Moda

Melissa Susan Fang: designer chinesa assina collab inspirada na natureza

A coleção Melissa Susan Fang lança três modelos com flores esculturais, transparências e tons pastel

 

A Melissa lançou na terça-feira (17.03) uma nova colaboração com a estilista chinesa Susan Fang. Batizada Melissa Susan Fang, a coleção reinterpreta três silhuetas da marca brasileira com flores esculturais, transparências e uma paleta de cores pastel – elementos que dialogam com o universo delicado e inspirado na natureza que marca o trabalho da designer radicada em Londres.

 

‘Estamos muito animados em trabalhar com a Melissa porque sempre admiramos as colaborações da marca”, diz Susan. “Tenho a sensação de que talvez nenhuma outra empresa de calçados consiga criar um sapato tão etéreo quanto a Melissa.”

 

Parte do conceito nasce da pesquisa que a designer desenvolve há anos sobre padrões naturais e crescimento orgânico. “Tentamos criar elementos que parecessem ter florescido, em vez de algo feito por humanos”, explica o designer industrial Orelio De Jonghe, chefe de design de calçados e acessórios do estúdio de Susan Fang e ex-designer industrial sênior da Dyson. “Usamos padrões que também existem na natureza”, completa ele.

 

A tecnologia teve papel importante nesse processo. Segundo Susan, softwares normalmente utilizados em animação digital ajudaram a simular a forma como as flores se desenvolvem. “Utilizamos programas como o Houdini, em que você pode literalmente inserir fórmulas da natureza”, conta. “Assim as flores crescem da maneira orgânica e não de forma artificial.”

 

A transparência característica da Melissa também serviu de base para o desenvolvimento dos modelos. “Nós amamos como a marca consegue criar sapatos transparentes que parecem um sonho”, diz a designer. “Então quisemos levar isso ainda mais longe, criando uma transição entre opacidade e efeitos translúcidos.”

 

A coleção apresenta três modelos: Melissa Luna Bloom, uma sapatilha esportiva com aplicações florais; Melissa Daphnis Ballerina, releitura delicada da clássica bailarina; e Melissa Possession Platform Sakura, nova versão do modelo Possession com plataforma e detalhes tridimensionais.

 

Além da dimensão estética, as flores presentes nos modelos também carregam um significado simbólico. “Escolhemos uma flor que simboliza sorte e amor”, afirma Susan. “Gostamos da ideia de que o design também possa trazer mensagens positivas.”

 

Fundada em 2017, logo após sua formação na Central Saint Martins, a marca Susan Fang ficou conhecida por explorar tecidos experimentais, transparências e estruturas 3D inspiradas em padrões da natureza. “Quando desenhamos seguindo esse equilíbrio orgânico, encontramos uma sensação de harmonia”, fala a designer.

 

“Esperamos que, quando usem nossas criações, sintam um pouco mais de esperança e um pouco mais de alegria.”Os modelos da collab Melissa Susan Fang estão disponíveis desde terça-feira (17.03) na Galeria Melissa São Paulo, no e-commerce da marca e em Clubes Melissa e multimarcas selecionados.

Moda

O que Emily em Paris revela sobre o desejo contemporâneo de moda, luxo e identidade

O retorno de Emily em Paris marca um novo capítulo na relação entre moda, narrativa e comportamento. Na quinta temporada, a mudança de cenário acompanha um amadurecimento evidente da personagem principal.

 

Após anos em Paris, Emily amplia sua vivência europeia e passa a circular por cidades italianas, como Veneza e Roma, movimento que se reflete diretamente no figurino. A moda segue ousada e expressiva, mas agora com uma leitura mais refinada, onde silhuetas, tecidos e cores dialogam com referências clássicas do cinema e da moda europeia.

 

A estética da nova temporada revela um equilíbrio entre presença visual e sofisticação. Alfaiataria bem construída, tecidos imponentes e escolhas cromáticas mais conscientes aparecem como sinais de uma moda que evolui junto com a personagem. As produções continuam marcantes, mas ganham camadas de elegância atemporal, reforçando o valor do vestir como linguagem cultural.

 

Referências ao cinema italiano dos anos 1950, ao preto e branco clássico, as estampas e padronagens clássicas como os póas, se unem ao estilo que remete a ícones femininos como Sophia Loren e Claudia Cardinale, surgindo de forma sutil na construção dos looks. Há também ecos da estética francesa de Saint-Germain-des-Prés, onde moda, arte e comportamento sempre caminharam juntos. Essa combinação cria uma narrativa visual que conecta passado e presente, tradição e modernidade, traduzindo um luxo menos literal e mais simbólico.

 

O sucesso da série reforça um movimento já perceptível no consumo de moda: cresce o interesse por peças que comunicam identidade. O luxo é menos silencioso ao se aproximar dos excessos visuais, bem calculados, criando diálogos com emoção, personalidade e história. Tecidos, cores e modelagens deixam de ser escolhas puramente estéticas e passam a acompanhar diferentes momentos da rotina, equilibrando impacto visual e conforto. Essa leitura dos movimentos culturais globais é essencial para marcas que interpretam a moda como reflexo do comportamento contemporâneo.

 

Para Ana Paula Aguiar, diretora criativa da Deep, o interesse crescente por referências como as usadas na séries, evidencia o papel da moda como expressão individual.

 

“Quando a moda se conecta à narrativa e ao comportamento, ela deixa de ser apenas estética e passa a fazer parte da forma como as pessoas se posicionam no mundo. O vestir ganha intenção, identidade e significado, e é isso que buscamos traduzir em cada coleção”, afirma.

 

Ao sair da tela e ganhar as ruas, a moda apresentada na série se transforma em referência cotidiana. O que antes era figurino passa a inspirar escolhas reais, influenciando o modo como as pessoas combinam cores, tecidos e silhuetas no dia a dia.

 

No estilo do dia a dia, a moda urbana, das ruas, dos cafés e ambientes de trabalho, todos se tornam espaços de expressão, onde o desejo por consumir moda se conecta à vontade de comunicar o que não precisa ser dito. Assim, a moda além do espetáculo se consolida como parte ativa da vida real.