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Quando pensamos em violência escolar, a mente vai direto para as manchetes mais chocantes: ataques, tiroteios, tragédias que param o país
Mas enquanto focamos nesses eventos extremos (e raros), uma epidemia silenciosa acontece todos os dias, em todas as escolas, afetando a saúde mental de milhões de crianças.
Como mãe, tia, madrinha ou simplesmente como cidadã, você provavelmente já se perguntou: “A escola do meu filho é segura?” Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: “O que está acontecendo com a saúde mental das crianças dentro das escolas?”
A violência escolar vai muito além dos ataques que viram notícia. Ela inclui agressão física, bullying tradicional, cyberbullying, ameaças, vandalismo, porte de armas, e o clima generalizado de insegurança. Não é preciso vivenciar um ataque para ser afetado. O medo, a preocupação e o estresse crônicos já são, por si só, fatores de risco para problemas de saúde mental. A ciência já mapeou os fatores de risco, os sinais de alerta e as intervenções que funcionam. A questão é: estamos prestando atenção?
Um estudo publicado no JAMA Network Open mostrou que aproximadamente um terço dos adolescentes relatou sentir-se muito ou extremamente preocupado com tiroteios e violência em sua escola ou em outras escolas. Em 2018, mais da metade dos estudantes americanos relatou preocupação com a possibilidade de um tiroteio em sua escola. Em 2019, 8,7% dos estudantes do ensino médio nos EUA deixaram de ir à escola pelo menos uma vez no mês anterior por preocupações com segurança — mais que o dobro do registrado em 1993.
O envolvimento em bullying — seja como vítima, agressor ou ambos — está associado a ansiedade, depressão, dificuldades psicossociais e comportamento autolesivo. Meninas são mais afetadas que meninos nos desfechos de saúde mental. A preocupação com violência escolar está associada a maior risco de sintomas de ansiedade generalizada e transtorno de pânico, e pesquisadores sugerem que essas preocupações podem ser uma das explicações para o aumento dos problemas de saúde mental entre adolescentes nas últimas décadas.
Muitos dos jovens envolvidos em violência escolar são, eles mesmos, vítimas de violência em outros contextos. Estudos mostram que transtornos relacionados a trauma (TEPT, transtorno de ajustamento, estresse agudo) na adolescência são fatores de risco para comportamento violento posterior. Violência gera violência — não por “maldade”, mas por mecanismos neurobiológicos e psicológicos que podem ser interrompidos com intervenção adequada.
A escola em que seu filho estuda faz diferença mensurável na saúde mental dele, e o clima escolar é o fator mais importante. Ele se refere à qualidade das relações dentro da comunidade escolar, ao senso de pertencimento, à segurança percebida e ao engajamento com a aprendizagem.
Um estudo longitudinal britânico demonstrou que melhor clima escolar (avaliado pelos próprios estudantes) foi associado a menor risco de depressão, menos dificuldades socioemocionais e maior bem-estar ao longo do tempo. Outro estudo realizado na Índia mostrou que a intervenção que melhorou o clima escolar reduziu sintomas depressivos, experiências de bullying e perpetração de violência.
Já um estudo dinamarquês com mais de 29.000 estudantes evidenciou que 27,5% deles experimentam pelo menos um tipo de desconexão social na escola: falta de apoio de colegas, falta de apoio de professores, baixa coesão de turma, não se sentir parte da comunidade escolar. Cada tipo de desconexão foi associado a mais problemas de saúde mental (depressão, ansiedade, estresse, ideação suicida, autolesão, transtornos alimentares).
Os impactos da violência nas escolas não são restritos aos alunos. A maioria das pesquisas foca em estudantes, mas pouco se sabe sobre o impacto em professores, funcionários, famílias e comunidades. Professores também são vítimas de violência escolar e sofrem consequências de saúde mental, mas raramente são incluídos em estudos ou intervenções.
O que nós, enquanto adultos responsáveis, podemos fazer?
– Converse regularmente com seus filhos sobre a escola, não apenas sobre notas, mas sobre relacionamentos, clima, segurança percebida
– Esteja atento a sinais de que algo não vai bem: mudanças de comportamento, resistência a ir à escola, sintomas de ansiedade ou depressão
– Conheça a escola: qual é a política anti-bullying? Existem programas de aprendizagem socioemocional? Como é o clima escolar?
– Seja uma presença: o envolvimento dos pais na vida escolar é fator de proteção
A violência escolar não é inevitável. Não é “coisa de criança”. Não é problema só da escola. É um problema de saúde pública com soluções conhecidas, que exige atenção, investimento e ação coordenada.
Cada criança que vai à escola com medo, que sofre bullying em silêncio, que carrega traumas não tratados, é uma criança cujo potencial está sendo comprometido, e cada escola que investe em clima positivo, em relações de qualidade, em prevenção baseada em evidências, está construindo não apenas estudantes mais saudáveis, mas uma sociedade mais saudável.
A pergunta não é apenas ‘a escola do meu filho é segura?’ É também: ‘o que estou fazendo para que todas as escolas sejam lugares onde crianças possam aprender, crescer e florescer sem medo?’
* Por Dra. Júlia Xavier, médica em saúde mental da infância, adolescência e adulto.
Fonte: Contauma
Psicóloga Isabelle Batista: a importância do acolhimento
Isabelle Batista é psicóloga, formada pela PUC-Rio, com interesse especial no universo infantojuvenil e nos contextos que o atravessam: a escola e a família
Para ela, embora algumas pessoas consigam cuidar de si sozinhas, o cuidado não precisa ser um processo solitário. Todos precisam de uma rede de apoio — e o processo psicoterapêutico pode ser um caminho importante para fortalecer vínculos e, muitas vezes, construir novas formas de relação consigo e com o outro.
Na clínica, Isabelle já teve a oportunidade de acolher adolescentes, adultos, famílias, casais e crianças.
“Ao longo dessa experiência, compreendi que um dos aspectos mais significativos do trabalho terapêutico é acompanhar de perto a forma singular como cada pessoa encontra a própria maneira de existir no mundo.”
É nesse espaço de escuta que, junto ao paciente, busca abrir caminhos para novos modos de expressão e para que cada um possa se ouvir com mais clareza.
No ambiente escolar, aprendeu a trabalhar com a intensidade e a vitalidade próprias da infância. Como mediadora escolar e auxiliar de turma, ocupou um lugar privilegiado de escuta e observação dos processos infantis — processos densos, mas que, com acolhimento e acompanhamento especializado, favorecem o desenvolvimento de sujeitos mais conscientes de si e do outro.
Sua inspiração, tanto pessoal quanto profissional, é pensar no impacto desses encontros, dos quais ela acredita que ninguém sai ileso. Atualmente, Isabelle realiza atendimentos clínicos para adolescentes e adultos e também atua com mediação e psicologia escolar.
Com ética, compromisso, técnica e humanidade, acredita que o trabalho psicológico pode abrir espaço para transformações importantes e necessárias — e é nesse movimento que reside a força da psicologia.
“Transformações exigem coragem, algo que só pode emergir quando há tempo e espaço para que o processo aconteça” , comenta Isabelle.
Para acompanhar o trabalho dela, siga o perfil no Instagram: @psi.isabellebatista ou entre em contato pelo WhatsApp: (21) 98195-1278.
Autocobrança na maternidade: o preço silencioso de ter que dar conta de tudo
Existe uma ideia que atravessa a maternidade contemporânea de forma quase invisível, mas extremamente potente: a de que a mãe precisa dar conta de tudo, e dar conta bem
Não é só cuidar. É cuidar com presença, com paciência, com leveza, com consistência emocional. É estar disponível, mas também produtiva. É educar, trabalhar, amar, organizar, nutrir, acompanhar… sem falhar. E, se possível, fazendo tudo isso com um sorriso no rosto. O problema é que essa conta não fecha.
Na clínica, isso aparece de forma recorrente. Mulheres exaustas, mas que não se permitem reconhecer o próprio cansaço. Mães que chegam dizendo: “eu sei que não posso reclamar”, “tem gente em situação pior”, “eu escolhi isso”. Como se o sofrimento precisasse de autorização moral para existir.
A autocobrança na maternidade não nasce do nada. Ela é construída socialmente. Vivemos uma época que reforça ideais quase inalcançáveis: a mãe que trabalha como se não tivesse filhos e cria filhos como se não trabalhasse. Esse padrão não é humano é idealizado.
Do ponto de vista psicológico, essa dinâmica costuma gerar um estado constante de inadequação. Porque, inevitavelmente, em algum lugar, a mãe sente que está falhando. E isso alimenta um ciclo: quanto mais ela sente que não está sendo suficiente, mais ela se cobra. E quanto mais se cobra, mais distante fica de qualquer sensação real de suficiência.
Existe também um ponto importante que muitas vezes passa despercebido: a dificuldade de sustentar limites internos. A maternidade convoca entrega, mas não deveria exigir anulação. Winnicott, um pediatra e psicanalista inglês, já apontava que a “mãe suficientemente boa” não é a que acerta sempre, mas é aquela que cuida, falha, repara e, nesse processo, permite que o filho se desenvolva e se torne quem é.
Já acompanhei pacientes que, mesmo extremamente sobrecarregados, não conseguiam delegar tarefas simples. Não por falta de ajuda, mas por uma crença rígida de que “se não for eu, não vai ser bem feito”. Isso não é sobre controle, é sobre valor pessoal atrelado ao desempenho.
E aqui entra uma reflexão fundamental: quando o valor de uma mãe passa a depender do quanto ela consegue dar conta, qualquer limite passa a ser vivido como fracasso. E a consequência disso é silenciosa, mas profunda. A mulher começa a se desconectar de si. Perde a referência do próprio limite, da própria necessidade, do próprio tempo.
E, muitas vezes, só se percebe quando o corpo ou a mente começam a dar sinais mais claros: ansiedade, irritabilidade, culpa constante, sensação de estar sempre atrasada na própria vida.
É importante dizer: a maternidade não precisa ser vivida nesse lugar de exaustão permanente para ser válida. Existe um caminho mais saudável, que passa por reconhecer que dar conta de tudo não é um indicador de competência, é, muitas vezes, um sinal de sobrecarga.
Passa também por aceitar que falhas existem, que cansaço é legítimo e que pedir ajuda não diminui ninguém.
Talvez o ponto central seja esse: sair da lógica da perfeição e entrar na lógica do possível. Porque filhos não precisam de mães perfeitas. Precisam de mães reais. E uma mãe real é aquela que, inclusive, reconhece seus próprios limites, e, ao fazer isso, ensina algo muito mais valioso do que qualquer ideal de desempenho: ensina humanidade.
* Michele Silveira é Psicóloga (CRP 05/26445), mestre em Psicologia pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Logoterapeuta, especialista em transtornos de ansiedade e autora do livro “Ansiedade do Nosso Tempo: do Mecanismo de Sobrevivência ao Adoecimento Silencioso”.
Ao longo de mais de 25 anos, construiu um olhar próprio sobre a ansiedade na contemporaneidade, desenvolvendo, assim, um modelo de compreensão clínica denominado “Ansiedade Pré-Conquista”. Atende em sua clínica, no Vogue Square, Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Greyce Anne Tardelli: maturidade emocional como base para empreender e cuidar
Com mais de 30 anos de atuação, Greyce Anne construiu uma trajetória dedicada ao cuidado emocional e ao fortalecimento de mulheres. Psicóloga, empreende com propósito, ajudando profissionais, especialmente mulheres bem-sucedidas, a atravessarem crises, transições e rupturas com mais clareza, autonomia e dignidade emocional.
“O maior desafio ao longo do caminho foi aprender a não se abandonar enquanto cuidava dos outros”, afirma a psicóloga.
Durante muitos anos, sustentou responsabilidades e estruturas que exigiam força constante, mas pouco espaço para acolher as próprias emoções.
Desse processo, nasceu um aprendizado essencial: não existe sucesso verdadeiro sem coerência emocional. Hoje, ela empreende com mais consciência, limites claros e escolhas alinhadas aos seus valores.
Greyce Anne se inspira em mulheres que aparentam força, mas chegam emocionalmente exaustas. Com uma abordagem que integra a Terapia Sistêmica e a Terapia Cognitivo Comportamental, oferece suporte em momentos de crise e transição.
Sua própria história, com todas as dores vividas, transformou-se em recurso terapêutico e instrumento de cura para outras mulheres.
Para acompanhar o trabalho de Greyce Anne, siga o perfil no Instagram: @psicologa.greyceanne ou entre em contato pelo telefone/WhatsApp: (21) 98124-0116.
Especialista dá dicas para reprogramar o cérebro e mudar em 2026
Psicóloga e neurocientista Anaclaudia Zani aborda a importância de não auto sabotar o próprio cérebro, transformando resoluções em resultados verdadeiros e fazendo de 2026 um ano em que as mudanças realmente acontecem
Há poucos dias do término de 2025, é comum que a maioria das pessoas esteja revisando metas, estabelecendo novos objetivos e reafirmando intenções para o próximo ano. Para muitos é o momento de “virar a página”, dar um “reset” na vida. No entanto, a realidade é bem diferente e estudos indicam que até 80% das pessoas abandonam suas promessas antes de fevereiro, ou seja, o que antes significava motivação pode acabar virando frustração.
A neurocientista e psicóloga Anaclaudia Zani, especialista em comportamento humano com 30 anos de pesquisa na área, ajuda a entender o porquê isso acontece e como evitar a auto sabotagem. Não é falta de disciplina, é o cérebro operando em modo de autoproteção, priorizando hábitos antigos e atalhos mentais já consolidados.
“O cérebro é um processador de informações. Somos nós que mandamos nele, então depende muito de como interpretamos o mundo e vamos narrando pra ele e assim ele vai reagindo. É assim que funciona. Nesse sentido, a procrastinação para o cérebro está muito ligada à crítica da pessoa. O medo da frustração de não sair tão bem feito faz com que ela nem faça. Isso é a tal procrastinação e o que as pessoas precisam entender é que é melhor dar o primeiro passo sem necessariamente ser perfeito, pois tudo tem um processo”, explica Anaclaudia, que é criadora da EITA Mentora Virtual, primeira IA que ajuda as pessoas a racionalizar as emoções.
Segundo a especialista, colocar em prática as metas estabelecidas vai muito além da disciplina ou da força de vontade: reside na estrutura cerebral e nos vieses psicológicos que regem nosso comportamento. O cérebro humano é programado para repetir comportamentos familiares, economizar energia e evitar esforços cognitivos elevados, exatamente o oposto do que exigem as mudanças de comportamento.
Mas, afinal, por que o cérebro sabota nossos planos?
A especialista explica que rodando meio que no “piloto automático”, o cérebro tende a preferir atalhos neurais já consolidados. Hábitos e caminhos antigos, mesmo que ruins, são mais confortáveis do que os novos. Mudanças exigem novas conexões neurais, o que demanda esforço, tempo e constância para o organismo, que cria meio que uma resistência, dificultando que novas rotinas se iniciem.
Motivação sem recompensa imediata logo acaba. Ao estabelecer metas, o cérebro libera dopamina – neurotransmissor que regula a motivação, o prazer, a libido e outras funções, mas quando os resultados demoram, a motivação logo vai embora e o cérebro volta aos padrões e ao conforto dos hábitos antigos.
Metas vagas e objetivos abstratos confundem o cérebro, assim como o excesso deles gera sobrecarga cognitiva. É preciso ter clareza sobre como agir mantendo o foco. Evitar resoluções como “entrar em forma”, “cuidar da saúde”, pois são metas amplas demais e que carecem de especificidade. Devemos mostrar ao cérebro como agir para que ele não volte ao automático e não desista rapidamente.
Otimismo excessivo sobre a própria capacidade de mudar e a subestimação dos obstáculos, também é uma maneira do cérebro se autosabotar. As promessas precisam sobretudo serem realistas. O excesso de otimismo faz com que as pessoas superestimem sua capacidade de mudança e subestimem obstáculos. O primeiro tropeço gera frustração e abandono da meta.
Reprogramando o cérebro para 2026
Anaclaudia Zani aponta para a parte biológica do cérebro: “Não há culpa na falha, há biologia. O cérebro não é fixo, é maleável, poupa chance real de mudança”. Por isso, ela elenca algumas maneiras para reprogramar o cérebro para o próximo ano, lembrando que a mudança só se estabiliza a partir do momento em que vira hábito:
Defina e estabeleça metas claras, específicas e realistas. Troque “vou me exercitar”, por: “caminhar 20 minutos 3 vezes por semana”. Quanto mais concreto e factível, melhor para a mente. Metas claras reduzem a sobrecarga mental e dão um “mapa” claro para o cérebro seguir.
Não faça mudanças radicais, pois tendem a falhar. Comece com passos pequenos, mas que tenham consistência. Lembre-se sempre: hábitos pequenos e frequentes a mente fixa melhor. A neuroplasticidade – capacidade do sistema nervoso de mudar, aprender e adaptar a sua forma e função ao longo da vida, em resposta a estímulos, experiências, aprendizado, lesões ou doenças, se beneficia da repetição gradual.
Como o cérebro gosta de resultados rápidos, pequenas recompensas e reforços positivos são bem vindos e ajudam o cérebro a consolidar o comportamento.
Autocompaixão, paciência e resiliência sempre e nada de culpa! Errou? Recomece e não se puna! A culpa bloqueia o aprendizado. A Autocrítica sabota nosso cérebro a ativar mecanismos de stress e medo. O foco deve ser no progresso e não na perfeição.
- Compartilhe metas com amigos, família, ou mesmo grupos de apoio e acompanhe os progressos periodicamente. A mente entende isso como um sinal de comprometimento e responsabilidade social, fortalecendo o novo objetivo.
“É preciso entender o cérebro e seus mecanismos cerebrais e que ele é nosso aliado antes de traçar qualquer meta no papel. Começar a usar a neurociência e a psicologia a favor das intenções pode fazer com que 2026 seja realmente diferente e transformador”, conclui.
Sobre Anaclaudia Zani
Anaclaudia Zani Ramos é psicóloga, neurocientista e pesquisadora em Neurociência e Desenvolvimento Humano há 30 anos. Criadora do Método InLuc (Inteligência – Liberdade Única Conquistada), reconhecido em congressos internacionais, desenvolve trabalhos com neurociência aplicada voltados para mudanças comportamentais mensuráveis. Atua com foco em alta performance com executivos de grandes empresas como Google e Meta, além de atletas profissionais.
É palestrante, escritora e fundadora da startup EITA (Elevar a Inteligência a Treino de Autopercepção), plataforma pioneira de apoio emocional em tempo real que recentemente captou R$ 1 milhão em rodada angel. Anaclaudia também é criadora da Mentora Virtual, primeira IA que ajuda na racionalização das emoções.
Especialista dá 5 dicas para reprogramar o cérebro e não sabotar os planos em 2026
Psicóloga e neurocientista Anaclaudia Zani aborda a importância de não auto sabotar o próprio cérebro, transformando resoluções em resultados verdadeiros e fazendo de 2026 um ano em que as mudanças realmente acontecem
Há poucos dias do término de 2025, é comum que a maioria das pessoas esteja revisando metas, estabelecendo novos objetivos e reafirmando intenções para o próximo ano. Para muitos é o momento de “virar a página”, dar um “reset” na vida. No entanto, a realidade é bem diferente e estudos indicam que até 80% das pessoas abandonam suas promessas antes de fevereiro, ou seja, o que antes significava motivação pode acabar virando frustração.
A neurocientista e psicóloga Anaclaudia Zani, especialista em comportamento humano com 30 anos de pesquisa na área, ajuda a entender o porquê isso acontece e como evitar a auto sabotagem. Não é falta de disciplina, é o cérebro operando em modo de autoproteção, priorizando hábitos antigos e atalhos mentais já consolidados.
“O cérebro é um processador de informações. Somos nós que mandamos nele, então depende muito de como interpretamos o mundo e vamos narrando pra ele e assim ele vai reagindo. É assim que funciona. Nesse sentido, a procrastinação para o cérebro está muito ligada à crítica da pessoa. O medo da frustração de não sair tão bem feito faz com que ela nem faça. Isso é a tal procrastinação e o que as pessoas precisam entender é que é melhor dar o primeiro passo sem necessariamente ser perfeito, pois tudo tem um processo”, explica Anaclaudia, que é criadora da EITA Mentora Virtual, primeira IA que ajuda as pessoas a racionalizar as emoções.
Segundo a especialista, colocar em prática as metas estabelecidas vai muito além da disciplina ou da força de vontade: reside na estrutura cerebral e nos vieses psicológicos que regem nosso comportamento. O cérebro humano é programado para repetir comportamentos familiares, economizar energia e evitar esforços cognitivos elevados, exatamente o oposto do que exigem as mudanças de comportamento.
Mas, afinal, por que o cérebro sabota nossos planos?
A especialista explica que rodando meio que no “piloto automático”, o cérebro tende a preferir atalhos neurais já consolidados. Hábitos e caminhos antigos, mesmo que ruins, são mais confortáveis do que os novos. Mudanças exigem novas conexões neurais, o que demanda esforço, tempo e constância para o organismo, que cria meio que uma resistência, dificultando que novas rotinas se iniciem.
Motivação sem recompensa imediata logo acaba. Ao estabelecer metas, o cérebro libera dopamina – neurotransmissor que regula a motivação, o prazer, a libido e outras funções, mas quando os resultados demoram, a motivação logo vai embora e o cérebro volta aos padrões e ao conforto dos hábitos antigos.
Metas vagas e objetivos abstratos confundem o cérebro, assim como o excesso deles gera sobrecarga cognitiva. É preciso ter clareza sobre como agir mantendo o foco. Evitar resoluções como “entrar em forma”, “cuidar da saúde”, pois são metas amplas demais e que carecem de especificidade. Devemos mostrar ao cérebro como agir para que ele não volte ao automático e não desista rapidamente.
Otimismo excessivo sobre a própria capacidade de mudar e a subestimação dos obstáculos, também é uma maneira do cérebro se autosabotar. As promessas precisam sobretudo serem realistas. O excesso de otimismo faz com que as pessoas superestimem sua capacidade de mudança e subestimem obstáculos. O primeiro tropeço gera frustração e abandono da meta.
Reprogramando o cérebro para 2026
Anaclaudia Zani aponta para a parte biológica do cérebro: “Não há culpa na falha, há biologia. O cérebro não é fixo, é maleável, poupa chance real de mudança”. Por isso, ela elenca algumas maneiras para reprogramar o cérebro para o próximo ano, lembrando que a mudança só se estabiliza a partir do momento em que vira hábito:
• Defina e estabeleça metas claras, específicas e realistas. Troque “vou me exercitar”, por: “caminhar 20 minutos 3 vezes por semana”. Quanto mais concreto e factível, melhor para a mente. Metas claras reduzem a sobrecarga mental e dão um “mapa” claro para o cérebro seguir.
• Não faça mudanças radicais, pois tendem a falhar. Comece com passos pequenos, mas que tenham consistência. Lembre-se sempre: hábitos pequenos e frequentes a mente fixa melhor. A neuroplasticidade – capacidade do sistema nervoso de mudar, aprender e adaptar a sua forma e função ao longo da vida, em resposta a estímulos, experiências, aprendizado, lesões ou doenças, se beneficia da repetição gradual.
• Como o cérebro gosta de resultados rápidos, pequenas recompensas e reforços positivos são bem vindos e ajudam o cérebro a consolidar o comportamento.
• Autocompaixão, paciência e resiliência sempre e nada de culpa! Errou? Recomece e não se puna! A culpa bloqueia o aprendizado. A Autocrítica sabota nosso cérebro a ativar mecanismos de stress e medo. O foco deve ser no progresso e não na perfeição.
- • Compartilhe metas com amigos, família, ou mesmo grupos de apoio e acompanhe os progressos periodicamente. A mente entende isso como um sinal de comprometimento e responsabilidade social, fortalecendo o novo objetivo.
“É preciso entender o cérebro e seus mecanismos cerebrais e que ele é nosso aliado antes de traçar qualquer meta no papel. Começar a usar a neurociência e a psicologia a favor das intenções pode fazer com que 2026 seja realmente diferente e transformador”, conclui.

Sobre Anaclaudia Zani
Criadora do Método InLuc (Inteligência – Liberdade Única Conquistada), reconhecido em congressos internacionais, desenvolve trabalhos com neurociência aplicada voltados para mudanças comportamentais mensuráveis. Atua com foco em alta performance com executivos de grandes empresas como Google e Meta, além de atletas profissionais. É palestrante, escritora e fundadora da startup EITA (Elevar a Inteligência a Treino de Autopercepção), plataforma pioneira de apoio emocional em tempo real que recentemente captou R$ 1 milhão em rodada angel. Anaclaudia também é criadora da Mentora Virtual, primeira IA que ajuda na racionalização das emoções.