para outros órgãos. Novas lesões de pele ou lesões que mudam seu comportamento com o tempo podem ser consideradas suspeitas, e neste cenário é sempre importante procurar um dermatologista para investigação. A confirmação do tipo de tumor é feita por meio de uma biópsia, analisada em laboratório patologia, o que garante um diagnóstico preciso e assim iniciar o tratamento o mais precoce possível.
2 – A regra do ABCDE, por meio da avaliação da lesão, é uma ferramenta simples e poderosa de identificação.
Ela ajuda a diferenciar uma pinta comum de uma lesão suspeita. A letra A significa assimetria (quando uma metade da pinta é diferente da outra), B representa bordas irregulares ou mal definidas, C indica variação de cor dentro da mesma pinta, D se refere ao diâmetro, geralmente maior que 6 milímetros, e E aponta para evolução, que é qualquer mudança rápida em tamanho, forma, cor ou sintomas.
Além disso, existem sinais que merecem atenção imediata: manchas que sangram sem motivo, doem, ardem, coçam persistentemente ou simplesmente não cicatrizam em até quatro semanas. Muitos melanomas podem surgir em áreas pouco lembradas no dia a dia, como couro cabeludo, unhas, palmas das mãos e sola dos pés, o que reforça a importância do autoexame completo e da avaliação dermatológica sempre que algo parecer fora do padrão.
3 – A exposição solar acumulada é o principal fator de risco, especialmente no verão
A radiação ultravioleta não vem apenas de momentos de lazer na praia ou na piscina; ela está presente no dia a dia, durante caminhadas curtas, no trajeto até o trabalho e até dentro do carro, quando a pele fica próxima às janelas. Com o passar dos anos, esse somatório silencioso de exposição repetida danifica as células e favorece o surgimento de lesões. Alguns grupos merecem atenção ainda maior: pessoas de pele e olhos claros, idosos, quem já teve casos de câncer de pele na família, indivíduos diagnosticados muito jovens ou com episódios recorrentes da doença.
Em todos esses casos, o risco é amplificado porque a pele pode ser mais sensível aos efeitos da radiação ou porque há uma predisposição genética envolvida. O bronzeamento artificial também entra nessa lista de cuidados. As câmaras de bronzeamento utilizam radiação ultravioleta em intensidade elevada, o que acelera o dano celular e aumenta de maneira significativa a probabilidade de aparecimento de tumores. Por isso, especialistas reforçam que esse método não é recomendado e pode trazer prejuízos importantes para a saúde da pele.
4 – Proteção solar adequada não reduz vitamina D e é indispensável mesmo em dias nublados.
O uso diário de protetor solar é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de câncer de pele, principalmente quando combinado com barreiras físicas como bonés, chapéus, roupas com proteção UV e óculos escuros. Essa proteção forma um conjunto que bloqueia boa parte da radiação ultravioleta, responsável pelos danos acumulados ao longo dos anos.
Outra dúvida comum é sobre a vitamina D. O protetor não impede a produção do nutriente, já que a pele continua recebendo radiação suficiente para mantê-la em níveis adequados durante a rotina normal. Além disso, evitar a exposição solar entre 10h e 16h é fundamental. Nesse período, principalmente no verão, o índice UV fica muito elevado, aumentando o risco de queimaduras, danos celulares e o surgimento de alterações suspeitas na pele.
5 – O diagnóstico precoce garante melhores resultados e permite tratamentos menos invasivos.
Quando o câncer de pele é descoberto no início, as chances de cura são muito altas, ultrapassando 90% nos casos de tumores não melanoma. Nessas situações, o tratamento costuma ser simples, geralmente por meio de cirurgia para remover totalmente a lesão.
Em regiões delicadas, como rosto e orelhas, pode ser indicada a cirurgia de Mohs, um procedimento que retira o tumor camada por camada, analisando cada parte no microscópio durante a operação.
Isso permite remover exatamente o que é necessário, preservando o máximo de pele saudável e garantindo um resultado mais preciso.
No melanoma, que é o subtipo mais agressivo, o acompanhamento precisa ser mais cuidadoso porque existe risco maior de o tumor se espalhar para outros órgãos, ou seja, gerar metástases. Para avaliar isso, podem ser solicitados exames de imagem como tomografia ou PET-CT (o que chamamos de estadiamento sistêmico), que permitem uma avaliação completa do corpo e identificar possíveis áreas suspeitas.
Os tratamentos também evoluíram muito nos últimos anos. As chamadas terapias alvo são medicamentos que agem em mutações específicas das células cancerígenas, como a mutação BRAF, que é uma alteração genética presente em parte dos melanomas e faz as células se multiplicarem de forma descontrolada. Quando essa mutação é identificada no exame, existem medicamentos capazes de bloquear esse “motor” da célula tumoral, reduzindo o avanço da doença.
Outra grande revolução é a imunoterapia, que funciona estimulando o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar as células do câncer.
Ela pode ser usada tanto em casos mais avançados quanto após a cirurgia, individualizando cada caso, e assim reduzirmos uma possível recorrência do tumor; Com esses avanços, somados ao diagnóstico precoce, grande parte dos pacientes consegue resultados duradouros e tratamentos menos agressivos.
Calor e umidade impulsionam casos de micoses no verão
Com o calor intenso e a alta umidade do verão, os fungos encontram o ambiente ideal para a proliferação na pele. Um estudo publicado no Jornal de Ciência Médica da Coreia do Sul (2024), que analisou mais de 38 mil casos de infecções dermatofíticas ao longo de dez anos (2014-2024), mostrou que cerca de 42,7% dos episódios de micose ocorreram durante os meses mais quentes do ano. O dado reforça um alerta importante para esta época, marcada pelo uso frequente de piscinas, praias, academias e vestiários compartilhados.
A dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Silvana Coghi, avalia que o aumento dos casos está diretamente ligado aos hábitos do verão. “O calor favorece a transpiração excessiva e, quando a pele permanece úmida por muito tempo, cria-se um cenário perfeito para o desenvolvimento de fungos. Piscinas, duchas coletivas e o compartilhamento de toalhas ou chinelos aumentam ainda mais o risco de contaminação”, explica.
As micoses são infecções comuns que podem atingir diferentes regiões do corpo, como pés, unhas, virilha e dobras da pele. Apesar de não serem consideradas graves na maioria dos casos, exigem atenção, já que o tratamento inadequado pode prolongar o quadro e facilitar a transmissão para outras pessoas.
Tratamento e cuidados indicados
O tratamento das micoses depende do tipo, da região afetada e da gravidade da infecção. De forma geral, a médica destaca que os cuidados podem envolver:
Uso de medicamentos antifúngicos tópicos, como cremes, loções ou sprays, prescritos por um dermatologista;
Em casos mais extensos ou persistentes, indicação de antifúngicos orais, sempre com acompanhamento médico.
• Manutenção da pele limpa e bem seca, principalmente após banho de piscina ou mar;
• Troca frequente de roupas úmidas e preferência por tecidos leves e respiráveis;
• Evitar o compartilhamento de objetos pessoais, como toalhas, calçados e alicates de unha.
“Receitas caseiras ou soluções naturais não substituem o tratamento médico. Elas podem até aliviar sintomas leves, mas não eliminam o fungo. O ideal é procurar um dermatologista ao perceber sinais como coceira, descamação, manchas ou alterações nas unhas”, orienta a Dra. Silvana.
Para a dermatologista, a prevenção ainda é o melhor caminho durante o verão. Secar bem o corpo, usar chinelos em áreas comuns e manter hábitos simples de higiene ajudam a reduzir significativamente o risco de infecção. “Com cuidados básicos e atenção aos primeiros sinais, é possível aproveitar a estação mais quente do ano sem prejuízos à saúde da pele”, finaliza.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo conta com 3 Unidades de hospital geral (Pompeia, Santana e Ipiranga) que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades, cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia e cirurgia robótica. As Unidades possuem Centro de Oncologia e de Hematologia habilitada para realizar o Transplantes de Medula Óssea.
É a primeira Rede de Hospitais fora do Canadá a obter a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional. Além do Selo Amigo do Idoso, a Rede tem os serviços laboratoriais certificados pela PALC e ainda a Certificação Internacional da ABHH nos serviços de Hematologia e Transplante de Medula Óssea.
As Unidades Pompéia, Santana e Ipiranga prestam atendimentos privados que subsidiam as atividades de várias unidades administradas pela São Camilo no país e que atendem pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). No Brasil desde 1922, a São Camilo, que pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, foi fundada por Camilo de Lellis e conta, ainda, com centros de educação, colégios e centros universitários.
Câncer de pele: como identificar manchas suspeitas?
- Dermatologista explica quais os cuidados para a prevenção; doença tem mais de 90% de chance de cura com diagnóstico precoce
- O câncer de pele é o tipo de neoplasia mais frequente no Brasil e no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e é também um dos mais preveníveis. As chances de cura podem chegar a mais de 90% com o diagnóstico precoce e cuidados diários.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que estimam-se 704 mil novos casos da doença ainda em 2025, o que equivale a cerca de 30% de todos os casos de câncer em todo o país.
“Na maioria dos casos, ele pode ser evitado com a mudança de hábitos simples e diários. A radiação UV é o principal fator de risco, e a conscientização sobre o uso correto de barreiras protetoras pode salvar vidas”, destaca o dermatologista do IBCC Oncologia, Dr. Aldo Toschi.
Para o médico, a identificação precoce de lesões suspeitas é importante para o sucesso do tratamento, especialmente no caso do melanoma, que é o tipo mais agressivo. “A recomendação principal é examinar a própria pele mensalmente. Qualquer mudança em pintas ou o aparecimento de novas lesões exige atenção”, orienta Toschi.
Para facilitar a identificação de lesões suspeitas, o dermatologista ressalta a importância da regra do ABCDE:
Assimetria: lados da lesão que não são iguais.
Bordas: contornos irregulares, mal definidos ou recortados.
Cor: diversas cores na mesma pinta (tons de preto, vermelho, marrom, etc.).
Diâmetro: normalmente maior que 6 mm.
Evolução: alterações no tamanho, forma, cor ou o surgimento de coceira e sangramento.
Como se cuidar?
O médico ressalta que pessoas de pele clara e histórico familiar para câncer cutâneo devem sempre procurar métodos de proteção solar, diariamente, mesmo em ambientes fechados ou em dias nublados. A recomendação é utilizar um protetor solar, contra raios UVA e UVB, com FPS mínimo de 30 ou superior.
“A aplicação precisa cobrir todas as áreas expostas, incluindo orelhas, pescoço e lábios, cerca de meia hora antes de se expor ao sol. A eficácia do produto depende da reaplicação a cada duas horas de exposição contínua, ou imediatamente após banhos de mar ou piscina e sudorese intensa”, explica o médico.
Além disso, a exposição solar deve ser evitada ou reduzida entre 10h e 16h, período de maior incidência da radiação solar. O uso de barreiras físicas, como chapéus de abas largas, óculos de sol com 100% de proteção UV e roupas com fator de proteção ultravioleta (FPU) é uma forma de reforçar ainda mais a proteção.
“Outro fator importante para os cuidados com a pele é ter uma dieta balanceada e rica em antioxidantes, como vitaminas A e C e Betacaroteno, que contribuem para a saúde geral da pele, auxiliando na defesa do organismo”, ressalta Toschi.
Também é importante consultar, anualmente, um dermatologista ou em períodos mais curtos para pacientes com risco aumentado ou com histórico pessoal de câncer. “Qualquer ferida que não cicatrize em até quatro semanas é um sinal de alerta e deve ser avaliada por um médico imediatamente”, finaliza.
Sobre o IBCC Oncologia
Fundado em 1968, o IBCC Oncologia é conhecido por ser um Centro de Tratamento Oncológico de alta complexidade e possui um Núcleo de Pesquisa Clínica renomado e reconhecido internacionalmente pelo número de pesquisas realizadas e seus resultados impactantes para a Ciência Médica.
O Hospital sempre esteve à frente de grandes conquistas na Oncologia e construiu uma trajetória marcada por inovação. Um exemplo é a introdução do primeiro mamógrafo no Brasil, em 1971, que representou um marco no tratamento do câncer de mama no país.
Ao longo dos anos, o IBCC também integrou importantes programas de controle do câncer, em âmbito federal e estadual, impactando positivamente a vida de milhares de pessoas.
Hoje, o IBCC Oncologia oferece atendimento em mais de 30 áreas da medicina relacionadas ao câncer, com um corpo clínico altamente qualificado e equipes multiprofissionais que atuam de forma integrada para garantir o cuidado completo ao paciente oncológico.
Especialista alerta sobre cuidados pós-cirúrgicos no verão
Dr. Renato Kalil reforça que equilíbrio, atenção aos sinais do corpo e adesão ao tratamento são essenciais para celebrar o fim de ano com segurança após cirurgia cardíaca
Com a chegada do verão, muitos pacientes que passaram por cirurgia cardíaca, assim como seus familiares, se perguntam quais cuidados devem ser mantidos para celebrar esse período com segurança. De acordo com o cardiologista e cirurgião cardíaco Dr. Renato Kalil, quando o procedimento foi bem-sucedido e o paciente segue corretamente as orientações médicas, não há motivo para medo excessivo ou isolamento social.
Segundo o especialista, pacientes submetidos a cirurgias cardíacas podem retomar uma vida normal, desde que adotem uma rotina equilibrada e respeitem os limites do próprio corpo. “O pós-operatório não deve ser encarado como uma fase de restrições extremas, mas sim como um período de atenção e consciência sobre hábitos que favorecem a recuperação e a saúde cardiovascular a longo prazo”, explica Kalil.
Entre as principais recomendações para esse período estão o repouso adequado, a realização de caminhadas leves, conforme liberação médica, e uma alimentação moderada, com redução no consumo de sal e gorduras. O médico também alerta para a importância de evitar excessos, especialmente no consumo de bebidas alcoólicas, além de não suspender as medicações prescritas, mesmo durante viagens ou confraternizações.
Outro ponto fundamental é a escuta atenta aos sinais do corpo. Sintomas como cansaço excessivo, falta de ar, dor no peito ou palpitações devem ser valorizados e avaliados por um profissional de saúde. “Celebrar é importante, mas sempre com tranquilidade e responsabilidade. O corpo costuma dar sinais quando algo não vai bem”, reforça o cardiologista.
Para o Dr. Renato Kalil, o fim de ano pode, sim, ser vivido com alegria por quem passou por uma cirurgia cardíaca. “Com acompanhamento médico, disciplina no tratamento e escolhas conscientes, é possível aproveitar as festas com segurança, qualidade de vida e confiança”, conclui.
Sobre o especialista
Dr. Renato Kalil é Professor Titular do Departamento de Clínica Cirúrgica da UFCSPA e Professor Emérito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde: Cardiologia, da Fundação Universitária de Cardiologia/Instituto de Cardiologia do RS. É referência nacional em Cirurgia Cardiovascular e Cardiopatias Congênitas, atuando no Hospital Moinhos de Vento, Hospital Divina Providência e Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre.