Saúde & Bem-estar

Autismo em mulheres: diagnóstico costuma chegar apenas na vida adulta

Especialista em psicologia da UNIASSELVI explica como fatores sociais e comportamentais como pressão e adaptação do ambiente no entorno, contribuem para o subdiagnóstico, gerando consequências para vida adulta

 

No Brasil, onde se estima que a população com TEA possa chegar a 2 milhões de pessoas de acordo com último levantamento da Agência IBGE. Esse cenário de subdiagnóstico feminino tem se agravado de forma remanescente. O problema é que fatores sociais e comportamentais, como a pressão para que meninas sejam mais quietas e sociáveis, criam uma cortina de fumaça que esconde os sinais, levando a uma vida inteira de dificuldades não diagnosticadas, como ansiedade e depressão.

 

De acordo com a professora de psicologia da UNIASSELVI, Gabriela Inthurn, a explicação para essa lacuna está na forma como os traços autistas se manifestam socialmente no público feminino. “O grande desafio no diagnóstico feminino é que ele é frequentemente mais sutil e camuflado por um enorme esforço de adaptação social, conhecido como ‘masking’. Muitas mulheres aprendem a imitar comportamentos para se encaixar, o que mascara os traços clássicos do autismo e engana até mesmo avaliadores menos experientes”, pontua a especialista.

 

Esse fenômeno, portanto, é um dos principais responsáveis por uma legião de mulheres que chegam à vida adulta sem respostas. Já o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, aponta que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é diagnosticado de três a quatro vezes mais no sexo masculino do que no feminino. Essa disparidade ocorre mesmo que os critérios diagnósticos, ou seja, os sinais observados e os sintomas informados pela pessoa, sejam os mesmos para todos os gêneros, e que o diagnóstico em mulheres tende a ser mais tardio.

 

O peso do “masking”

 

Desde cedo, meninas no espectro aprendem a observar e imitar comportamentos neurotípicos para se encaixarem, tornando-se verdadeiras “atrizes sociais”. Esse processo, muitas vezes inconsciente, envolve um conjunto de estratégias exaustivas: forçar o contato visual mesmo que seja desconfortável, ensaiar conversas mentalmente, suprimir movimentos repetitivos (stims) e imitar expressões faciais de colegas. Embora seja uma tática de sobrevivência para evitar o isolamento e o preconceito, essa performance constante desconecta a mulher de sua identidade autêntica e drena sua energia mental e emocional.

 

“O masking é a tentativa da pessoa autista, especialmente as mulheres, de mascarar os comportamentos autistas. É um conjunto de estratégias que a pessoa utiliza para tentar ocultar ou minimizar comportamentos do transtorno, muitas vezes para evitar julgamentos, e isso pode dificultar o diagnóstico”, pontua Gabriela.

 

Sinais sutis e os impactos na saúde mental

 

Uma das razões para essa dificuldade no diagnóstico está na natureza dos interesses restritos, ou hiperfocos. Enquanto em meninos é comum o foco em temas como dinossauros ou meios de transporte, em meninas, esses interesses podem se voltar para assuntos considerados mais “comuns”, como literatura, artes ou animais, passando despercebidos.

 

O esforço contínuo para se adaptar, somado à falta de um diagnóstico que explique suas dificuldades, tem um custo elevado para a saúde mental. “Um diagnóstico tardio traz prejuízos, independente do gênero, porque em muitos casos a intervenção só acontece após o diagnóstico. A importância da intervenção precoce é sempre comentada na literatura, e quando ela não ocorre pode trazer prejuízo na aprendizagem, nos relacionamentos, na vida profissional do adulto e principalmente na autoestima”, explica a professora.

 

Diagnóstico e seus desafios   

 

O modelo de diagnóstico do autismo foi, por muito tempo, construído a partir de um protótipo masculino. Como consequência, muitos profissionais de saúde não foram treinados para reconhecer as manifestações mais internalizadas ou socialmente camufladas do transtorno em meninas e mulheres. Com isso, os sinais que não se encaixam no estereótipo clássico são frequentemente descartados ou atribuídos a outras condições, como ansiedade, depressão ou transtorno de personalidade, reforçando o ciclo do subdiagnóstico.

 

“Na história do próprio transtorno, os conhecimentos e critérios de diagnóstico estiveram sempre baseados no gênero masculino, que era aquele mais prevalente, levando para que muitos sinais e sintomas sejam ainda baseados no comportamento conhecido como masculino”, afirma a psicóloga.

 

Como buscar ajuda

 

A jornada para o diagnóstico em mulheres adultas geralmente começa com a autoidentificação, muitas vezes impulsionada por relatos e conteúdo em redes sociais. Embora esse movimento de reconhecimento seja um passo inicial importante e validador, a etapa seguinte é crucial: buscar uma avaliação clínica estruturada. O objetivo vai além de confirmar um rótulo; um profissional especializado poderá fazer o diagnóstico diferencial, ou seja, distinguir o TEA de outras condições com sintomas sobrepostos, como TDAH ou transtornos de ansiedade e, principalmente, traçar um plano de suporte terapêutico personalizado.

 

“O diagnóstico de autismo pode ser realizado por um psicólogo ou médico. É recomendado que, ao suspeitar, o adulto ou os pais (no caso de crianças) procurem um profissional da Psicologia para realizar uma avaliação. É importante ressaltar que não existe autodiagnóstico em saúde mental, é preciso que a pessoa passe por uma avaliação de um profissional qualificado”, finaliza a professora.

 

Sobre a UNIASSELVI

 

A UNIASSELVI é uma das maiores instituições de ensino superior do Brasil, com mais de 500 cursos entre Graduação, Pós-Graduação, Técnicos e Profissionalizantes, ofertados nas modalidades presencial, semipresencial e a distância (EAD). Presente em todos os estados brasileiros, conta com mais de 1,3 mil polos e 16 unidades presenciais. É reconhecida como a única instituição de grande porte nacional com nota máxima no Recredenciamento Institucional concedido pelo Ministério da Educação (MEC).

Colunistas

O “Ano do Sim”: o dia em que dizer “sim” deixou de ser leve e virou necessário

Existe um momento na vida em que você percebe que não está mais dizendo “não” para o mundo. Você está dizendo não para si mesma.

 

E foi exatamente desse lugar que nasceu a vivência “O Ano do Sim”. Ela não surgiu como uma ideia de evento. Ela surgiu como um chamado. Eu e Rose Vieira nos encontramos no mesmo ponto interno: era hora de abrir um campo de cura que não cabia mais só na teoria.

 

Criamos juntas. Sentindo. Escutando. Sendo guiadas.

E o que aconteceu ali… não foi comum.

Não foi um evento. Foi um campo.
Não era sobre assistir. Era sobre se atravessar.

Cacau. Rapé. Apometria. Hipnose. Meditações. Dança.

Mas nenhuma dessas práticas, sozinha, explica.

O que aconteceu foi um encontro com tudo aquilo que estava sendo evitado há anos.

 

E quando isso acontece não existe como sair igual.

A intenção nunca foi “curar”.

Mostrar onde cada pessoa ainda se negava.

Onde repetia padrões.

 

Onde dizia “não” para a própria vida.

Porque o verdadeiro “sim” só nasce quando o “não” é visto e integrado.

O momento em que tudo mudou.

O ponto de virada.

Durante a condução, eu falei de um lugar que não era racional.

Era profundo. Cru. Verdadeiro.

Ali, eu não estava conduzindo.

Eu estava sendo atravessada junto com o grupo.

Na hipnose, acessamos traumas que já estavam no corpo.

E o que veio não foi desespero. Foi liberação.

 

Quando o campo fala, quem conduz também é atravessado

 

Rosi descreve o evento “O Ano do Sim” como uma experiência profunda de transformação e expansão de consciência, que impactou todos os participantes antes, durante e depois do encontro. Ela destaca a liberação emocional, a cura de padrões e a força do trabalho energético vivido no evento.

 

Também ressalta a importância da presença do sagrado masculino, tornando a experiência ainda mais especial, e o impacto das práticas terapêuticas como a apometria e o rapé na reconstrução emocional.

 

Por fim, ela reflete que o encontro trouxe aprendizados essenciais: quem cura também é curado, é fundamental estar em ambientes que fortaleçam a essência, e dizer “sim” para a vida exige reconhecer e sustentar os próprios “nãos”.

 

Quando a resistência é o portal

 

E talvez um dos relatos mais fortes tenha vindo antes mesmo da vivência começar. A participante Camila Paula, 42 anos, compartilhou:

 

“Na semana que antecedeu o retiro, senti medo, ansiedade e até pânico de viajar — o que não é comum pra mim, porque sou tranquila e adoro viajar. Mas permaneci firme e entendi que era algo que eu precisava atravessar para acessar o próximo patamar da minha vida. E foi exatamente isso que aconteceu. O evento me proporcionou vivenciar minha própria medicina em mim — algo que eu já acessava, mas ainda não tinha vivido com profundidade. A cura foi revelada. Meus mentores se fizeram presentes com toda a orientação necessária para o meu crescimento profissional. Saio com amor, gratidão e a certeza de que tudo é exatamente como tem que ser. Os sinais mostram o caminho. Basta acreditar”, disse Camila Paula.

 

A transformação que ninguém esperava

 

Não foi sobre aparência. Foi sobre presença. No início do dia: corpos tensos, olhares cansados, energia retraída.

Ao final: leveza, expansão, olhos brilhando. Mas, acima de tudo: verdade.

Sem máscaras.

Sem performance.

Sem necessidade de se esconder.

 

Então… o que é dizer “sim” para a vida?

Não é sobre aceitar tudo.

Não é sobre positividade.

 

Dizer “sim” para a vida é: parar de fugir do que precisa ser visto
sustentar os próprios “nãos” com maturidade e escolher, conscientemente, viver a própria verdade.

 

Mesmo quando isso exige atravessar desconfortos. Porque, no fim o verdadeiro “sim” não é leve. Ele é honesto. E é isso que liberta.

Quem viveu não volta para o mesmo lugar interno.

 

* Por Emi Moraes – psicoterapeuta especializada em emagrecimento comportamental e criadora do método “Emagreça de Dentro pra Fora”.

Instagram: @euemi_moraes.  Áudios motivacionais gratuitos: clique aqui!

Colunistas

Feminicídio: quando uma mulher pede socorro o mundo deve ouvir

O feminicídio que chocou o país no final de abril envolvendo o caso da miss, não é apenas mais uma notícia triste. É mais um grito que chegou tarde demais

 

Mais uma mulher que talvez tenha sofrido em silêncio, com medo, cercada por ameaças, controle e dor emocional até que sua vida fosse interrompida de forma brutal.

 

Vizinhos chamem a polícia!

 

  • Mas a verdade é que muitas mulheres morrem antes da morte física:

 

  • • Morrem quando perdem a paz dentro de casa.
  • • Morrem quando vivem com medo constante.
  • • Morrem quando deixam de sorrir.
  • • Morrem quando são humilhadas diariamente.
  • • Morrem quando se sentem sozinhas, desacreditadas e sem saída.
  • • Morrem quando um relacionamento abusivo tira sua esperança de viver.

 

Nem toda violência deixa marcas no corpo. Muitas deixam marcas profundas na alma. Como advogada atuante na defesa de mulheres vítimas de violência doméstica, acompanho histórias de dor que poderiam ter sido evitadas se alguém tivesse estendido a mão a tempo.

 

Por isso, faço um apelo à sociedade: não ignorem os sinais. Se você conhece uma mulher que vive isolada, triste, controlada, sendo ofendida, ameaçada ou demonstrando medo do companheiro, não se cale. Muitas vítimas não conseguem pedir ajuda diretamente. Às vezes, um simples “estou aqui com você” pode ser o começo do recomeço.

 

Ajude, oriente, acolha. Incentive a denunciar. Chame a família. Acione as autoridades quando necessário. Salvar uma vida nem sempre significa impedir uma morte física.

 

Às vezes, significa devolver a paz, a dignidade e a vontade de viver de uma mulher que já estava destruída por dentro:

  • • Nenhuma mulher merece viver aprisionada pelo medo.
  • • Nenhuma mulher merece amar e receber violência em troca.
  • • Nenhuma mulher merece perder a própria identidade dentro de uma relação abusiva.

 

Que casos como esse não sirvam apenas para gerar comoção momentânea, mas para despertar consciência coletiva. Toda mulher precisa saber que não está sozinha. E toda sociedade precisa entender que proteger mulheres é dever de todos nós.

 

Se você conhece alguém passando por isso, ajude essa pessoa. Você pode estar salvando uma vida.

 

* Por Dra. Cátia Vita, advogada – Defesa da Mulher e Violência Doméstica.

Tel:  (21) 96404-7800
Instagram: @catiavita

Comportamento

Estudo revela que 65% das mulheres não se sentem seguras para caminhar a noite sozinha

Análise inédita mostra que insegurança urbana restringe mobilidade, convivência e lazer e coexiste com o maior índice de otimismo já registrado entre brasileiros

 

Para a maioria das mulheres brasileiras, circular sozinha à noite não é um risco calculado. Dados do estudo O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, conduzido pela pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia, mostram que 65% das mulheres não se sentem seguras para caminhar sozinhas após o anoitecer. Entre os homens, o índice é de 40%, considerado alto para revelar que o problema não é de gênero apenas, mas de cidade.

 

No total, 53% dos brasileiros relatam essa restrição no cotidiano. Um número que, segundo a pesquisa, não se limita à percepção de violência, ele molda escolhas concretas sobre onde ir, com quem, em que horário. A insegurança deixou de ser uma estatística e passou a ser um organizador da rotina urbana.

 

Desconfiança que vem de cima

 

O dado de mobilidade não aparece sozinho. Ele integra um quadro mais amplo de erosão da confiança: 81% dos brasileiros percebem a corrupção como generalizada no governo e 66% nas empresas. Para Renata Rivetti, os dois fenômenos se alimentam. “Bem-estar não depende apenas de fatores individuais. Ele exige condições externas como segurança, confiança, previsibilidade, que permitem às pessoas viver com mais liberdade”, afirma.

 

Quando essas condições faltam de forma sistêmica, o impacto vai além do medo de sair à noite. Afeta a percepção de pertencimento, a disposição para o convívio social e, em última instância, a qualidade dos vínculos que sustentam o bem-estar coletivo.

 

O otimismo que resiste

 

O que a pesquisa revela com igual força é o que acontece apesar desse cenário. Mesmo diante da insegurança cotidiana e baixa confiança institucional, 93% dos brasileiros afirmam ter esperança em dias melhores, sendo 67% de forma plena e 27% ao menos parcialmente.

Não é ingenuidade. É, segundo Rivetti, uma forma ativa de resistência. “O brasileiro desconfia das instituições, mas continua acreditando no futuro. Essa resiliência é real, mas não pode ser confundida com ausência de problemas estruturais que precisam ser enfrentados”, explica.

 

Os números emocionais da pesquisa traduzem essa tensão com precisão: 46% dos entrevistados relataram preocupação frequente no dia anterior à entrevista, 33% apontaram ansiedade como emoção predominante e 29% descreveram o estresse como presença diária.

 

Metodologia

 

O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 é o primeiro diagnóstico nacional que investiga os fatores que influenciam o bem-estar da população brasileira, incluindo aspectos emocionais, sociais, econômicos e digitais, oferecendo uma leitura aprofundada sobre os impactos da tecnologia na vida cotidiana.

 

O estudo foi conduzido por Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. Foram realizadas 1.500 entrevistas em todas as regiões do país, entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com 95% de confiança estatística e margem de erro de 2,5 pontos percentuais.

Comportamento

Síndrome do ninho vazio e o ingrediente essencial para uma vida longa

Muitas vezes, quando falamos sobre longevidade, o pensamento corre imediatamente para as farmácias, os exames de rotina ou a contagem de calorias

 

É claro que o corpo precisa de manutenção, mas há um ingrediente essencial para uma vida longa que não se compra em drogaria: o pertencimento. Viver muito e com qualidade é, acima de tudo, ter motivos para acordar e pessoas com quem partilhar o café da manhã. Afinal, a verdadeira arte de envelhecer bem reside na profundidade dos nossos vínculos e na capacidade de manter vivo o nosso legado.

 

Infelizmente, temos assistido a um fenômeno silencioso em nossas casas. A pressa, essa vilã da modernidade, está roubando o tempo da mesa e silenciando o coração da casa. Antigamente, a cozinha era um “santuário”, o lugar onde as receitas eram transmitidas não por papel, mas pela observação e pelo afeto.

 

Quando deixamos de sentar juntos para comer, perdemos muito mais do que o sabor de um tempero caseiro; perdemos a oportunidade de validar a sabedoria de quem já percorreu caminhos que ainda nem sonhamos em trilhar. Receitas de família são patrimônios imateriais que estão se perdendo porque não paramos mais para aprender o segredo de um assado com quem realmente entende do assunto e da vida.

 

Essa desconexão é um terreno fértil para a chamada Síndrome do Ninho Vazio. Quando os filhos partem e a agitação da casa silencia, os pais muitas vezes se deparam com um espelho que reflete apenas a ausência. Esse vazio não é apenas um sentimento; ele impacta severamente a saúde física, psicológica e social.

 

A sensação de que o papel de cuidar e proteger terminou pode levar ao desânimo e à negligência com a própria nutrição. O ser humano é um animal social e, na maturidade, o isolamento é um dos maiores venenos, combatido apenas com a percepção de que ainda se é útil e amado.

 

Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro da “Década do Envelhecimento Saudável”, ressalta que o bem-estar não depende apenas da ausência de doenças, mas da manutenção de habilidades e conexões que permitam à pessoa ser e fazer o que valoriza. Embora não haja um diagnóstico médico específico para a Síndrome do Ninho Vazio, a OMS reconhece que esta é uma pauta delicada que requer atenção cuidadosa.

 

Nesse contexto, a saída dos filhos de casa pode ser um momento de transição significativa para as famílias, pois pode coincidir com outras mudanças, como a aposentadoria e a menopausa, agravando sentimentos de baixa autoestima e até depressão.

 

Precisamos, portanto, resgatar a arte da escuta e entender que a sabedoria não está nos livros, mas nos olhos de quem já atravessou décadas de invernos e primaveras. Escutar uma pessoa mais madura ou uma pessoa idosa é um ato de cuidado profundo e uma forma de combater a invisibilidade que a idade muitas vezes impõe. Ao trazermos nossos mais velhos de volta para o centro das conversas, garantimos que eles continuem inseridos no fluxo da vida, sentindo que sua jornada faz sentido para as novas gerações.

 

Longevidade plena se faz com a alma alimentada por conexões reais. Que possamos desacelerar o relógio para reencontrar o tempo do outro e redescobrir o prazer da partilha. Que as memórias não se percam em cadernos empoeirados, mas ganhem vida nas mãos dos netos. Envelhecer com dignidade é saber que, mesmo com o ninho mudando de forma, o coração continua sendo um lugar de pouso, respeito e continuidade.

 

*Ingrid de Paula Ferreira é nutricionista, com especialização em Nutrição Clínica e Professora de Nutrição no Centro Universitário Internacional – UNINTER.

Saúde & Bem-estar

Facilitadora comportamental mostra os 5 passos para você ter uma vida mais abundante

Viver com abundância é muito mais do que conquistar bens materiais — é um estado de consciência. É sobre reconhecer seu próprio valor, abrir-se para o novo e permitir-se viver sob a sua ótica, sem interferências, crenças ou conceitos construídos por outras circunstâncias de sua vida.

 

E é exatamente essa clareza que trago para as pessoas em meu atendimento como facilitadora comportamental. Facilitar um comportamento é sobre ampliar a visão em relação a tudo aquilo que te bloqueia, tudo aquilo que te prende a um padrão e que você precisa ressignificar para poder viver sua verdadeira essência, ser genuíno com seus desejos mais íntimos e com isso alcançar uma vida mais abundante de acordo com o que significar abundância para você.

 

Com base na minha experiência, reuni um roteiro de cinco passos práticos para quem deseja abrir espaço para o novo, liberar bloqueios e construir uma vida verdadeiramente abundante:

 

1º – Questione: sabe aquela voz interna que diz: “isso não é para mim, não sou capaz”. Pare e pergunte: de onde vem essa certeza? Quem me ensinou isso?

 

2º – Permita: deixe as respostas emergirem sem resistência. Observe as frases que marcaram sua infância ou juventude — “a vida é difícil”, “não dá para ter tudo”.

 

3º – Liberte: visualize essas lembranças e devolva o que não te pertence. Agradeça pelos aprendizados e imagine entregando-os de volta, dizendo: “Isso é seu, não meu.”

 

4º – Construa: defina o que é abundância para você. É saúde? Tempo livre? Sucesso profissional? Liste e detalhe cada aspecto. Como seria sua vida mais abundante?

 

5º – Tome posse: ao acordar, leia sua lista sobre o que é abundância para você e afirme: eu mereço. Eu posso. Eu sou. Com esses 5 passos você fará uma reprogramação em seu cérebro e por consequência em sua frequência vibracional.

 

Desta forma conseguirá manter seu foco e seu direcionamento para uma vida mais abundante. Lembre-se, reprogramar seu cérebro é reconhecer e se libertar de crenças que te limitam. É abrir espaço para a expansão em sua vida. É um ato de coragem e amor-próprio.

Quer realizar essa mudança em sua vida? Agende sua sessão comigo.

 

* Helô Minetto, facilitadora comportamental. Atendimentos presenciais no Recreio e na Barra da Tijuca Consultas online para todo o Brasil

 

WhatsApp: (11) 97116-5199

 

Instagram: @helominetto_facilitadora

Carreira & negócios

Gestora de RH cria consultoria para resolver dor de cabeça do varejo da beleza: falta de mão de obra qualificada

Depois de quase uma década atuando com recursos humanos no varejo de luxo, Bruna Pullig decidiu dar um novo tom à sua carreira

 

Ao se afastar do mundo corporativo, trouxe consigo sua maior essência: a paixão por revelar talentos e lapidar pessoas. O que não imaginava era que encontraria, no universo da beleza, uma carência tão urgente: a de profissionais preparados no varejo para atender às crescentes demandas de um setor que vive de brilho, encantamento e experiência.

 

“Eu percebia como era difícil achar pessoas que realmente entendessem a alma do negócio da beleza e conseguissem traduzir isso em um atendimento de excelência no varejo, para o cliente final. A Ojo nasceu dessa necessidade: colocar o olhar humano no centro”, explica Bruna.

 

O mercado da beleza, que pulsa em torno da estética e do bem-estar (maquiagem, perfumes, skin care, coloração, produtos de higiene e tudo o que envolve autocuidado) é uma potência, especialmente o brasileiro, o quarto maior do mundo e movimenta 26,9 bilhões de dólares anuais, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Higiene Pessoal (ABIHPEC).

 

Uma projeção da Redirection International aponta que o setor deve crescer em média 7,2% ao ano e chegar ao final de 2027 com faturamento de 40 bilhões de dólares.

 

Contudo, nos bastidores, a cena não é tão radiante: 74% dos empresários relatam que o maior desafio está em encontrar profissionais qualificados, segundo a pesquisa da Radar em parceria com a Beauty Fair, a maior feira de beleza das Américas.

 

“Beleza é conexão. O olho no olho, a escuta ativa e a empatia fazem toda diferença para o cliente”, afirma a empreendedora.

 

O poder de um bom atendimento

 

Num setor em que cada detalhe importa e a experiência é o verdadeiro diferencial, o atendimento pode transformar uma simples compra em um ritual memorável. Dados da Radar mostram que clientes bem atendidos gastam 78% a mais, permanecem mais tempo na loja e chegam a dobrar o ticket médio.

 

“Minha ideia então foi criar uma empresa que trouxesse uma curadoria de talentos para empresas de beleza e luxo, estruturando processos de onboarding, treinamentos, desenvolvimento de equipes e até mentorias de carreira para profissionais que sonham crescer nesse mercado tão competitivo. Nossa missão é ajudar a construir essa base de pessoas qualificadas, para que o crescimento seja sustentável e encantador”, comenta Bruna Pullig.

 

Humanização como diferencial

 

O setor segue em expansão: até 2028, a Euromonitor projeta que o mercado brasileiro de higiene e beleza alcance quase R$ 235 bilhões. No franchising, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar cresceu 17,5% em 2023, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Porém, junto ao crescimento, permanecem desafios como rotatividade, motivação de equipes e estímulo às vendas.

 

Para Bruna, a solução sempre estará nas pessoas: “Não adianta ter um vendedor que domina todos os produtos, mas não sabe se conectar com o cliente. Pessoas felizes encantam, inspiram confiança e vendem mais. Já estive do outro lado e sei que, no fim do dia, são as pessoas que dão cor, brilho e vida às marcas. Nosso papel é encontrar os talentos certos para os lugares certos”, finaliza ela.

 

Sobre Bruna Pullig

 

Bruna Pullig é idealizadora e fundadora da Ojo Consultoria em Recursos Humanos e Gestão de Pessoas, empresa voltada para o universo da beleza e mercado de luxo, com o objetivo de apoiar marcas e profissionais na seleção, capacitação e gestão de pessoas no ponto de venda, sempre com foco em proporcionar experiências diferenciadas ao consumidor.

 

LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/brunapullig/

 

Instagram: https://www.instagram.com/ojoconsultoria/

Maternidade

Ampliação da licença-paternidade reforça corresponsabilidade parental e pode redefinir papel do pai na Justiça

Sancionada pelo presidente Lula nova Lei nº 15.371/2026 vai além dos direitos trabalhistas e dialoga com guarda dos filhos

 

O presidente Lula sancionou a lei que amplia a licença-paternidade para até 20 dias no Brasil. A nova legislação (Lei nº 15.371/2026) inaugura um movimento que vai além das relações de trabalho e começa a repercutir diretamente nas relações familiares. A medida representa um avanço importante na consolidação da corresponsabilidade parental — conceito que prevê a divisão equilibrada de deveres entre mãe e pai desde os primeiros dias de vida da criança.

 

Na prática, ao garantir mais tempo de convivência entre pais e filhos logo após o nascimento ou adoção, a legislação contribui para fortalecer vínculos afetivos e estabelecer uma participação mais ativa do pai na rotina familiar. Esse cenário pode impactar, inclusive, decisões futuras do Judiciário em casos de guarda, convivência e responsabilidades parentais.

 

De acordo com Patricia Valle Razuk, sócia do PHR Advogados e especialista em Direito de Família e Sucessões, a ampliação da licença-paternidade sinaliza uma mudança cultural relevante, que tende a se refletir nas disputas familiares.

 

“A discussão sobre corresponsabilidade parental já é bastante presente nas ações de guarda, e a ampliação da licença-paternidade reforça esse entendimento na prática. Quando o Estado incentiva a presença do pai desde o início, ele também consolida a ideia de que o cuidado é um dever compartilhado, o que pode influenciar diretamente a forma como a Justiça analisa o papel paterno”, explica.

 

Além disso, a medida também pode contribuir para reduzir a sobrecarga historicamente atribuída às mães, promovendo maior equilíbrio nas dinâmicas domésticas. “Essa mudança pode ter reflexos indiretos em temas como pensão alimentícia, divisão de responsabilidades e até na prevenção de conflitos familiares”, acrescenta a advogada.

 

Impactos para casais LGBTQIAPN+

 

Outro ponto de atenção está no potencial das novas regras para diferentes arranjos familiares. Afinal, a nova legislação não é direcionada apenas para pais biológicos. Portanto, para casais LGBTQIAPN+, é importante assegurar o princípio de igualdade perante à lei.

 

“O entendimento do STF é de que a licença deve proteger a criança e garantir isonomia entre os arranjos familiares. Na prática, quem gesta tem direito à licença-maternidade, independentemente de ser uma mulher cis ou um homem trans. Já o outro genitor ou responsável legal acessa a licença-paternidade, agora ampliada, sem distinção quanto à orientação sexual do casal”, conclui Razuk.

 

Sobre Patrícia Valle Razuk

 

Sócia e co-fundadora do PHR Advogados. Graduada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), especialista em Direito de Família e Sucessões pela Escola Paulista de Direito (EPD). Especialista em Mediação de Conflitos pela Harvard Law School.

Colunistas

A importância da drenagem linfática para o corpo da mulher

A drenagem linfática é crucial para o corpo feminino, pois estimula o sistema linfático a eliminar o excesso de líquidos, toxinas e resíduos, reduzindo inchaços e edemas

 

Esta técnica melhora a circulação sanguínea, alivia dores nas pernas, reduz celulites, auxilia no pós-operatório e promove relaxamento profundo, sendo altamente benéfica durante a gestação e TPM.

 

Principais benefícios para o corpo feminino

 

• Redução de Inchaço e retenção: essencial para combater a retenção de líquidos comum no ciclo menstrual e na gravidez, melhorando a silhueta.

Pós-operatório: altamente indicada para acelerar a cicatrização, reduzir hematomas e prevenir fibroses após cirurgias plásticas, como a lipoaspiração.

 

• Melhora da circulação e celulite: a massagem suave estimula a circulação, combatendo a celulite e prevenindo varizes.

 

• Saúde gestacional e pós-parto: ajuda a aliviar dores nas pernas e pés, além de auxiliar na amamentação, prevenindo o ingurgitamento mamário.

 

• Desintoxicação e metabolismo: auxilia o corpo a eliminar metabólitos, melhorando o metabolismo e o funcionamento do sistema imunológico.

 

• Saúde mental e relaxamento: a técnica proporciona relaxamento, combatendo o estresse e a ansiedade.

 

Cuidados Importantes

 

Embora benéfica, a técnica não é indicada para infecções agudas, flebites, tromboses ou hipertensão descompensada. Deve ser realizada por profissionais capacitados.

 

A drenagem linfática, portanto, funciona como um aliada da saúde e do bem-estar, proporcionando um equilíbrio físico e um melhor funcionamento do organismo.

 

Para mais detalhes sobre o meu trabalho clique aqui!

Siga: @maramendes.estetica

 

* Esteticista Mara Mendes, também advogada especialista em Direito civil, cidadania, trabalhista,  previdenciário,  consumidor, família e divórcio.

Amor & Sexo

Medicamento para aumentar a libido feminina na menopausa é aprovado nos EUA

Médica e pesquisadora Fabiane Berta explica que o prazer feminino é legítimo em qualquer idade

 

Por muito tempo, a narrativa foi repetida quase como um mantra nos consultórios de que depois dos 40 ou 50 anos, o desejo sexual feminino diminuiria naturalmente e caberia à mulher aceitar. Segundo a médica e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, essa explicação confortável nunca foi científica. Foi cultural.

 

“O que chamaram de normal era, na verdade, negligência médica”, afirma Fabiane. Enquanto homens tiveram acesso a múltiplas terapias para disfunção sexual ao longo de décadas, mulheres na pós-menopausa com perda de libido foram orientadas a lidar com o problema em silêncio. “Isso criou uma geração inteira convencida de que perder o desejo era parte obrigatória do envelhecimento”.

 

A ciência, porém, conta outra história. Existe um diagnóstico bem definido, o Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (HSDD), caracterizado pela falta persistente de desejo que causa sofrimento real. De acordo com a pesquisadora, entre 40% e 55% das mulheres após a menopausa podem apresentar esse quadro. “Não é preguiça, não é fase, não é desinteresse afetivo. É neurobiologia.”

 

Até recentemente, o dado mais chocante não era a prevalência do problema, mas a ausência de tratamento. Nenhuma medicação havia sido aprovada especificamente para mulheres na pós-menopausa com HSDD. “Isso diz muito sobre quem a medicina escolheu escutar e quem ficou esperando”, analisa.

 

Esse cenário acaba de começar a mudar, quando a agência regulatória americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou, no final do ano passado, a flibanserina (Addyi) para mulheres na pós-menopausa com menos de 65 anos. A decisão veio dez anos após a liberação do medicamento para mulheres na pré-menopausa.

 

“Demorou uma década para que a ciência institucional reconhecesse algo simples, mulheres depois da menopausa continuam sendo mulheres com desejo”, diz a especialista.

 

A médica explica que diferente do que muitos imaginam, a flibanserina não é um hormônio. Ela atua diretamente nos neurotransmissores cerebrais ligados ao desejo sexual, aumentando dopamina e norepinefrina e reduzindo o excesso de serotonina.

 

“É um ajuste fino do sistema que regula o querer. Não cria desejo do nada, mas reequilibra o que estava desorganizado”, destaca Fabiane.

 

Os estudos clínicos que embasaram a aprovação envolveram mais de 2.400 mulheres e mostraram melhora consistente com aumento no número de eventos sexuais satisfatórios, resposta a partir da quarta semana e mais da metade das participantes relatando melhora significativa do desejo.

 

“Não é solução mágica, nem funciona para todas. Mas é ciência aplicada onde antes só havia resignação”.

 

Ainda assim, o tabu persiste. Falar de sexualidade feminina após os 50 anos segue sendo desconfortável, social e medicalmente.

 

“A mulher madura é empurrada para um papel de cuidadora, avó, alguém que já ‘resolveu’ a vida. Como se isso incluísse arquivar a libido”, observa a médica.

 

Para ela, essa lógica ignora um ponto central de que desejo sexual é saúde, autoestima e qualidade de vida. A especialista faz um alerta:

 

“O tratamento não é indicado para qualquer queixa ocasional de diminuição de interesse sexual. Ele se aplica a casos bem diagnosticados de HSDD, quando há sofrimento e exclusão de outros fatores, como depressão não tratada, problemas de relacionamento ou efeitos colaterais de medicamentos. Também exige cuidados, como evitar o consumo de álcool e respeitar a posologia noturna”.

 

Além de uma nova opção terapêutica, Fabiane Berta vê a aprovação como um marco simbólico. “Não estamos falando apenas de uma pílula, mas do reconhecimento de que o prazer feminino é legítimo em qualquer idade.” Para ela, o maior avanço é tirar o desejo da categoria do “é assim mesmo”.

 

A reflexão final da pesquisadora é direta. “Se a menopausa não encerra a sexualidade, também não deveria encerrar o direito de escolha. As mulheres esperaram demais para serem ouvidas. Agora, precisam ocupar esse espaço no consultório, na ciência e na própria vida”, conclui.

 

Sobre Fabiane Berta

 

Fabiane Berta é médica e pesquisadora (CRMSP 151.126), integrante do Science Medical Team – OB-GYN Specialist. É mestranda no setor de Climatério | Menopausa e pesquisadora adjunta no setor da Endometriose | Dor pélvica pela UNIFESP. Possui pós-graduação em Endocrinologia, Neurociências e Comportamento.

 

É fundadora do MyPausa, iniciativa que propõe um registro nacional da menopausa nos 27 estados do Brasil para promover uma reforma na saúde feminina, com foco em acessibilidade a tratamentos atualizados e respeito à diversidade regional. Atua como PI sub e chefe do Steering Committee do Estudo MyPausa (Science Valley) e como coordenadora da Saúde Feminina para a Arnold Conference 2026.